Escrito por Sulivan França - 18 de Junho de 2019

Quando a mente racional é inundada pela emoção, uma das formas do cérebro pensante, o neocórtex age como administrador, amortecendo os sinais enviados pela amígdala, o centro emocional no cérebro. É como um pai que impede um filho impulsivo de pegar uma coisa e o manda, em vez disso, esperar o que quer.  

As ligações entre a amígdala e o neocórtex são o centro das batalhas ou dos tratados de cooperação entre coração e mente, sentimentos e pensamentos. Por isso, quando estamos emocionalmente perturbados afirmamos que "não conseguimos raciocinar". Já uma contínua perturbação emocional em crianças cria deficiências nas aptidões intelectuais, afetando a capacidade de aprender.  

Faça um teste: avalie como você fica diante de acontecimentos emocionalmente intensos. Como isso afeta sua capacidade de raciocínio e como você age nesses momentos? 

 Estudos já demonstraram que crianças com QI acima da média, mas com desempenho escolar fraco, tinham deficiências no controle das emoções, sendo impulsivos e ansiosos. Apesar do potencial intelectual, essas crianças são as mais propensas a terem problemas na escola, a se tornarem alcoólatras ou criminosos. Os circuitos emocionais são esculpidos na infância. Capacidade intelectual e inteligência emocional se complementam para o melhor desempenho na vida. É preciso encontrar o equilíbrio inteligente entre razão e sentimento.  


E você já deve ter se perguntado em alguma ocasião porque pessoas claramente inteligentes são capazes de agir de modo irracional e estúpido muitas vezes. A resposta é que a inteligência acadêmica pouco tem a ver com a vida emocional. Pessoas com alto nível de QI podem ser pilotos incompetentes de sua vida particular.  

Notas altas na escola ou alto grau de QI não são instrumentos capazes de ajudar a prever com exatidão se alguém terá uma vida bem-sucedida. Na melhor das hipóteses, o QI contribui com cerca de 20% para os fatores que determinam o sucesso na vida. Os 80% restantes correspondem a outras variáveis, como, por exemplo, a classe social a que a pessoa pertence ou até a pura sorte.  

A inteligência emocional está entre as outras características para o sucesso além do QI. Ela inclui a capacidade de alguém criar motivação para si próprio e de persistir em um objetivo apesar dos percalços; de controlar impulsos e aguardar pela satisfação de seus desejos; de se manter em um bom estado de espírito; e de impedir que a ansiedade interfira na capacidade de raciocinar, assim como ser empático e autoconfiante. Como a inteligência emocional é um conceito relativamente novo, ninguém pode dizer o quanto ela representa para o sucesso de alguém e como isso varia de pessoa para pessoa.  

No entanto, há dados que indicam que este tipo de inteligência pode ser tão, ou mais valioso, do que o QI. E uma boa notícia é que aptidões emocionais decisivas podem ser apreendidas. Apesar de um alto QI não ser garantia de prosperidade, prestígio ou felicidade na vida, nossa cultura e nossas escolas privilegiam a aptidão no nível acadêmico, ignorando a inteligência emocional. 

Faça um teste: pense em pessoas tidas como inteligentes, por terem alto QI, mas que demonstram ter inteligência emocional deficiente, com falta de empatia e autoconsciência. 

A vida emocional é um campo no qual se pode lidar, certamente como matemática ou leitura, com maior ou menor habilidade, e exige seu conjunto especial de aptidões. E a medida dessas aptidões em uma pessoa é decisiva para compreender porque uma prospera na vida, enquanto outra, de igual nível intelectual, entra em um beco sem saída. A aptidão emocional é uma capacidade que determina até onde podemos usar bem quaisquer outras aptidões que temos, incluindo o intelecto bruto.  

