PROGRAMA ACERTAR É HUMANO

#026

No Programa Acertar é Humano do dia 04/09 os apresentadores Sulivan França e Nélson Sartori falaram sobre “Modelo Mental”. O que motiva as pessoas a saírem do estado de estagnação e mudar o rumo de suas vidas? O Programa também contou com a participação especial de Carla Binsfeld. Na parte final Sulivan França lançou a pergunta do “Minuto do Coaching” e na “Dica do Professor”, Nélson Sartori explicou o significado da expressão “preto no branco”.

026 - Programa Acertar é Humano: de 04/09/2014

Sulivan França é comentarista no programa Feiras & Negócios

Programa Acertar é Humano (04/09/2014)

Nélson Sartori e Sulivan França

Tempo de áudio
25 minutos e 50 segundos
Legenda
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♪ [tema acertar é humano] ♪

Começa agora na Mundial Acertar é Humano, um programa que apresenta crônicas com humor e foco na solução, sempre falando de temas diversos como empreendedorismo, liderança, esporte, atualidades, comunicação entre outros. Tudo isso seguindo a filosofia do coaching.

Programa Acertar é Humano, uma produção da Sociedade Latino-Americana de Coaching, a elite do coaching no Brasil. Apresentação Sulivan França e Nélson Sartori.

[SULIVAN] Bom dia, ouvinte Mundial. Aqui é Sulivan França, mais uma vez para apresentar o programa ao lado do meu amigo, Nélson.

[NÉLSON] Aqui estamos.

[SULIVAN] Programa Acertar é Humano. Eu não dei a deixa para você falar ainda.

[NÉLSON] É verdade. Hoje eu me adiantei. Bom dia, minha gente. (Hoje ele está terrível aqui). Bom dia a todos. Vamos começar o nosso programa. Hoje temos convidado. Não é, Sulivan?

[SULIVAN] É isso aí.

[NÉLSON] Uma convidada.

[SULIVAN] Convidada. Vamos guardar esse segredo, por enquanto, e daqui a pouco estará aqui.

[NÉLSON] Vamos trazer a convidada e não vamos falar nada.

[SULIVAN] Nada.

[NÉLSON] Ela só assiste.

[SULIVAN] Vamos fazer suspense com a convidada. Daqui a pouco nós a apresentamos. Vamos falar um pouquinho o que nós vamos fazer aqui ao longo desses 25 minutos.

[NÉLSON] Está certo.

[SULIVAN] E aí, Nélson. Hoje nós vamos falar sobre modelo mental, não é isso?

MODELO MENTAL

[NÉLSON] Vamos. Vamos falar um pouquinho sobre isso.

O que motiva as pessoas a mudarem a sua vida, a darem o próximo passo? Muito difícil às vezes você sair de um estado de estagnação, a mudança da vida, o que faz você botar o pé no chão de manhã quando acorda. Isso daí pode mudar todo o seu dia, toda a sua vida, todo o seu destino.

[SULIVAN] Eu costumo dizer o seguinte: você perceber porque você está aqui, qual a diferença que você quer fazer, o que você quer deixar e principalmente, não é passar por aqui (nós vamos passar de passagem) simplesmente respirando e ocupando espaço e sim fazendo alguma coisa que faça diferença para nós ou na vida de alguém.

É essa a ideia, não é isso?

[NÉLSON] E é importante isso.

Muita gente tem vindo para cá para deixar porcaria para os descentes. Há muita coisa ruim nos sendo deixada para o futuro. É importante valorizar aquele que veio para fazer diferença, mas uma diferença positiva, para deixar aquilo que deve motivar realmente todo mundo.

O que eu vou oferecer de bom para o meu mundo? O que eu tenho de bom para oferecer?

[SULIVAN] E é isso aí, ouvinte.

Você que de alguma maneira está passando por alguma dificuldade de ordem pessoal, profissional, fique ligado nesse programa que você vai no mínimo se divertir bastante aqui entendendo um pouquinho de modelo mental.

E agora, depois de tanto suspense, vamos apresentar a nossa convidada de hoje, essa criatura maravilhosa que eu tive o privilégio de conhecer, não faz muito tempo, mais ou menos um ano?

[CONVIDADA] Um ano.

[SULIVAN] Ela não é de São Paulo, ela é de Santa Maria, no Rio Grande do Sul.

