Coaching é a arte de facilitar o desempenho, aprendizado e desenvolvimento de outra pessoa.

Vale a pena olhar para algumas palavras em si mesmas nesta definição. Começarei com a palavra desempenho. O coaching nas organizações tem como preocupação principal o desempenho, e qualquer coisa que um coah pode dizer ou fazer deve ser dirigido pela intenção de aumentar o desempenho. A melhora do desempenho pode se relacionar à execução de uma tarefa ou projeto específico, atingir objetivos de negócios ou, mais genericamente, aumentar a eficiência ou eficácia. Aprendizado é outro resultado possível do coahing, pelo menos tão importante quanto o desempenho, pois numa visão de longo prazo, o desempenho futuro da organização depende dele. A distinção que faço quanto ao desenvolvimento é que, enquanto é preciso aprender para se desenvolver, o aprendizado como usado aqui se refere a um domínio mais amplo, como abordar uma tarefa ou compreender uma nova tecnologia, enquanto o desenvolvimento diz respeito ao crescimento pessoal e maior atenção sobre si. Assim chegamos a facilitar, Aqui, esta palavra significa mais do que “tornar fácil”, embora isso possa ser desejável também. Facilitar implica que a pessoa que está sendo objeto do coach tem a capacidade de resolver algo sozinha, de fazer uma descoberta ou ter uma ideia criativa. Implica que as pessoas podem aprender sem serem ensinadas. Isso, por sua vez, significa que o coach deve livrar-se do fato de que tenha a resposta correta. O papel do coach é permitir ao player explorar, ganhar um melhor atendimento, tornar-se mais consciente e, a partir disso, tomar uma decisão melhor do que aquela que já teria tomado antes. O coah como arte. Não pretendo sugerir que não exista ciência no coaching, pois existe e ela forma boa parte do conteúdo desses textos. Coaching é uma arte nos sentido de que, quando praticado com perfeição, a técnica não será levada em conta: o coach está totalmente conectado ao player, e o processo do coaching se torna uma dança entre duas pessoas que, usando a conversa, se movem em completa harmonia e parceira. Nesse momento, a inteligência, intuição e imaginação do coach se tornam uma valiosa contribuição – em vez de uma interferência – para o player. A ciência do coaching vem da experiência e de observações compartilhadas por pessoas semelhantes por vários anos com o suporte de outras disciplinas relacionadas, como a psicologia ou filosofia.

O leque de habilidades de coaching

O coaching é um relacionamento, e a conversa que ocorre nessa relação pode ter várias formas, o que dependerá da situação e das necessidades do player. O coaching diretivo significa exatamente o que aparenta, isto é, dirigir, mandar, instruir. Esta é a forma de educação e gerenciamento com a qual estamos mais familiarizados. Tem sua genes na nossa mais tenra infância e continua pelos anos de escolarização. O professor sabe e, querendo você ou não, vai lhe dizer. Você, por sua vez, mantpem-se ali sentado, passivo. Assume-se que, uma vez, que algo lhe seja dito, você o saberá. E se você não entendeu da primeira vez, o professor só tem que aumentar o volume. (Porque todo mundo sabe que há uma relação direta entre compreensão e volume). Há uma limitação inerente à abordagem diretiva, quer dizer, o coach deve ter as respostas ou ser capaz de consegui-las. Dada a estrutura da maioria das organizações, onde há tantas pessoas com diferentes especialidades e problemas únicos que respondem a um gerente de linha, essa proposta é pouco realista. Surpreendentemente, o ato de não sabermos as respostas não nos impede, pelo menos alguns, de agir. Às vezes, como parte do programa de treinamento para o desenvolvimento de habilidades de coaching, levo os participantes para a quadra de tênis, cujo propósito é aprofundar as habilidades de coaching não diretivo. Se eles não conhecem as técnicas do jogo, não podem, evidentemente, dizer como se joga. O que me deixa perplexo pé que os participantes que nunca jogaram tênis ainda assim tentam dizer a seus jogadores como fazê-lo. Parece que o modelo diretivo dos anos de formação ainda é poderoso. As pessoas ficam presas no “ensinar” e não percebem que isso tem pouco a ver com o aprendizado. O que é surpreendente, e me surpreendo toda vez que o vejo, é o resultado que esses coaches obtêm quando adotam uma abordagem não diretiva. Em minutos, as pessoas aprendem coisas que demandariam de um coach, operando com base no modelo convencional, horas para ensinar. O coaching não diretivo é, mais uma vez, exatamente isso que aparenta ser. Você não dirige, instrui ou manda. Deixe-me lembrar como você aprendeu a andar. Esse aprendizado surgiu por experiência própria, do tipo de tentativa e erro. Você levantou e tinha que partir. Você caiu. Inconscientemente seu corpo-mente processou a informação obtida com aquela experiência, considerou os resultados e inconscientemente fez os ajustes apropriados. A maioria de nós anda razoavelmente bem e poucos tiveram qualquer instrução diretiva sobre como fazê-lo. Deixe-me ainda dizer o que aconteceu quando você aprendeu a andar. Seu pai predisposto a isso não ficou em pé atrás de você armado com “o livro que foi passado através das gerações” e lhe deu uma série de instruções. “Bom menino. Agora ponha o peso na perna direita. Bom. Deixe a perna esquerda ir mais para frente. Também não houve recriminação, punições ou censuras quando você errou. Os pais, no começo, são abençoados com uma abordagem de não julgamento que encoraja experimentação e brincadeira. E então, em algum momento do caminho, nós como pais, professores e gerentes de linha, esquecemos isso. Como já disse, cada um de nós nasceu com uma capacidade nata de aprender, certo tipo de instinto de aprendizado, por assim dizer. Um coach não diretivo procura descobrir esse instinto para que o player aprenda por si. Apesar de minha insistência apaixonada sobre as limitações de uma abordagem diretiva, é importante entender que o lado diretivo do leque também está disponível para você côo um coach. Haverá momentos em que você realmente saberá a resposta, ao passo que o player ficará imóvel. Haverá momentos em que o player precisará de conselhos ou de advertências. Nessas situações, não dar resposta, conselho ou advertência não seria útil. Contudo, a mágica habita o lado não diretivo do leque de opções. Myles Downey em Coaching Eficaz, editora Cengage Learning, 2010.