Observe os master coaches executar as sua aptidões especiais, e algo se tornará evidente: parecem executá-las sem esforço. Eles sabem quais são as poucas coisas de grande alavancagem que requerem atenção a fim de conseguir performance de alto nível – as variáveis críticas da tarefa. Os observadores sempre comentam como os coaches hábeis fazem tudo parecer tão simples. Poder-se-ia dizer que tornam simples o complexo.
Entre os muitos modelos para descrever como os seres humanos fazem para progredir, um processo muito simples consiste em quatro etapas: metas, realidade, opções e o caminho adiante – G.R.O.W. [do inglês goals, reality, options, way forward). Podemos chamar essas etapas de variáveis crítica para a obtenção do progresso – críticas porque poderá ser problemático deixar qualquer etapa de fora, e variáveis porque o conteúdo dessas etapas difere em situações diferentes. 

O significado dessas quatro etapas consideradas como variáveis críticas provém da observação do modo pelo qual os seres humanos e as organizações tomam decisões. As pessoas e as empresas têm situações ou problemas atuais que desejam modificar de alguma forma – a sua realidade. Elas definem de que maneira gostariam que essa situação fosse diferente – a sua meta

Em seguida, desenvolvem meios para conseguir preencher a lacuna existente entre a sua realidade e a sua meta – as suas opções. Finalmente, engajam-se em alguma ação, com base nas opções com relação às quais dispõem de energia e nas quais acreditam para gerar resultados – seu caminho adiante. Assim, poderíamos chamar essas etapas de variáveis críticas do processo decisório.

Para conseguir progredir, as pessoas devem passar por essas etapas. Se omitirem ou não tiverem certeza de alguma delas, o lado negativo de cada etapa é o seguinte:

A meta – não chegamos a lugar nenhum ou resolvemos o problema errado.

A realidade – não sabemos com o que estamos lidando.

As opções – dispomos de menos meios para preencher a lacuna entre a realidade e as metas.

O caminho adiante – não temos um sentido claro das próximas ações, ou de comprometimento para com elas.

Um ou mais desses lados negativos tendem a emergir quando as pessoas ficam “presas” em seu processo decisório. É comum as pessoas seguirem um caminho específico quando estão pensando ou conversando sobre uma situação. Elas começam com a realidade e passam a vaguear (freqüentemente reclamando) antes de tentar estabelecer uma meta. Então, voltam à realidade e vagueiam mais um pouco, desenvolvem uma opção e, imediatamente, voltam à realidade e decidem que não vai dar certo.

Elas tentam mais uma vez desenvolver uma opção e, com certo desânimo, escolhem um meio de implementá-la com o qual realmente não têm um comprometimento de execução. É como tentar marcar gol no futebol tendo sempre de atrasar a bola para o próprio goleiro antes de correr em direção ao gol adversário. Tornar-se muito mais difícil finalizar uma jogada e marcar gol desse jeito.

Pode até ser que o jogador chegue lá, mas com muito desperdício de tempo e energia durante o percurso. Através da focalização em cada uma dessas etapas do processo decisório, é possível percorrer as etapas com maior rapidez - um dos elementos para se aumentar a velocidade nas decisões.

Marshall Goldsmith em Coaching: o exercício da liderança, editora Campus, 2003.