Está aqui essa semana fazendo um curso em São Paulo e eu falei: “Não posso perder a oportunidade. Vou convidá-la para dar um pulinho aqui na rádio e falar conosco”. Ela gentilmente aceitou o convite e vai contar um pouquinho a história de vida dela.

O nosso objetivo aqui é entender o modelo mental de uma criatura que faz o que ela fez ao longo da vida dela. É uma história, no mínimo, emocionante – no mínimo.

Nós vamos entender um pouquinho Carla Binsfeld.

[NÉLSON] Bem-vinda, Carla!

[SULIVAN] Bom dia, Carla!

[CARLA] Bom dia a todos radiouvintes! Bom dia, Sulivan! Bom dia, Nélson! Obrigada por esse espaço. Agradeço essa oportunidade.

Eu sou gaúcha, natural de Santa Maria, hoje eu sou psicóloga, psicanalista, neuropsicóloga, coach com formação na SLAC e fazendo PNL nesse momento.

[NÉLSON] Só isso?

[SULIVAN] Só isso.

[CARLA] Mais umas 16 especialidades e um mestrado em ciência da educação, trabalhando com Justiça Restaurativa.

[SULIVAN] Legal a forma como a Carla começou se apresentando porque ela contou um pouco da trajetória profissional, mas dos títulos da Carla de maneira profissional.

[NÉLSON] É a sua história.

[SULIVAN] Exatamente. Não deixa de ser a história e ao mesmo tempo o que ela gosta de fazer.

Mas o mais curioso de tudo isso é como tudo começou. É o que chama a atenção e o que queremos entender aqui.

A Carla tem uma história muito interessante em sua vida, que foi o que me despertou e me chamou muito a atenção.

Carla, diz para nós como foi que tudo isso começou?

[CARLA] Bom, eu nasci em Santa Maria. Aos quatro anos de idade meus pais, o meu pai principalmente, perderam tudo e eu fui ser catadora de papel. Mas não é essa catadora de papel de hoje, que tem reciclagem e tudo...

[SULIVAN] ...Catador de papel hoje é moderno.

[CARLA] Hoje é chique ser catador de papel. Catador de papel nos anos 80 era considerado marginal, mendigo, sujo, fora da sociedade.

Infelizmente eu vou ter de falar disso. A boate Kiss, que pegou fogo, aquele lugar é o Farrezão. Quando foi construído, acho que todos os papelões que havia lá, os sacos de cimento eu catei para levar comida para a minha família.

O meu pai não tinha uma perna e a outra não flexionava. Minha mãe hoje está com Alzheimer; ela sempre teve surtos a vida toda. Havia momentos em que ela era muito querida, dali a um pouco ela batia, dali a um pouco ela nos expulsava de casa.

A única coisa que eu me apegava era naquele pai. Eu nasci olhando para esse pai, vendo que, apesar da sua deficiência, ele sempre quis construir uma família. A minha sensação quando eu desperto e acordo é de olhar para ele e dizer: “Eu vou cuidar dele” [risos] Era o contrário à relação pai-filha. Então eu saía muito feliz com ele, trabalhando muito e depois ele me levava para a aula.

Lá no Rio Grande do Sul é muito frio e geadas. Eu lembro às vezes da mãe. Quando ela estava mais ou menos, ela saía para trabalhar e nós ganhávamos Melissa. Eu me lembro de uma Melissa de plástico (que até hoje eu não posso mais olhar), que eu saía com aquela Melissa (a única que eu tinha) numa geada. Era um frio... Imagina, colocava aquilo ali e um abrigo da malha Sulfabril (a única que eu tinha) e ia para a escola. Eu tinha de ir para a escola e depois tinha de trabalhar com o meu pai.

Mas eu queria ser alguém.

Então eu olhava televisão nas vitrines, quando eu podia, e eu olhava meu pai.

Eu disse: “Bom, como posso chegar?”.

Ele gostava de ler: era uma característica dele. Então eu dava um jeito de ler também.

Quando eu saía na minha vila, quando eu fui ficando mais moça, com 14–15 anos, já começava a ser uma certa dificuldade porque tinha um grupo que queria me levar para a prostituição, outro grupo era para eu traficar, e eu tinha de negociar.