Claro, a aptidão técnica é importante para o sucesso na vida. Mas, existem muitos indícios que atestam que pessoas emocionalmente competentes, ou seja, que conhecem, lidam bem com os próprios sentimentos e levam em consideração os sentimentos do outro, possuem vantagem em qualquer setor da vida. Elas têm mais probabilidade de se sentirem satisfeitas e de serem eficientes em suas vidas. Já quem não consegue exercer nenhum controle em sua vida emocional trava batalhas internas que sabotam a capacidade de concentração no trabalho e de lucidez de pensamento.  

Faça um teste: liste pessoas próximas a você e relacione que pontos você identifica como fortes nelas no que se refere à inteligência emocional. O que você pode aprender com elas?  

Alguns especialistas vão além e defendem que a maior contribuição que a educação pode dar ao desenvolvimento de uma criança é ajudá-la a desenvolver suas aptidões e, assim, escolher uma profissão em que ela possa utilizar os seus talentos. Com isso, ela será feliz e competente. Segundo este pensamento, devíamos gastar menos tempo avaliando as crianças e mais tempo auxiliando-as a identificar suas aptidões e dons naturais, e a cultivá-los.  

Há tempos pesquisadores afirmam que existe uma verdadeira gama de talentos e aptidões que são importantes para a vida, acima e além do QI. Neste ponto, alguns destacam as inteligências interpessoais, ou seja, a capacidade de compreender outras pessoas, e a inteligência intrapessoal, que é o talento de formar um modelo preciso de si mesmo e poder usá-lo para agir de forma eficaz na vida. Essa visão multifacetada da inteligência oferece um quadro mais rico da capacidade e do potencial de uma criança para o sucesso do que o QI padrão.  

Uma das definições de inteligência emocional resume as aptidões em cinco principais domínios. O primeiro deles é conhecer as próprias emoções. Trata-se da autoconsciência, o dom de reconhecer um sentimento quando ele ocorre. A capacidade de controlar sentimentos a cada momento é fundamental para o discernimento emocional e para a autocompreensão. Já a incapacidade de observarmos nossos verdadeiros sentimentos nos deixa à mercê deles.  

O segundo domínio é lidar com as emoções. O talento de confortar-se, de se livrar da ansiedade, tristeza ou irritabilidade que incapacitam é algo que se desenvolve na autoconsciência. Pessoas que são fracas nessa aptidão vivem constantemente lutando contra sentimentos de desespero, enquanto outras se recuperam mais rapidamente dos reveses e perturbações da vida.  

Um terceiro domínio é motivar-se. A capacidade de colocar as emoções a serviço de uma meta é essencial para centralizar a atenção, para a automotivação, o controle e a criatividade. O autocontrole emocional, que consiste em saber adiar a satisfação e conter a impulsividade, está por trás de qualquer tipo de realização. Pessoas que têm esse talento tendem a ser mais produtivas e eficazes em qualquer atividade que exerçam.  

Reconhecer as emoções nos outros é o quarto domínio. Outra capacidade que se desenvolve na autoconsciência emocional, a empatia é a aptidão que faz as pessoas estarem mais sintonizadas com os sinais do mundo externo que indicam o que os outros precisam ou o que querem. Não saber "escutar" as emoções dos outros pode ter um alto custo nas relações pessoais.  

Por fim, lidar com relacionamentos é o quinto domínio. A arte de se relacionar é em grande parte o talento de lidar com as emoções dos outros. Pessoas excelentes nas aptidões que determinam popularidade, liderança e eficiência interpessoal se dão bem em qualquer coisa que dependa de interagir tranquilamente com os outros.  

As pessoas diferem em suas aptidões em cada um desses campos, podendo ser excelentes em um e deficitários em outros. Mas, as nossas falhas em aptidões emocionais podem ser remediadas. Em grande parte, cada uma dessas áreas representa um conjunto de hábitos e respostas que, com o devido esforço, pode ser aprimorado.  

Faça um teste: analise como você se identifica em cada um desses cinco campos da inteligência emocional. Quais deles você é forte e em quais precisa se aprimorar? 


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