O gerente que recebe o coaching (começando de baixo para cima na escala de hierarquia) deve possuir um conjunto de excelentes habilidades de comunicação para que o processo funcione eficazmente. É necessário suspender todos os traços de julgamento e atitude defensiva e escutar simplesmente para aprender. Isso pode ser difícil porque muitos de nós temos pouca habilidade de escuta, que é o problema central da maior parte da falta de comunicação. Mesmo com tudo o que Carl Rogers (1961) e outros nos ensinaram sobre a arte de escutar e os muitos volumes que foram escritos sobre o assunto, o desafio básico subjacente é o que os ouvidos não escutarão o que a mente não quiser ouvir.
Escutar é uma questão de mentalidade. Para obter uma compreensão melhor da mentalidade de escuta, eu recomendaria a leitura dos inúmeros artigos de Chris Argyris (1985) e outros. Além disso, é importante lembrar que a maior parte da comunicação é não-verbal; então, precisamos estar muito cientes de nossa linguagem corporal e aprender a controlá-la para que seja coerente com as nossas intenções. 

A pessoa que recebe o coaching também deve possuir uma saudável inteligência emocional – e senso de humor - ao receber o feedback, de forma a colocá-la na perspectiva correta. Duas habilidades correlatas são de grande valia nesse sentido: primeiramente, é importante deixar clara a expectativa de que nem todas as sugestões serão acatadas (por uma série de razões); em segundo lugar, é importante permitir um tempo finito curto para o feedback, e então fazer uma transição suave de volta ao trabalho. É necessário conseguir trocar com facilidade os dois chapéus de gerenciar e aconselhar, lembrando-se que o coaching é aprendizado e que o aprendizado deve ser divertido!

Marshall Goldsmith em Coaching: o exercício da liderança, editora Campus, 2003.