Acho que disso vem daí o meu papel de negociadora e de mediadora.

[SULIVAN] De negociadora e essa capacidade de persuasão que nós percebemos no teu dia a dia e na tua fala.

[CARLA] Era sobrevivência.

[SULIVAN] Sobrevivência. Era questão de sobrevivência.

Agora uma coisa importante, Carla. Em teus maiores momentos de dificuldade (acho que é esse o recado que nós queremos deixar para o ouvinte de uma certa maneira), nas horas mais difíceis, o que mais passava pela sua cabeça que você acredita que foi algo determinante para o seu sucesso hoje, para a tua carreira profissional?

[CARLA] "Vou vencer, quero sair disso, quero sair disso com honestidade". Eu não tinha o “não”, na verdade. Não existia “não” na minha vida e nem existe “não”. Eu tenho foco na frente, eu estou indo, não estou olhando para trás e eu estou sempre achando saídas.

[NÉLSON] Em que momento você fez isso, Carla? Em que momento você deu esse passo? Como você fez para sair disso?

[CARLA] Eu tenho uma frase, que eu digo assim: “Eu sou filha da solidariedade humana”.

Por exemplo, eu estava fazendo faxina, na casa de um gerente da CEEE, em Santa Maria. Eu me lembro que era época dos Caras Pintadas (eu fui cara pintada). Eu estava limpando o chão...

[NÉLSON] ...Meus alunos também.

[CARLA] Isso faz parte da minha vida.

[SULIVAN] Eu não lembro disso. Eu vi alguma coisa sobre isso no YouTube.

[NÉLSON] É verdade. Estava no berço, não é, Sulivan?

[CARLA] Eu estava limpando o chão. E aí ele pergunta algo sobre o momento (eu já lia Marx; eu sempre fui muito de ler por conta do pai) e eu pá-pá-pá, começo a falar para ele. Ele disse para o amigo dele: “Até a minha empregada doméstica sabe o que eu estou dizendo. Não é, Carla?”. Daí eu comecei a responder para ele de uma maneira concisa e o cara olhou assim: “Mas o que tu estás limpando meu chão?”. E aí ele começou a me dar oportunidade de trabalho.

Então por isso que eu digo que sou um tanto filha da solidariedade humana. Eu fui ganhando oportunidade, fui ganhando afeto. Mas eu era invisível quando eu catava papelão (acho que isso é importante dizer para quem está do outro lado).

Às vezes as pessoas passam na rua e não olham para aquelas meninas ou para aqueles meninos. Um olhar constitui muita coisa. Hoje, como psicanalista, eu sei muito mais.

Eu era invisível. Quando alguém começou a me olhar e investir naquilo que eu desejava, ficou muito mais fortalecido o meu propósito.

[SULIVAN] Teve a possibilidade de extrair potencial. Certamente ele enxergou potencial com base numa ação tua. A partir do momento em que você começou a demonstrar o teu potencial, de alguma maneira ele enxergou isso, fez esse investimento e deu no que deu.

[NÉLSON] O que você enxergava? Ele enxergou você, ele viu você.

[SULIVAN] Exatamente.

[NÉLSON] O que você via lá na frente?

[CARLA] Primeira coisa: eu sempre gosto de saber. Eu gosto de fuçar, eu quero saber as teorias, eu quero entender, eu quero sempre buscar. Eu sempre enxergo mais coisas lá na frente, por exemplo, a minha vitória. Eu sempre enxergava isso: eu quero ser uma profissional.

Eu me lembro que eu dizia: ”Eu vou fazer o ensino fundamental”. Todo mundo dava risada. Dali um pouco: “Eu vou terminar o ensino médio”. Bah! Daí as pessoas diziam: “Tu não vai conseguir”. Imagina as pessoas que estavam ali no círculo.

[NÉLSON] Seriam essas fases da sua vida? Você projetava?

[CARLA] Sim, projetava. Como projeto hoje. Eu não acredito somente de eu chegar nesse ponto aqui, ser uma profissional e não fazer nada pela humanidade.

Eu tenho pessoas como referências para mim na humanidade: o Betinho e a irmã Dulce. Não digo que vou ser igual a eles, mas alguma coisa que acompanhemos o bastidor do poder eu desejo fazer porque nós estamos tendo influência.

