O gerente como coach

Um gerente tem que ser visto como um apoio, não como uma ameaça. Temos aqui um paradoxo, porque o gerente tradicionalmente é quem tem o pagamento, o passe para a promoção e também o bilhete azul. Tudo bem, desde que você acredite que o único meio de motivar alguém é a aplicação criteriosa da coação.

Contudo, para que o coaching funcione da melhor forma, a relação entre o coach e aquele a quem apoia precisa ser de esforço conjunto, de confiança, de segurança e de pressão mínima.

O cheque, a promoção e o bilhete azul não têm vez aqui, já que servem apenas para inibir essa relação.

Um gerente pode ser um coach?

Pode um gerente, consequentemente, ser um coach? Pode, mas o coaching exige desse gerente as melhores qualidades: empatia, integridade e desprendimento, assim como a vontade, na maioria dos casos, de adorar uma abordagem, fundamentalmente, diferente com a equipe. Ele também vai ter que achar seu próprio caminho, porque há poucos modelos a seguir, e ele pode até ter que enfrentar uma resistência inicial de parte da equipe, suspeitosa de qualquer desvio do gerenciamento tradicional.

Eles podem temer a responsabilidade pessoal extra, implícita em um estilo de gerenciamento baseado em coaching.

Esses problemas podem ser antecipados e, em geral, são facilmente afastados com orientação. As polaridades do gerenciamento ou estilo de comunicação, com o qual estamos familiarizados situam uma abordagem autocrática em uma extremidade do espectro, e o laissez-faire na espera pelo melhor, na outra.

Ao responder às questões de coaching do gerente, o subordinado passa a ter consciência de cada aspecto da tarefa e das ações necessárias. Essa clareza permite que ele vislumbre a certeza próxima do sucesso e escolha assumir a responsabilidade.

Ao ouvir as respostas de suas perguntas de coaching, o gerente sabe não apenas o plano de ação, mas a ideia por trás dele. Agora ele está mais bem informado do que estaria se dissesse ao subordinado o que fazer e, consequentemente, tem maior controle do que está acontecendo.

Visto que o diálogo e as relações em coaching não ameaçam, e sim dão suporte, nenhuma mudança de comportamento ocorre quando o gerente está ausente. O coaching dá ao gerente um controle real, não ilusório, e ao subordinado uma responsabilidade real, não ilusória.

Qual é o papel do gerente

Muitos gerentes frequentemente se descobrem brigando, lutando para ter seu trabalho terminado. Eles mesmos admitem que são capazes de dedicar o tempo que acham que deveriam a um planejamento de longo prazo, a uma visão, a um esquema geral, a uma pesquisa de alternativas, a uma competição, a novos produtos e assim por diante. Mais importante, são incapazes de dedicar tempo ao crescimento de seu pessoal, ao desenvolvimento da equipe. Eles os mandam a um ou dois treinamentos e se enganam, achando que isso é suficiente. Raramente fazem valer seu salário.

Então, como podem os gerentes achar tempo para orientar suas equipes, se é muito mais rápido ordenar? A resposta paradoxal é que, se eles orientam a equipe, esta, em crescimento, suporta uma responsabilidade muito maior, liberando o gerente de lutar, não apenas para orientar mais, como também para assistir àqueles cobrindo questões, das quais somente ele pode tratar.

Fazer as pessoas crescerem é questão de se ter um interesse próprio e esclarecido, e não um idealismo que não oferece nenhum valor adicional. É claro que, por vezes, todo mundo tem que pôr a mão na massa e mandar às favas as gentilezas, mais isso é aceitável, permitindo em uma cultura em que as pessoas se sentem apreciadas.

Os gerentes frequentemente me perguntam, quando devem orientar ou, pelo menos, como decidir se devem orientar ou ordenar. A resposta é simples:

Se tempo é critério predominante em uma situação, a exemplo de uma crise instantânea, você fazer o trabalho ou dizer a alguém exatamente o que fazer, será, provavelmente, o caminho mais rápido.

Se a qualidade do resultado é que mais importa, é provável que o coaching para um alto grau de consciência e responsabilidade ofereça mais.

Se maximizar o aprendizado é primordial, o coaching, certamente, otimizará o aprendizado e sua retenção.

Na maioria das situações no ambiente de trabalho, tempo, qualidade e aprendizado têm alguma relevância todo o tempo.

A triste verdade é que em grande parte dos negócios, o tempo prevalece sobre a qualidade, e aí aprendizado é relegado uma terceira posição. É surpreendente que seja tão difícil para os gerentes abrirem mão de ordenar e que a performance nos negócios, esteja bem abaixo de onde poderia estar?

Se seguirem os princípios do coaching, os gerentes conseguem realizar um trabalho de alto padrão e aperfeiçoam seu pessoal simultaneamente.

Parece bom demais para ser verdade, ter duzentos e cinquenta dias por ano de trabalhos cumpridos e duzentos e cinquenta dias por ano de aperfeiçoamento para cada pessoa da equipe, mas é precisamente isso que o gerente-coach alcança.