Neste contexto, a partir do que tenho lido, conversado e experimentado me ocorrem 5 competências que não poderão faltar aos líderes de negócios ou áreas afins ao longo de 2016 e seu cenário de crise:

1) Competência para focar no curto prazo sem perder de vista a visão de longo prazo

Esta sempre é, mesmo em tempos estáveis ou de crescimento, uma competência importante. Mas, com a dificuldade maior de se vislumbrar cenários futuros, é forte a propensão a aumentar o foco nas ações dentro de um horizonte mais curto, por ser mais previsível, e a tendência é a preocupação acentuada com os resultados do mês, do trimestre e do ano . Importante é manter a serenidade para que medidas visando o resultado mais imediato não comprometam o que se deseja para o longo prazo. Estratégias podem ser alteradas, sim, mas a visão e o posicionamento de mercado não convém serem alterados radicalmente, pois são direcionadores de um negócio e como tal não podem ser fragilizados por medidas que terão impacto negativo quando o crescimento do mercado for retomado.

2) Competência para priorizar e simplificar

Como forma de se minimizar os riscos associados ao tópico anterior, classificar as necessidades e oportunidades de maneira a se trabalhar com o conceito de Pareto (foco nos 20% de ações que impactem em 80% do resultado) torna-se crucial. Significa compreender bem o provável impacto das decisões e selecionar aquelas que podem ser mantidas apesar das restrições (de recursos, de investimentos etc) ou, sob outro ponto de vista, aquelas que não podem ser postergadas sob risco de se comprometer os resultados. Cabe fazer aqui a reflexão (utilizando o significado de duas palavras em Inglês) sobre o que é “must” (necessário ser feito) e o que é “nice” (interessante de ser feito, porém não primordial).

3) Competência para manter o time energizado

Incertezas, perigos, restrições: fatores que geram insegurança e ansiedade podendo levar à desmotivação. À liderança cabe diagnosticar o que pode estar ameaçando o engajamento do time e atuar no sentido de neutralizar os efeitos da preocupação (assumindo ser remota a possibilidade de extingui-la em um período de tanta adversidade. Mais do que isso, ao líder cabe evidenciar o que se tem de positivo sendo obscurecido pelas mensagens que desanimam. Por exemplo: na falta de recursos para se investir em todos os projetos que se planejava (muitos deles “nice”, porém não “must”), pode-se aumentar o entusiasmo em se trabalhar em menos projetos a partir da possibilidade de se dedicar mais e alcançar melhores resultados, mais inovação, mais exposição e mais reconhecimento.

4) Capacidade para fazer mais com menos

Na verdade, esta é uma competência que deriva das anteriores, pois a cautela exigida a partir do risco que é maior em meio à crise e a manutenção das exigências em termos de resultados pode trazer uma sensação de estamos trabalhando com meios que são contrários aos fins. Ao se equilibrar a visão de curto e longo prazo, priorizarmos adequadamente, simplificarmos e mantermos o engajamento do time, boa parte do caminho para se entregar mais dispondo de menos estará trilhado. O trajeto restante dependerá deste engajamento do time existir inclusive na busca de soluções não apenas criativas mas efetivamente inovadoras.

5) Competência para continuar reconhecendo

Quando o cenário gera a instabilidade que a qualquer momento pode culminar até mesmo com a perda do emprego, muitas vezes o desconforto é amenizado ao se pensar: “pelo menos estou aqui; tenho meu salário garantido até agora”. Como é bem possível que as responsabilidades individuais aumentem em razão das demandas do ambiente corporativo descritas nos 4 tópicos anteriores, é justo e providencial que se continue atuando no sentido de reconhecer os bons desempenhos. Lembrando que reconhecimento não necessariamente tem a ver com “recompensa” no sentido de aumento de salário, promoção etc. Existem maneiras de se manter a sensação de reconhecimento por parte do funcionário para que este não apenas continue correspondendo às expectativas agora maiores como permaneça satisfeito em continuar fazendo parte da organização.

Não tenho dúvidas de que estas competências, além de promover resultados superiores, fazem do período de crise uma boa oportunidade para quem quiser melhorar a forma como é percebido e ser reconhecido como um líder de fato.



Informamos que esse texto é de inteira responsabilidade do autor identificado abaixo.

  0   0

João Torres de Rezende

Life Coach

Executivo com 25 anos de experiência em gestão de negócios e liderança de equipes. Economista (Unicamp), pós-graduado em Marketing (FGV) e com MBA em Marketing (ESPM). Palestrante, consultor e autor de artigos sobre liderança e planejamento estratégico. Criador da fanpage "Liderança de Fato". Membro da instituição latinoamericana "Competência Gerencial". Ganhador do troféu E-Leader em 2013.