Hoje me dediquei a conhecer áreas da Cidade do Porto, em Portugal, e locais próximos como Leça da Palmeira. O objetivo era explorar paisagens, gastronomia, arquitetura, pessoas e o que mais meus sentidos pudessem me chamar.

Saí, muito confiante para o percurso e para transporte que pegaria e lá fui eu. Sim, o autocarro (aqui chama assim) era o 507. E lá no seu horário certinho, diga-se de passagem, ele aparece. 

Subi, sentei e lá se vai o autocarro andando. Rodei muito, por Leça da Palmeira, admirando aquele lugar acolhedor. Porém, chegaria ao final do trajeto e não chegaria onde eu queria: Jardins do Palácio de Cristal, no Porto. 

Puxa vida, pensei. Peguei o ônibus errado!

Pensando no que poderia fazer, imediatamente desci do ônibus, pois só havia eu como passageira. Desci, o ônibus seguiu e resolvi fazer o caminho de volta, pelo lado oposto ao que vim. Olhei nomes de ruas, nomes das paragens (ponto de ônibus) e fui observando as informações que ali continha como, por exemplo, a hora que o transporte parava e as direções. Descobri que ali estava o ônibus certo para chegar ao meu destino final.

Mas, para não perder em nada este momento, caminhei como de costume para descobrir o que ali tinha e se caso não fosse de ônibus, novamente, teria meu plano B. Aliás, não há nada melhor do que conhecer lugares, caminhando. 

Entro em rua, saio de rua e vou explorando aquele lugar, até que sinto uma fome e paro para saborear o prato do dia. Sento, respiro, peço o que comer, tomo um fino (cerveja por aqui), pago a conta e saio. Vou em direção ao meu destino. E lá está o autocarro, chegando para que eu possa continuar meu caminho. Agora estou no sentido certo. Em resumo, o transporte que me levaria direto aos Jardins que falei acima, era esse 507, só que com sentido diferente. Qual sentido? Cordoaria e não Mar shopping...

Trago essa pequena crônica do dia para escrever sobre nossos erros e as limitações que eles nos provocam, através de nossas crenças.

As crenças, em si, são fáceis de serem mudadas, basta nossa atitude de pensar fora da caixa e aplicar técnicas energéticas para ajudar a romper o padrão. O maior problema, no entanto, é identifica-las. 

Muitas estão tão inseridas em nossa identidade que fazem parte de nossos hábitos de maneira inconsciente. E com algumas provocações vindas do momento, compartilho com vocês aqui.

Se eu não estivesse com o sentido de explorar acionado, como reagiria a esse movimento? Ao errar o caminho e usar o meio diferente ao que necessitava, qual a ação pensada e realizada em busca de retomar meu percurso?

Ao tomar uma atitude pensada, buscando outro caminho e possibilidades, criei confiança em mim, mediante o erro cometido? Ao pensar no erro, posso compreendê-lo como mecanismo de aprendizagem ou uma limitação?

Se eu me limitasse na crença de que não devo sair sem saber do lugar onde estou, teria construído um olhar diferente para o erro?

No meu caso, não senti pavor, medo ou sequer ansiedade. Senti a necessidade de reorganizar o meu caminho de volta e em uma situação oposta à que caminhei, até chegar a parada escolhida por mim. Após esse movimento, o processo foi tomando forma e sentido. Novo direcionamento.

A partir das contribuições de Luckesi (2002), "o erro não é fonte de castigo, mas suporte para o crescimento", acredita-se que o "erro" ao ser considerado como fonte de aprendizagem, viabilizará um caminho de descobertas e desafios para quem se disponibiliza a percebê-lo desta maneira.

O ser humano tem uma capacidade muito grande de se adequar às situações vividas. Quando estas se caracterizam pelo prazer, a busca de crescimento torna-se maior. Porém, quando há frustrações é recair, deixar de produzir.

Assim sendo, "o erro não é um corpo estranho, uma falha na aprendizagem. Ele é essencial, faz parte do processo" como sinaliza, Demo (2001, p.50).

Compreendo que o erro não necessita ser entendido como um elemento que te limite, controle, aprisione ou te faça sentir culpa por ter cometido. Erro necessita ser reconfigurado e ressignificado. Necessita ser colocado novas lentes, a fim de poder enxergar com amplitude, outros caminhos e sentidos que foram identificados e produzidos.



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