Escrito por Sulivan França - 19 de Junho de 2019

Você já entrou em alguma rede social hoje? Neste exato momento, as notificações do seu WhatsApp estão no modo silencioso ou seu smartphone não para de apitar e vibrar a cada mensagem que chega? 

Se estas questões fizeram você parar um pouco para refletir, ótimo. Significa que apesar da correria em que vivemos, você tem consciência de que existe muita coisa querendo sequestrar sua atenção no mundo atual. E que isso pode ter bastante impacto na sua rotina.

Esse é o tema central do livro "Foco - A Atenção e seu Papel Fundamental para o Sucesso", escrito pelo psicólogo norte-americano Daniel Goleman, também autor de "Inteligência Emocional", de 1995. A obra investiga porque a concentração praticamente se tornou um ser em extinção em nossa época e quais são as diversas consequências disso.

A tarefa é avaliar como e porque o simples ato de prestar atenção perdeu espaço ao ser soterrado por uma hiper-oferta de distrações e pelo fluxo frenético de informações, em um volume colossal e crescente.


Embora até certo ponto essas mudanças possam ser encaradas com naturalidade, fica claro que nossa produtividade, a melhora nos relacionamentos pessoais e profissionais e, consequentemente, nosso sucesso estão diretamente ligados à capacidade de ter foco.

É bem fácil verificar que nossa concentração ou o ato de prestarmos atenção em algo possa estar ameaçado pela realidade atual, onde estamos cada vez mais submersos numa quantidade absurda de dados. Muitos deles absolutamente irrelevantes.

Estamos falando de quantidade, mas vale refletir sobre qualidade. Você já parou para pensar no volume de informações sem nenhuma importância ou utilidade com o qual uma pessoa entra em contato em um único dia?

Faça um teste: entre em um grande portal da internet e observe quantas notícias você considera realmente importantes e quantas não fazem diferença alguma para a sua rotina...

Também está comprovado que quanto maior for a escala de informações a qual uma pessoa esteja submetida obviamente menor será a capacidade dela conseguir prestar atenção. Menos é mais no que se refere à capacidade de concentração.

Mas é preciso ir além desses conceitos, até porque a velocidade e a abundância no fluxo de dados tendem a aumentar ainda mais daqui para frente. Portanto, caberia a cada um de nós a tarefa de nos adaptar a essa realidade.

Mas como isso seria possível? Se é que seria possível...

A atenção funciona de forma bastante parecida com um músculo: quando é pouco utilizada, ela vai enfraquecendo continuamente; por outro lado, quando a exercitamos adequadamente, ela se desenvolve e fortalece, se aperfeiçoa e amplia.

Porém, antes de passarmos a falar de musculação cerebral vamos entender um pouco melhor o papel e a importância da atenção em nossas vidas e na construção de uma carreira de sucesso.

O palavra atenção tem origem no latim attendere , ou "entrar em contato". Assim, é por meio da atenção que nos conectamos com o mundo, ao moldarmos e definirmos nossas experiências. De acordo com a neurociência, a atenção fornece os mecanismos que sustentam nossa consciência do mundo e também a regulação voluntária dos nossos pensamentos e sentimentos. Ou, em outras palavras, o modo como aplicamos nossa atenção determina o que vemos.

Para resumir tais afirmações, em seu livro, Goleman menciona uma fala do mestre Yoda, personagem de "Star Wars": "O seu foco é a sua realidade".

Ou seja, nossa compreensão das coisas está diretamente ligada àquilo em que prestamos atenção. Assim, quando você decidir o que terá a sua atenção, fique alerta, pois isso irá definir o que você irá ver e, consequentemente, também quem você irá ser.

Faça um teste: pegue uma folha de papel e anote quais são as dez coisas que você considera que têm prendido sua atenção recentemente. Veja suas escolhas e reflita.

Saiba que por meio de uma atenção seletiva é possível focar em meio a um ruído constante. Trata-se da capacidade de mirarmos em apenas um alvo ao mesmo tempo que ignoramos um oceano atordoante de estímulos que chegam até nós, cada um deles sendo um foco em potencial.

