Escrito por Sulivan França - 17 de Junho de 2019

Todos nós queremos ser considerados competentes ou admiramos pessoas capacitadas em suas funções, certo?

Porém, se a competência não for acompanhada por autoconsciência pode ter zero efeito. Reflita: um diretor que tenha reconhecida capacidade técnica, mas não possua o mínimo de sensibilidade para, por exemplo, perceber quando é agressivo com os outros, na verdade, é nocivo à empresa.

Com frequência, quando perdemos o controle e fazemos algo desagradável, não nos damos conta disso. E, caso ninguém nos diga nada, a tendência é seguir do mesmo jeito. Por outro lado, se pudéssemos ser avaliados de forma franca por aqueles que nos cercam teríamos um bom material para comparar como nos vemos e como os outros nos vêem.

E isso é um excelente exercício para desenvolver a autoconsciência. Porque, em geral, líderes desligados costumam se ver como pessoas muito mais eficientes do que são vistos por seus liderados.


A ação de receber um feedback sincero de quem confiamos e respeitamos cria uma fonte de autoconsciência. E isso acaba por nos proteger contra informações distorcidas.

Faça um teste: pense em pessoas que poderiam te avaliar de forma franca. Converse e peça que ela digam como te veem. Use essas informações para seu autodesenvolvimento.

Estamos falando de como melhorar a própria consciência na fase adulta, mas a relação entre foco e emoções é algo a ser desenvolvido desde os primeiros anos de vida.

Pais de crianças pequenas sabem como a atenção é capaz de regular a emoção. Se uma criança de uns dois anos demonstra estar chateada, a distração pode ser uma excelente forma de acalmá-la. "Olhe! O que é aquilo?", dizemos, caprichando na empolgação, para capturar a atenção dos pequenos.

Enquanto a criança estiver focada em algo que lhe interesse, aquela sensação ruim é reduzida. Quando o encanto recuar, se a aflição ainda estiver agindo no cérebro, voltará com força. A ideia é simples: manter o fascínio da criança em algo até que sua mente se tranquilize.

Por volta dos três anos de vida, começamos a adquirir nossas primeiras habilidades de controlar emoções e impulsos. Este é um recurso que exige a chamada atenção executiva. Uma criança começa a manifestar nessa idade o controle esforçado, que é o ato de concentrar-se por vontade própria, ignorando distrações e inibindo os impulsos.

A opção proposital de dizer não para algo que seja tentador, como esperar para comer um doce após comer mais da refeição que lhe é servida, é um exemplo de atitude que depende da atenção executiva.

Aqui estamos falando de força de vontade e autodisciplina. Capacidades importantíssimas para a trajetória de qualquer pessoa, uma vez que dizem respeito a administrar sentimentos e ignorar caprichos para conseguir se manter focado em um objetivo.

Nosso cérebro utiliza a chamada autoconsciência para manter o que fazemos sob controle. Numa palavra é a metacognição. É ela que permite que tomemos conhecimento de como estão indo nossas operações mentais e possamos ajustá-las conforme for necessário.

De uma forma similar, a metaemoção faz o ajuste do nosso fluxo de sentimentos e impulsos. Assim, com a autoconsciência conseguimos regular nossas próprias emoções, bem como podemos perceber como os outros estão se sentindo.

A atenção executiva pode ser considerada a chave para a autogestão. Esse poder de direcionar o foco para algo e ignorar o restante permite, por exemplo, que você pare e reflita sobre o seu peso ou suas gordurinhas quando está diante de um tentador churrasco com cerveja.

Algumas pesquisas realizadas nas décadas de 60 e 70 já apontavam para a importância da força de vontade como sendo algo determinante para a trajetória das pessoas. A forma como focamos é a chave para termos tal capacidade.

Um estudo monitorou por décadas mais de mil crianças na Nova Zelândia e trouxe uma conclusão valiosa. O levantamento mostrou que aqueles com mais autocontrole na infância tiveram melhores resultados referentes ao estado de saúde, sucesso financeiro e eram cidadãos cumpridores das leis na fase adulta, por volta dos 30 anos de idade.

