A teoria das adaptações sugere que, no decorrer de uma vida saudável, ocorre uma série de adaptações, e o self segue um fluxo que atravessa os estágios, enquanto o indivíduo cresce e se desenvolve.

Quando o indivíduo fica preso a um dos primeiros estágios, carregando com ele as adaptações associadas, podemos dizer que, como coachees, estamos diante de um “self adulto emergente”. O adulto pode superar essas adaptações imaturas, tornando-se mais realizado, afável e generoso, com menos conflitos internos. Ele deixa de ser criança, desenvolvendo uma visão mais saudável a respeito da vida e dando uma atenção maior às necessidades alheias.

A cada estágio do desenvolvimento, com as adaptações correspondentes, o mundo parece mudar de aspecto. Essa experiência subjetiva dá sentido à vida. Um adulto que não esteja bem, regredindo a defesas do primeiro estágio, como pensamentos irracionais, pode ver o mundo de maneira paranóica – sua visão de mundo é determinada por seu nível de consciência e pelas defesas correspondentes.

Ao abandonar uma adaptação, o indivíduo adota outra, de acordo com sua nova visão de mundo, enquanto o self cria uma nova maneira de ser. É provável que as adaptações adultas que vemos no segundo estágio – defesas “imaturas” – sejam mais saudáveis do que aquelas do primeiro estágio. Essas defesas “imaturas”, apesar da denominação, são um passo à frente em relação àquelas mais primitivas que vieram antes delas e consideradas uma adaptação saudável para alguém que tenha até quinze anos de idade.

Pela perspectiva do coaching, as adaptações imaturas tendem a estender-se até a idade adulta. A apreciação deste estágio de desenvolvimento – no nível de consciência “como se” ou operacional concreto – fornece ao coach uma base adequada para uma abordagem apropriada ao coachee. Talvez a situação não seja das mais fáceis de administrar, pois o coachee vê o mundo através de sua forma de adaptação, que não pode ser simplesmente “jogada fora”, sob pena de deixar seu mundo completamente sem sentido.

Como Coach Integral, é seu papel facilitar a apoiar o surgimento dos estágios seguintes do desenvolvimento da adaptação. Assim como surgiram os vários níveis de consciência – de “como se” para “e se?”, daí para “e se? completo” e “e, e se?” -, adaptações surgem ao mesmo tempo, pois acompanham aqueles níveis.

Se o indivíduo for predominantemente “como se” (operacional concreto) em sua atual maneira de ser, estarão disponíveis para ele apenas os mecanismos de adaptação do primeiro e segundo estágios. Embora exista potencial para o surgimento de estágios posteriores, falta capacidade cognitiva. O coachee utiliza essas adaptações ou defesas como meio de dar sentido ao mundo que o cerca.

Para evoluir, ele deve percorrer cada estágio, sempre deixando para trás a antiga maneira de ser. O coach vai perceber que os mecanismos de adaptação adotados pelo coachee são uma indicação clara de seu tipo de vida. Quanto mais saudáveis e desenvolvidas as adaptações, maiores as oportunidades de uma vida “boa”. Como Coach Integral, o seu objetivo pode ser contribuir para o desenvolvimento do coachee, de modo que tenha uma vida “boa”. E ele, por sua vez, vai perceber que essa qualidade de vida se estende a todos que o cercam. Martin Shervington, em Coaching Integral: além do desenvolvimento pessoal, editora Qualitymark, 2006.