À medida que a humanidade foi evoluindo nossos cérebros desenvolveram a habilidade de isolar as distrações sensoriais. Quem realiza uma tarefa, trabalha ou estuda enquanto ouve música, por exemplo, sabe bem do que estou falando.

Está prestando atenção até aqui?

Bom. Então agora podemos falar um pouco sobre o que te distrai.

Quando pensamos em distrações podemos separá-las em duas categorias, as sensoriais e as emocionais.

Uma distração sensorial é algo que seu cérebro destaca em meio a uma interminável onda de estímulos, como, por exemplo, o contínuo fluxo de sons, de formas, cores, sabores, cheiros, sensações, etc. Um exemplo: se você parar nesse instante e perceber a sensação da sua língua encostando no céu da boca estará diante de uma distração sensorial.

Faça um teste: exercite os cinco sentidos. Toque em diferentes texturas, tente identificar aromas, olhe por ângulos novos, busque por sons distantes, experimente um novo sabor.

Já as chamadas distrações emocionais, como o nome diz, envolvem sinais carregados emocionalmente. E são bem mais desafiadoras. Imagine que você está respondendo uma mensagem de WhatsApp em um lugar barulhento, como uma lanchonete. Você se concentra e consegue focar no que está fazendo apesar das conversas ao redor.

Mas, de repente, você escuta alguém dizendo seu nome, o que é um bom exemplo de distração emocional. Será quase impossível ignorar a voz que pronunciou e sua atenção fica alerta para ouvir o que dirão sobre você. Escrever a mensagem fica em segundo plano.

Problemas pessoais, adversidades ou o fim de um relacionamento são outros exemplos de distrações emocionais. Quem tem melhor foco é relativamente imune a turbulências emocionais. Essa pessoa também possui mais capacidade de se manter calma durante crises e de permanecer no prumo apesar das agitações emocionais da vida.

E tudo isso tem muito a ver com nossa capacidade de aprendizado.

Já está claro que aprendemos muito melhor quando estamos com a mente focada. Isso porque quando focamos no que estamos aprendendo, o cérebro situa aquela informação em meio ao que já sabemos, fazendo novas conexões neurais.

Por outro lado, quando nossa mente se perde em divagações, nosso cérebro ativa uma porção de circuitos neurais que murmuram sobre coisas que não têm nada a ver com o que estamos tentando aprender.

Sem foco, nenhuma lembrança clara do que estamos aprendendo fica armazenada. Para se ter ideia, a mente de um leitor divaga tipicamente entre 20% e 40% do tempo em que lê o texto.

No momento em que lemos, nossa mente constrói um modelo mental que nos permite compreender o que estamos lendo e faz uma ligação com o universo de modelos que já temos sobre o mesmo assunto. Tal rede de compreensão em expansão pode ser considerada a verdadeira alma da aprendizagem.

Por essa lógica, quanto mais nos distraímos enquanto construímos essa rede, mais buracos teremos. Na leitura de um livro, nosso cérebro forma uma trajetória de caminhos e incorpora aquele conjunto de ideias e experiências. A capacidade de realizar uma leitura profunda requer concentração constante e mergulho em um assunto, em vez de ficar pulando de um tema para outro.

Diante disso, um alerta: o bombardeio de textos, vídeos, imagens e mensagens, cenário típico da internet, é inimigo mortal de uma compreensão profunda. Nosso cérebro não foi projetado para absorver informação de forma competente enquanto nos perdemos em um verdadeiro labirinto de distrações infinitas.

Faça um teste: escolha uma notícia mais longa na internet e tente ler observando que tipos de distrações concorrem com a sua leitura: (vídeos, imagens, publicidade, links).

Mas este nosso passeio pelo universo do foco está apenas no início. Há muito ainda para falarmos quando o assunto é concentração e faremos isso em nossos próximos encontros.

Mas, atenção! Essa é apenas uma pausa do 80 Minutos. Aproveite para checar suas mensagens no celular ou dar uma olhada rápida na rede social. Mas com moderação.


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