As pessoas que estão no poder estão muito desamparadas. Quando elas te escutam, tu te sentes mais responsável em estudar, mais responsável em levar o que é certo para elas.

Hoje o meu trabalho e a minha visão de futuro é justamente amparar quem está no poder para poder fazer algumas coisas para as “Carlas” que existem lá na vila.

[NÉLSON] Eu acho importante ter em mente justamente isso. As coisas têm o seu ritmo, tem o seu rumo natural, mas é importante termos em mente que as coisas não acontecem se você não tiver predisposto a isso.

[SULIVAN] Não é por acaso.

[NÉLSON] O acaso é muito subjetivo nesse contexto, porque ele está aí para todos. Agora, quem dá o próximo passo, quem vê o futuro e segue, esse é o que faz a diferença para si mesmo.

[SULIVAN] Tem um sujeito que vai falar tão-só do acaso, mas vai ter aquele que vai falar que foi sorte. E eu acredito que a sorte é levantar cedo, a sorte é você agir, a sorte é você se expor.

[NÉLSON] Levantar cedo, estar aqui, falando com a Carla.

[SULIVAN] Perfeitamente. Isso é "sorte".

[CARLA] É trabalho.

[SULIVAN] É você levantar cedo, é você trabalhar, é você se expor, é você se arriscar. Eu acho que tudo isso é um conjunto de sorte. Aí você pode dar o nome de sorte, mas isoladamente chamar de sorte, eu particularmente não acredito.

[NÉLSON] É porque na verdade isso acontece, isso não se torna um modelo.

[SULIVAN] Exatamente.

[NÉLSON] Se torna um modelo de iluminação, só que todos têm essa capacidade. A questão é na verdade o que você faz. O exemplo da Carla está ali.

Quais são os passos que se dá?

Você poderia pura e simplesmente se acomodar e aceitar aquilo que foi proposto a ela, que estava ao alcance da mão – a prostituição, o tráfico –, que é o fácil.

[SULIVAN] Esse é o mais fácil.

[NÉLSON] Você tem na sua mão seu sustento, você tem um modo de vida, você tem toda uma comunidade que acolhe você nesse contexto. O difícil é aquele que vai acolhê-la justamente para que você mude esse estado de pensamento, esse estado de vida e vá adiante.

Eu acho que está é a resposta.

[CARLA] Se tu me permites, eu tenho um padrinho...

O meu pai chegou num ponto depois que ele teve uma oportunidade (ele se aposentou por invalidez) de ser cobrador, e o dono da empresa ficou meu padrinho, o empresário lá de Santa Maria, que é o Gabardo.

Um dia ele diz assim para mim (Depois ele não conseguiu porque foi denunciado; meu pai não podia continuar, por isso que voltamos a catar papelão): “Olha guria, o teu pai podia estar na frente de uma igreja pedindo esmola e bebendo, no entanto, ele quer trabalhar”.

Depois disso, se o meu pai, faltando uma perna, passando o que passava com a minha mãe (imagina uma pessoa com quadro de psicose, que eu vivi; ninguém queira imaginar), eu perguntei para mim: “Mas o que eu vou fazer com isso? Se eu for para o tráfico ou para prostituição, vai ser a maior vergonha. Se o meu pai nesse estado todo, quis construir uma família...”.

Então hoje eu sou psicóloga e o meu irmão é médico.

O meu irmão passou sem vestibular, porque vem também com esse pensamento de que nós tínhamos de estudar para sermos alguma coisa. Isso era a luta. Não importava se tínhamos de acordar de manhã com fome, nós íamos para a escola. Ai, que bom! Havia a motivação de ter a sopinha lá na escola, (porque eu passava fome), mas também havia o afeto dos professores, havia o afeto das pessoas. Houve também um investimento afetivo para que essa força interna pudesse acontecer.

E uma coisa importante, eu não acredito que o impossível seja impossível. Eu não acredito, entende?

[SULIVAN] Você vê uma coisa interessante – eu não sei se vocês ouvintes estão percebendo. Nélson, eu vou destacar isso um pouco agora.

Observa a fala da Carla desde o início. Ela fala muito sobre uma coisa: relacionamento.

[NÉLSON] Sim.

