Grande interferência: são pensamentos,  opiniões e  julgamentos que o coach pode ter sobre o coachee. Uma parte do “gerenciamento de si” no coaching é ser capaz de identificar a sua própria “bagagem” e lidar com ela apropriadamente. A “bagagem” que é relevante. Distingui-las é crucial, pois certamente aparecerão como interferência para tirar o foco do coachee.

Um caminho para superar essa interferência é ter um quadro de referência, uma mentalidade a trazer para o coaching. Ofereço as seguintes proposições como uma mentalidade apropriada. Quero que saiba que o que vem em seguida não é a verdade. É só um conjunto de proposições. Descobri que ter em mente essas proposições e operar com base nelas elimina muito da interferência e me torna um coach mais eficaz. Vou apresentá-las primeiro e depois explicá-las melhor: 


As pessoas têm um imenso potencial.

As pessoas têm um mapa único da realidade – não a própria realidade.

As pessoas têm “boas” intenções.

As pessoas estão atingindo os próprios objetivos, perfeitamente, o tempo todo.

As pessoas têm um mapa único da realidade – não a própria realidade

Você tem um mapa mental da realidade. Muito desse mapa foi criado nos primeiros anos da sua vida e não foi atualizado desde então. Você opera largamente com base nele. Se você pensa em uma viagem que faz regularmente, provavelmente pode visualizar a rota. Você tem um mapa mental da rota. Um mapa, como um mapa de ruas e estradas, é uma representação da comida disponível. O cardápio não é a comida. Igualmente, o mapa não é o território. As pessoas, então, têm um mapa da realidade, mas este não é a realidade.

A maneira como você pensa que é não é a maneira que é. A maneira que é, é a maneira que é, e não se importa particularmente com o que você pensa dela – ela não muda por você. O fato de termos um mapa da realidade – e não a realidade – poderia não importar se todos os nossos mapas fossem iguais. Mas não é o caso. O mapa de cada pessoa é diferente – um mapa único da realidade, e não a própria realidade.

Algumas pessoas pensam que as coisas são do jeito que elas pensam que são e, quando dizem “Se eu fosse você...”, ficam realmente um pouco surpresas de que não sejam. Essas pessoas não se tornam bons coaches.

As pessoas têm “boas” intenções

“Boas” não é julgamento que eu, o coach, estou fazendo. É, na verdade, uma exortação em defesa de uma posição não julgadora. Enquanto posso ver algo inicialmente como “ruim” em algum sentido, devo adiar o julgamento e tentar entendê-lo primeiro. Isso sugere que a maioria das pessoas, uma enorme e vasta maioria, tem boas intenções.

Elas querem ser felizes e realizadas, querem o mesmo para os outros. Querem bons relacionamentos. Querem justiça para todos, o fim da fome e da desnutrição. Têm boas intenções nas coisas grandes da vida e também nas pequenas. Acho que é possível que aí fora, no mundo, existe o mal e pessoas más. 

Penso isso de alguns dos monstros da história que praticaram as piores obras. Mas esse é um assunto para os psiquiatras. Você pode, é claro, receber um pedido para fazer o coaching de alguém cujos valores estão em conflito com os seus, ou trabalhar numa organização com a qual seus valores conflitam. Ou pode preferir não fazê-lo. De volta às proposições. 

Myles Downey, em Coaching Eficaz, editora CENGAGE Learning, 3ª edição, 2010.