As adaptações do segundo estágio são frequentemente consideradas as menos agradáveis, por seu forte impacto sobre os relacionamentos.

Enquanto as adaptações do primeiro estágio são vistas como desequilibradas, costuma-se dizer que as do segundo estágio são absolutamente rudes e ofensivas.

Quando se trata de um adolescente, pode-se ver tais manifestações com um certo grau de tolerância (e certamente essas adaptações serão encontradas em um grupo jovem), mas é muito difícil aceitá-las por parte de um adulto.

No processo de coaching, a melhor maneira de apoiar o crescimento e o desenvolvimento do coachee, com a evolução das adaptações do segundo estágio para outras mais saudáveis, é bastante simples.

No caso da agressividade passiva, por exemplo, como o principal problema está na pouca valorização do relacionamento e da influência das atitudes de um sobre o outro, é aí que se situa a solução: abandonar esse nível de consciência, deixando que o estágio seguinte venha à tona. A mudança do pensamento do tipo “como se” para o “e se? ” (operacional concreto para operacional formal) acontece assim que o indivíduo começa a, cada vez mais, levar em consideração pontos de vista alternativos.

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A importância da empatia

A capacidade de colocar-se no lugar do outro ajuda o indivíduo a perceber o impacto de seus atos. Assim, quando estiver a ponto de tomar uma decisão que possa ter consequências negativas, ele vai pensar: “e se.…? ”. As adaptações do segundo estágio não podem ser consideradas saudáveis em condições adultas normais; ainda assim, são preferíveis às do primeiro estágio.

É importante que o coach lembre-se de que as pessoas evoluem e se desenvolvem no decorrer da vida, sempre fazendo adaptações.

Não é uma questão de bom ou mau, mas de adequação. Se o indivíduo deseja melhorar seus relacionamentos, mas não assume os próprios sentimentos e pensamentos, vendo-os fora de si (projeção), é sinal de que essa área precisa de coaching – não somente para alterar o tom de voz ou a abordagem física, mas algo mais profundo. Ele precisa dar um salto de consciência, abandonando as adaptações do nível anterior. Para isso, o apoio do coach é necessário, levando-o a refletir sobre o próprio comportamento – uso de drogas, omissões, atrasos, etc. – e sobre como é parcialmente responsável pelas reações de outra pessoa.

Se colocando no lugar do outro

Assim, estará aumentando o nível de consciência em relação ao que faz e às consequências de seus atos, e aprendendo a colocar-se no lugar do outro. Sob outro aspecto, este é um estágio de adaptação interessante para o coach.

Essas adaptações são comuns em adultos, e vale a pena procurar alguns traços delas em nós mesmos, já que, embora não estejamos no segundo estágio, tais manifestações podem surgir de vez em quando.

Para resumir, ainda que o indivíduo esteja operando as adaptações do terceiro estágio, o self às vezes regride para o segundo, pois ainda tem acesso aos estágios que deram algum resultado nos anos anteriores. Isto pode acontecer sob circunstâncias estressantes, por exemplo, ou em situações de cansaço, fome, etc.

Quando o coach encontra um coachee que emprega predominantemente essas adaptações, pode-se dizer que está diante de um desafio, pois elas não são compatíveis com as atitudes de um adulto.

O coaching integral

Esta é a parte mais difícil, em especial quando se considera o fato de que um pré-requisito para o coaching integral é que o coach goste do coachee.

Com uma das mãos, tiro o chapéu para aqueles coaches com alto nível de bondade, tolerância e benevolência, e com a outra, aponto para o material de leitura. Acredito que, depois de compreender os trabalhos de Vaillant e Carl Rogers, o coach fica capacitado a apreciar as melhores maneiras de levar o coachee a avançar, deixando para trás esse estado desagradável.


Esse texto possui informações extraídas do livro "Coaching Integral: além do desenvolvimento pessoal" de Martin Shervington, editora Qualitymark, 2006