Como coach, você deve ter observado que nossa cultura dá cada vez menos atenção ao Quociente Intelectual (QI), como medida de capacidade, do que ao Quociente Emocional (QE). Na melhor das hipóteses, isso restabelece o equilíbrio, pois o QI foi, por muito tempo, um forte indicador de capacidade. Do mesmo modo, porém, o foco em um único aspecto pode excluir outras áreas.

A inteligência emocional consiste de linhas de desenvolvimento – duas, principalmente: interpessoal e intrapessoal. Em outras palavras, a inteligência emocional está ligada ao modo como o indivíduo se administra e se relaciona com os que o cercam. Mas é perigoso tomar a abordagem do QE fora de contexto – esse é um aspecto do desenvolvimento individual, e não o foco total do desenvolvimento. Se o indivíduo se concentrar no desenvolvimento emocional, por exemplo, pode alcançar um alto nível intuitivo da compreensão, mas deixar de atingir o alto nível de capacidade cognitiva necessário a uma cultura em evolução – o que talvez leve a uma excelente habilidade técnica que, no entanto, o impeça de conseguir os melhores resultados no trabalho. Do mesmo modo, pode tornar-se focado espiritualmente, sem uma base forte em habilidades interpessoais – o que acontece freqüentemente com o médico que não consegue integrar-se à sociedade.

Outra condição comum em nossa cultura são pessoas com baixo nível afetivo ou emocional. Quando voltamos a atenção para a inteligência emocional, é vital observar o que a baixa afetividade significa em relação às emoções. A “afetividade” está ligada aos sentimentos e ao modo como o indivíduo se sente em relação ao que os outros pensam dele (portanto, está incluída aí a estabilidade emocional). Esta é uma linha de desenvolvimento fenomenalmente importante que influencia as outras. Uma pessoa que seja constantemente desafiada durante uma conversa pode ter a auto-estima diminuída, o que talvez cause dificuldade em manter o pensamento racional – como se o senso de self dependesse de validação externa.

Quando essa validação não acontece, a pessoa sente dificuldade em pensar claramente. Exemplo A inteligência emocional e seu desenvolvimento acontecem quando a pessoa alcança um alto nível de relacionamento interpessoal, como nestas situações: . Não somente concorda com o interlocutor, mas também desenvolve um relacionamento com ele. . Não somente passa uma tarefa para um empregado mas também desenvolve e muda sua estrutura interna em relação às emoções, ou seja, leva-o a “ver através” das emoções, em vez de simplesmente “viver” o estado emocional.

O mesmo acontece no relacionamento com outras pessoas: se o indivíduo está em um relacionamento com outras pessoas: se o indivíduo está em um relacionamento e sente-se mal pela dificuldade de comunicação, precisa trabalhar as linhas de afetividade (emoções) e de habilidades interpessoais. Qualquer um que apresente dificuldade em determinada área vai obter benefícios com o trabalho em linhas de desenvolvimento.

Martin Shervington, em Coaching Integral: além do desenvolvimento pessoal, editora Qualitymark, 2006.