Os níveis de consciência podem ser considerados “estruturas” relativamente estáveis, que tendem a permanecer e, se tudo correr bem, evoluir para níveis ou estruturas superiores. Em cada um desses níveis, existe uma série de meios de adaptação à vida. Essas adaptações são maneiras que o indivíduo encontra para administrar-se, quando tem uma certa estrutura de consciência. Ainda não foram considerados, porém, os estados, emoções e sentimentos que podem estar presentes e, a partir daí, o que a pessoa sente. Tais estados são diferentes das emoções, mas é deles que vem o estado emocional.

Podemos descrever os estados como o pano de fundo, e tanto podem ser positivos como negativos – uma dor nas costas ou uma sensação geral de bem-estar. Se entrarmos em estado depressivo por um período relativamente longo, haverá uma queda em nosso desempenho, cujos sinais podem ser: deixar de responder a um telefonema importante, abandonar as metas estabelecidas ou perder o entusiasmo. Por outro lado, é quando estão em estado positivo que as pessoas se mostram mais motivadas e focadas – há um nível mais elevado de empenho e entusiasmo para avançar na direção escolhida. Como o self é complexo, o estado pode mudar conforme as circunstâncias.

Em geral, a personalidade tem em si muitos estados que estão em diferentes níveis de consciência, incluídos em “como se”, “e se?” e “e, e se?”. Assim como as adaptações se relacionam a níveis de consciência, os estados também apresentam uma relação próxima com o desenvolvimento. Isso é importante para o Coach Integral, já que o apoio oferecido ao coachee é mais apropriadamente direcionado quando há compreensão de seu estado – é preciso saber de onde eles vêm.

Ainda que se trate apenas de um estado temporário, e não de um nível de consciência ou estágio de desenvolvimento, o coach pode ajudar o indivíduo a alcançar um estado melhor. Assim, a curto prazo, o coach pode apoiar o coachee, ajudando-o a avançar dentro de determinado nível. A longo prazo, o coach ajuda o coachee a passar de um nível a outro.

Martin Shervington, em Coaching Integral: além do desenvolvimento pessoal, editora Qualitymark, 2006.