Imagine que você está paralisado diante de um importante teste, para o qual não se preparou adequadamente. A folha a sua frente traz perguntas que você não tem a mínima ideia do que escrever. Caso se concentrasse, talvez pudesse usar a criatividade e esboçar algum tipo de resposta, mas sua mente parece congelada. No final, você apenas aguarda que o tempo passe para que o sofrimento, enfim, acabe. 

O terror vivido em uma situação como essa demonstra o impacto devastador da perturbação emocional sobre a clareza mental. Em casos assim, a razão é dominada pelos sentimentos. Isso não é novidade para os professores. Alunos ansiosos, mal-humorados ou deprimidos não aprendem. Quando existe emoção é impossível absorver informações ou as elaborar devidamente. Sentimentos negativos fortes desviam a atenção para suas próprias preocupações e interferem na concentração. Como intrusos, eles esmagam outros pensamentos e sabotam as tentativas de darmos atenção às tarefas que devemos cumprir. 

Por outro lado, vamos pensar no papel da motivação positiva, a reunião de entusiasmo e confiança na conquista de um objetivo. Isso pode ser observado em atletas olímpicos, músicos de fama mundial e grandes mestres de xadrez. Eles têm em comum a capacidade de motivarem-se para seguirem implacáveis rotinas de treino. A obstinação depende de características emocionais, ímpeto e persistência diante dos reveses, acima de tudo. 

Na medida que nossas emoções atrapalham ou aumentam os pensamentos, a eficácia em fazer planos, o treinamento ou a competência para solucionar problemas, elas definem os limites de nosso poder de usar as capacidades mentais. E assim determinam como nos saímos na vida. E na medida em que somos motivados por sentimentos de entusiasmo e prazer no que fazemos, esses sentimentos nos levam ao êxito. É nesse sentido que a inteligência emocional é uma aptidão mestra, uma capacidade que afeta profundamente todas as outras, facilitando ou interferindo nelas. 


Talvez não haja aptidão psicológica mais fundamental do que ser capaz de resistir a um impulso. É a raiz do autocontrole emocional, pois todas as emoções levam ao impulso. A capacidade de contê-los está na base de uma imensidão de esforços que vão desde manter uma dieta, até para a obtenção de um diploma de medicina. Estudos reforçam o papel da inteligência emocional como uma competência de atingir metas, determinando como as pessoas podem empregar bem ou mal outras competências mentais.

Faça um teste: avalie sua capacidade de resistir a impulsos. Reflita como você costuma lidar com situações que exigem que sejam feitos "sacrifícios", como dieta ou mudar hábitos. 

Por exemplo, estudos demonstraram que pessoas ansiosas têm mais probabilidade de falhar, ainda que tenham contagens superiores de QI, na comparação com não ansiosos. A ansiedade também sabota todos os tipos de desempenho acadêmico. Para pessoas muito ansiosas, a apreensão pré-prova interfere na clareza de raciocínio e na memória, fundamentais para um estudo eficaz. E durante a prova a clareza mental, que é essencial para que se saíam bem, fica comprometida. 

Outros estudos demonstraram a importância da esperança em nossas vidas. Alunos muito autoconfiantes estabelecem para si mesmos metas mais altas e sabem como se esforçar para atingi-las. Ao comparar alunos de aptidão intelectual equivalente nos rendimentos acadêmicos, o que os distingue é a esperança. Ela é a capacidade de acreditar que se tem a vontade e os meios de alcançar seus próprios objetivos, quaisquer que sejam. 

Na perspectiva da inteligência emocional, ser esperançoso significa que não vamos sucumbir em uma ansiedade arrasadora, atitude derrotista ou em depressão diante de desafios difíceis. 

Como a esperança, o otimismo significa a forte expectativa de que, em geral, tudo vai dar certo, apesar dos reveses e frustrações. É uma atitude que protege da apatia, depressão e desesperança diante de dificuldades. Otimistas veem um fracasso como devido a algo que pode ser mudado, para que possam vencer da próxima vez. Já os pessimistas assumem a culpa pelo fracasso, atribuindo a ele alguma imutável característica pessoal. 

