Criatividade é uma parte essencial do coaching, pois permite ao player sair de uma situação difícil, inventar um novo futuro ou possibilidade e dar um passo de mudança na produtividade ou qualidade de vida. Ela se mostra de várias maneiras, mas vamos nos concentrar aqui em duas: criar o futuro (visão e estabelecimento de metas) e inovação (novos modelos de fazer as coisas, novas opções).

Em muitas das minhas sessões de coaching, sou culpado de aceitar o que é aparentemente razoável, no sentido daquilo que razoavelmente pode ser seguido, por exemplo, quando um player está criando uma visão de carreira própria. Em minha mente, em geral tenho uma noção do que é possível para aquela pessoa, do que ela é capaz de fazer. E esse conjunto de julgamentos aparece na sessão e tem o potencial de restringi-la. Há ainda outro aspecto muito preocupante: em geral, a minha ideia do que o player é capaz é muitas vezes maior do que o que ele próprio acredita ser capaz.

O mesmo pode acontecer nas opções de etapas do modelo GROW.  O player vem com uma lista de opções que está dentro dos limites do razoável, e o coach simplesmente a recebe. Não faço parte daquela escola de pensamento que diz que todos os sonhos podem ser concretizados. Existem algumas coisas que nos cerceiam – pelo menos nesta fase da nossa evolução. Mas tenho certeza absoluta de que haverá muitas coisas disponíveis se apenas ousarmos olhar.

Uso a expressão “criar o futuro” com alguma resistência, pois sei que há quem pense que o mundo é como é, que seu destino já está predeterminado e entregue ao caos. Eles têm total direito de pensar assim. Como um coach, posso, é claro, desafiá-los nisso. Para seu próprio bem, gostaria que tivessem certeza de que isso é uma verdadeira crença, e não um desculpa que lhes permita fugir da responsabilidade de fazer a vida funcionar e de aceitar a situação atual sem lutar. A maior parte de nós, a maior parte do tempo, cria o futuro a partir do passado. É um futuro previsível. Se formos corajosos, poderemos ultrapassar os limites e criar algumas “metas esticadas”. Mas, essencialmente, o futuro que imaginamos para nós é uma extrapolação do que ocorreu anteriormente. Criamos o futuro com base em nossa experiência passada: aquilo que funcionou e não funcionou, nossos gostos e desgostos, nossas forças e fraquezas, nossos sucessos e fracassos. Processos inconscientes também criam demandas a serem cumpridas.

Pais, família e o ambiente cultural, todos têm seu papel. Todos do passado. E você precisa ser forte e corajoso para fazer algo diferente – e isso acontece depois que você se deu permissão de imaginar algo diferente. O engraçado é que as pessoas que deveriam zelar pelos nossos interesses são aquelas que fazem o máximo para garantir a nossa acomodação: “Mas, meu querido, sempre achei que você queria ser médico como seu pai. Por que você iria querer ser jogador de futebol?”. (Com efeito, por quê?) Então, há uma outra forma de criar o futuro?

Em última instância, não completamente, porque é quase impossível imaginar algo que não tenha tido existência. A única questão é se você está disposto a ser restringido pelo passado. Será que você pode se libertar o suficiente para criar um futuro para o qual vale a pena viver, que demanda seus melhores esforços? Você sabe, as pessoas costumam dizer: “Cuidado como que deseja, você pode conseguir”.

Myles Downey, em Coaching Eficaz, editora CENGAGE Learning, 3ª edição, 2010.