[SULIVAN] Ela fala muito sobre amor, ela fala muito sobre afeto. Fica nítido isso na fala dela. Você vê que foram três fatores... Ou nós podemos resumir esses três fatores em um só – relacionamento com pessoas –, que praticamente foi determinante para ela conseguir fazer a virada que ela fez na sua vida e alcançar os resultados que conseguiu.

Então você vê que são valores que na fala dela de alguma maneira estão implícitos. Ela deixa isso muito claro na hora em que ela está falando e demonstrando que ela teve tanto apoio de pessoas, como ela se apoiou em pessoas, a motivação que havia, o carinho, o afeto e como ela percebia tudo isso a sua volta.

Eu vejo isso como fatores determinantes para que ela conseguisse dar a virada que ela deu na vida dela.

[NÉLSON] É o que eu ia comentar. Não adianta coisa alguma se você não tiver o olhar para aquilo que está à sua volta. Você tem de ser capaz de ver o que está sendo oferecido a você.

[SULIVAN] Questão de perspectiva, Nélson. Como você olha.

[NÉLSON] O mundo traz muitas oportunidades, mas não adianta nada se você não olhar para essas oportunidades e não se predispuser a caminhar ao lado. Tudo que foi oferecido ela poderia simplesmente ter...

[SULIVAN] ...Ter dito não.

[NÉLSON] Dito não.

[SULIVAN] Exato.

[CARLA] O que mais havia era frio, fome, olhar de nojo.

Você tem ideia?

Eu queria que alguém se vestisse de mendigo, fosse para rua e percebesse o que é o olhar de nojo.

Bullying na escola (Bullying agora é um nome bonito). Eu sofri muitas coisas na escola.

Por isso eu sempre digo que toda agressividade (Lacan escreve isso) é demanda de amor. Eu depois fui constituir uma ONG para trabalhar com os meninos de rua.

Hoje eu moro em Cruz Alta e trabalho em Porto Alegre. Nós percebemos que quando você vai atrás e investe, primeiro, eles não acreditam, como eu não acreditava, mas quando você insiste, a repetição daquele comportamento até para chamar a atenção, aquele adolescente ou aquela criança vão fazer.

Eu digo sempre: os meus anjos da guarda não desistiram de mim. Eu às vezes não fazia bem-feito, não era tudo lindo maravilhoso, mas eles não desistiam.

Eu me lembro que eu caminhava que nem homem. Detalhes de comportamento, o que é ser uma mulher (porque eu não tinha uma referência de mulher), etc., tudo isso eu tive de aprender sozinha.

Às vezes eu brinco lá na Slac, Sulivan, que eu vou comer e eu digo assim: “Eu tenho de me controlar, porque o pobre ele não sabe se amanhã tem”. Ele não tem aquela visão de que ele vai guardar para amanhã ter. Ele vai comer para ninguém pegar, porque ele tem de comer porque amanhã ele não vai ter. É uma outra lógica.

[SULIVAN] É uma outra linha de raciocínio.

[CARLA] É uma outra linha. Esse modelo está ali em mim.

[SULIVAN] Essa programação ainda existe.

[CARLA] Programação. Perfeito.

[SULIVAN] Ela ainda existe.

[CARLA] Então eu tenho de desprogramar e dizer: “Eu sou outra pessoa, agora a coisa é assim”.

Eu vou o tempo todo me remontando, me reescrevendo. Eu não estou satisfeita ainda comigo. Eu estou ainda me reconstruindo, construindo coisas, mas o importante é isso.

Quem investe, não brinque de investir. Não é ir lá e dar um casaco, é dizer porque está dando o casaco.

Mais tarde eu fui assessora de uma pessoa lá do Rio Grande do Sul de política dos direitos humanos. Essa pessoa também foi muito importante para mim.

Eu tinha uns 15 anos ali e ali eu fiz um diferencial também porque eu estava cansada. Era muito difícil porque a minha mãe não gostava de filha mulher. Estava muito difícil ali, tanto que meu pai falou: “Tu tens que sair de casa”. Ela estava muito agressiva comigo.

Naquele momento ali, eu estava cansada de tudo. Ele estava falando sobre toxicomania, dando palestra na escola (quem faz palestra aí é importante também dizer). Eu estava bem atrás, porque eu era super descriminada na escola.