É a combinação de talento e capacidade de seguir em frente diante da derrota que conduz ao sucesso. Enquanto a atitude mental do pessimista conduz ao desespero, a do otimista gera esperança. Otimismo e esperança podem ser aprendidos. Por trás deles está uma perspectiva chamada autoeficácia, a crença de que somos capazes de exercer controle sobre os fatos de nossa vida e de que podemos enfrentar os desafios que surgirem. Quem tem senso de autoeficácia se recupera de fracassos. Aborda mais as coisas, em termos de como lidar com elas, ao invés de ficar se preocupando com o que pode dar errado. 

Faça um teste: reflita sobre o seu grau de esperança e otimismo diante do que ocorre com você. Como você poderia adotar uma visão mais positiva que lhe ajudasse no dia a dia?

Outra importante aptidão é a empatia, a capacidade de se sintonizar com outras pessoas e saber como elas se sentem. Ela é alimentada pelo autoconhecimento. Quanto mais consciente estamos em relação às nossas emoções, mais facilidade teremos para entender o sentimento alheio. Para quem não possui essa capacidade existe um grande déficit de inteligência emocional. Todo relacionamento, que é a raiz do envolvimento, vem de uma sintonia emocional, da capacidade de empatia. 

A empatia entra em jogo em vários aspectos da vida, seja nas práticas comerciais, na administração, no namoro ou na paternidade, ao sermos piedosos e na ação política. Já a falta de empatia é verificada em criminosos psicopatas, estupradores e molestadores. 

As emoções das pessoas raramente são postas em palavras. Com muito mais frequência são expressas sob outras formas. A chave para que possamos entender os sentimentos de outras pessoas está na nossa capacidade de interpretar canais não-verbais: o tom de voz, os gestos, expressão facial e outros sinais. Assim como a forma de expressão da mente racional é a palavra, a das emoções é não-verbal. Estudos indicam que 90%, ou mais, de uma mensagem emocional são não-verbais. 

Faça um teste: analise o quanto você demonstra empatia. Em seus relacionamentos, como você costuma identificar sinais não-verbais, aqueles que indicam as emoções nos outros? 

Pesquisadores defendem que a sintonia e a falta dela entre pais e filhos moldam as expectativas emocionais que as crianças levarão para seus relacionamentos quando adultos. Talvez muito mais do que os dramáticos acontecimentos da infância,uma prolongada ausência de sintonia impõe um tremendo tributo emocional à criança. 

Quando um pai não tem empatia com as emoções do filho, como, por exemplo, alegria, lágrimas ou a necessidade de aconchego, a criança começa a evitar expressar, e talvez até mesmo sentí-las. Assim, diversos sentimentos podem ser apagados do repertório, sobretudo, se durante a infância continuarem sendo desestimulados. 

Os custos emocionais, para toda a vida, decorrentes da falta de sintonia na infância podem ser grandes, e não só para a criança. Um estudo sobre criminosos que praticaram crimes  cruéis constatou que o que lhes caracterizava e os distinguia de outros é que, na infância, tinham sido mandados de uma casa de adoção para outra, ou criados em orfanatos. Históricos de vida que sugerem abandono emocional e pouca oportunidade de sintonização. 

No âmbito social, pessoas incapazes de transmitir ou receber emoções tendem a ter problemas de relacionamentos, já que muitas vezes os outros se sentem pouco à vontade com elas, mesmo quando não conseguem explicar porque isso ocorre. Já a energia de um bom orador, por exemplo, é canalizada para provocar emoções na plateia. Este arrasto emocional é a essência do poder de influenciar pessoas. 

Faça um teste: do ponto de visto social, como você classifica que transmite seus sentimentos e recebe as emoções dos outros? O que poderia fazer para melhorar? 


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