Por outro lado, quanto pior era a gestão dos impulsos das crianças, piores eram os salários, o estado de saúde e maior era a possibilidade de terem algum antecedente criminal quando se tornaram adultos.

Já uma outra análise indicou que o nível de autocontrole de uma criança é um indicador de seu sucesso e de sua saúde na idade adulta, assim como de registros criminais, tão determinante quanto a classe social, a riqueza da família de origem ou o QI.

O controle cognitivo do impulso ajuda na vida. É ele que faz com que alguém consiga estudar para um vestibular em vez de assistir TV ou guardar mais dinheiro pensando na aposentadoria.

Faça um teste: como você classifica sua força de vontade? Consegue resistir às tentações quando tem um objetivo maior? Por exemplo, tem guardado dinheiro para a aposentadoria?

Falamos até aqui de autoconsciência e força de vontade. Outro fator importante é a empatia. Mas, no caso, existem três tipos dela.

A empatia cognitiva permite assumir a perspectiva de outra pessoa e compreender seu estado mental. Ao mesmo tempo, possibilita administrar próprias emoções enquanto avaliamos as da outra pessoa. Ela também nos dá a capacidade de compreender as maneiras de ver e sentir dos outros.

Porém, para conseguir captar os sentimentos dos outros é preciso compreender os próprios sentimentos.

Sociopatas, por exemplo, utilizam a empatia cognitiva para identificar a fraqueza de uma pessoa e tirar vantagem disso, as manipulando.

Outro tipo de empatia é a emocional, que nos une à outra pessoa e faz com que possamos sentir junto com ela. Assim nossos corpos chegam a ressoar qualquer tom de alegria ou tristeza que aquela pessoa possa estar sentindo.

É como ocorre quando ouvimos uma história emocionante. Estudos mostram que quando as pessoas ouvem uma história deste tipo, os cérebros dos ouvintes se tornam mais intimamente unidos ao do contador da história.

Este tipo de empatia depende de um esforço de atenção: entrar em sintonia com os sentimentos de alguém exige que assimilemos os sinais faciais, vocais e outros indícios de suas emoções.

A terceira forma de empatia é a preocupação empática, algo que vai além das duas primeiras. Esta última faz com que nos preocupamos com a pessoa e até que nos mobilizamos para ajudar se for preciso.

Compaixão requer empatia, que, por sua vez, exige um foco nos outros. Preocupação empática é o que queremos do nosso médico, do nosso chefe ou do nosso cônjuge.

Especialistas temem que uma das consequências do fluxo frenético de distrações que enfrentamos hoje seja uma corrosão na empatia e na compaixão. Quanto mais distraídos estamos, menos podemos expressar tais sentimentos.

Faça um teste: qual é o seu nível de empatia? Você acredita que as muitas distrações têm afetado a sua compaixão? O quanto você compreende os seus próprios sentimentos?

Além da empatia, há ainda a chamada dislexia social. Isso ocorre quando alguém não consegue entender com precisão o fluxo de mensagens não verbais que as pessoas à sua volta estão enviando. Sabe aquela pessoa que comete gafes sociais e nem parece se dar conta disso?

Alguém que fala durante um filme no cinema ou é grosseiro de forma impensada, por exemplo. Tal falta de delicadeza indica uma autoconsciência imperfeita. Socialmente, a pessoa comete deslizes, mas chega a ficar surpresa quando alguém lhe diz que ela foi inadequada.

A atenção ao contexto permite perceber as sutis pistas sociais que podem guiar nossos comportamentos. Pessoas atentas ao contexto agem com habilidade independentemente de qual seja a situação em que se encontram. Não somente sabem o que dizer e fazer, mas, o que é fundamental, o que não dizer ou fazer. Acredite, isso também é muito importante.

Faça um teste: você conhece alguém que comete muitas gafes sociais? Como você avalia a si mesmo em relação isso? O que você poderia fazer para melhorar neste aspecto?


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