Havia as gurias bonitas (para ter uma ideia era surgimento do Boticário), aí um colega meu passava cheirando todas as meninas. Ele chegou até mim e disse: “Tu eu não vou cheirar; nem cheiro tem”. Para eu entender o nível da descriminação.

E esse político chega para mim, no meio de uma palestra, e vai até onde eu estou e começa a conversar comigo e perguntar das minhas ideias. E aí ele me dá um livro na área dos direitos humanos e passa a me incentivar mais em relação a estudar, incentivar mais a ser humana e também faz o diferencial muito grande da vida minha vida.

E aí eu estou aí nessa continuidade.

[SULIVAN] Está vendo? As oportunidades, como você bem colocou, que também foram aproveitadas.

Mas uma coisa que também chamou a atenção nessa fala da Carla, que é a seguinte. Ela diz sobre hoje o remontar que ela faz constantemente, o reconstruir para que ela observe a programação que ela tem, que ela observa e que ela citou muito bem na hora do comer.

E aí eu vou deixar uma pergunta para Carla, antecipando uma parte do nosso programa – que ela não sabe que acontece, mas eu vou dizer para ela. Anuncia a ela qual a parte desse programa, Nélson.

[NÉLSON] Agora com vocês, Sulivan França e o Minuto do Coaching.

MINUTO DO COACHING

[SULIVAN] Então há uma parte do programa, que é o Minuto do Coaching, onde nós sempre deixamos uma provocação para o nosso ouvinte.

Eu vou deixar a provocação não só para o nosso ouvinte, mas para a Carla também pensar.

Quando ela fala nessa reprogramação que ela faz hoje, será que essa reprogramação ela já não faz há muito tempo? E foi isso, quem sabe, o determinante para esse sucesso dela? O se reinventar sempre, o tempo todo.

Essa programação, que muitas vezes hoje é vista como algo que eu preciso desconstruir, que eu preciso rever para adotar comportamento que condizem com a realidade hoje, será que não foi isso que foi determinante para o sucesso e para o resultado?

E a pergunta, a provocação que eu quero deixar ao nosso ouvinte é:

QUAL É A TUA PROGRAMAÇÃO HOJE (AQUELE PENSAMENTO AUTOMÁTICO QUE SEMPRE À TUA CABEÇA), QUE PODE OU SERÁ DETERMINANTE PARA O TEU SUCESSO?

Pensa sobre ele, reflita um pouquinho.

Esse foi o Minuto do Coaching dessa semana.

E agora com você, a dica do professor Nélson Sartori. Qual a dica do professor hoje, Nélson?

DICA DO PROFESSOR

[NÉLSON] Uma pergunta que me fizeram justamente sobre...

[SULIVAN] ...Quem fez essa pergunta?

[NÉLSON] Foi o Fernando lá de Mauá.

[SULIVAN] Fernando de Mauá, está aí, Fernando. O Nélson respondendo a sua pergunta.

[NÉLSON] Perguntou assim: “Por que o pessoal fala colocar preto no branco?”.

[SULIVAN] Ok. E não branco no preto.

[NÉLSON] É exatamente por isso.

Essa expressão na verdade é aquela que determina para você não deixar o dito pelo não dito. Ela tem uma estrutura realmente ligada ao registro das informações, que significa colocar lápis sobre o papel. O preto no branco na verdade é você registrar uma informação, registrar um pensamento, para que aquilo perdure.

Parecido com aquilo que a Carla fez durante toda a sua vida.

[SULIVAN] Perfeito.

[NÉLSON] Ela registrou a sua vida na história do mundo dela (na história do nosso programa com certeza).

[SULIVAN] E colocou tudo no preto no branco.

[NÉLSON] Preto no branco.

[SULIVAN] Perfeito. Acesse nosso site WWW.acertarehumano.com.br e esse foi mais um programa Acertar é Humano. Bom dia a todos.

[NÉLSON] Bom dia a todos! Obrigado, Carla.

[CARLA] Muito obrigada a vocês. Espero que eu tenha contribuído para a vida de todos.

[SULIVAN] Com certeza, Carla. Beijão. Obrigado.

♪ [tema acertar é humano] ♪

Você ouviu pela Mundial o Programa Acertar é Humano. Apresentação Sulivan França e Nélson Sartori. Uma produção da Sociedade Latino-Americana de Coaching, a elite do coaching no Brasil.

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