Não há um método seguro entrar no Self Dois. Entretanto, acredito que uma das chaves está na “concentração relaxada”. Esse estado mental, em que o player está focado, relaxado e confiante, é outra forma de descrever o Self Dois. Deixe-me sugerir que existe um tipo continuado de atenção. Ele começa com o que chamo de conhecimento inconsciente, em que as coisas acontecem, mas você não presta atenção a elas.

Ao nos movermos nesse contínuo, chegamos à sensação de que você se torna consciente daquilo que está na sua atenção, seja por escolha, seja porque é compelido a tanto. Temos a atenção concentrada e, finalmente, a absorção quando não há mais nada em sua atenção além do foco ou da atividade. Do lado direito do contínuo, você tenderá a estar no Self Dois ou em Fluxo, o estado em que agirá e/ou aprenderá de forma mais efetiva e agradável.

Denomino “interesse subsequente” o enfoque que pode ser usado pelo coach para ajudar o player a se mover ao longo do contínuo. Usarei uma parte da aula de golfe descrita anteriormente.

A resposta de Patrick segue à pergunta “O que você percebe?”.

- Percebo meu quadril se mexendo cedo demais.

- Cedo demais?

- É isso que os jogadores profissionais me dizem. [Possibilidade de interferência e julgamento.]

- Certo, mas não se preocupe com isso agora. [Remoção da interferência.]

- Dê mais algumas tacadas e me diga o que você percebe desta vez.

- Percebi que não fiz contato direito com as duas últimas bolas e, mais uma coisa, sinto o movimento meio estranho.

- Estranho?

- É, mas... é meio irregular.

- Você notou três coisas: seu quadril, o contato e o taco, e esse movimento irregular. Dê mais tacadas e diga qual é a mais interessante. Qual é mais forte para você? [Com foco em “seguir o interesse”; o Modelo T; ver mais adiante.]

- O movimento trêmulo.

- Então dê mais algumas tacadas e não tente mudar nada. [Evitando possíveis interferências; tentando “fazer direito”.] Diga exatamente em que ponto do movimento você sente o estremecimento. [Concentrando a atenção.]

Patrick arremessa mais algumas bolas.

- É no downswing.

- No downswing inteiro ou só em uma parte dele. Ele bate mais uma bola.

- É na segunda metade do downswing.

- Ótimo. Arremesse mais uma e me diga onde é desta vez.

- Interessante. Nesta foi só no último quarto.

- Dê mais uma tacada.

- Incrível! [No Self Dois/absorção, não há julgamento, em “incrível”, só prazer e maravilhamento.]

-O quê?

- Não houve estremecimento no movimento.

- Se não há mais estremecimento, o que você percebe no lugar dele?

Patrick bate mais algumas sorri.

- Fluidez

- Diga-me, após o movimento seguinte, o quão fluido ele foi. Use uma escala de zero a dez. Ele faz mais uma tacada.

- Mais ou menos cinco. Outra bola.

- Humm... Mais.

O processo de seguir o interesse tem o mesmo processo básico em seu centro:

. Diga-me o que você notou.

. Diga-me o que mais você notou.

. De tudo o que notou, o que é mais interessante?

. Diga-me algo sobre o que é mais interessante.

Tais ideias permitem desenvolver um pouco mais o Modelo T. A barra horizontal do T – Expansão – tem sua fonte nas perguntas da percepção, e a barra vertical – Concentração -, no interesse.

Myles Downey, em Coaching Eficaz, editora CENGAGE Learning, 3ª edição, 2010.