As emoções, em contraste, “se manifestam”, quer dizer, por determinados sinais, somos capazes de identificar o estado emocional do outro. Isso pode acontecer por meio de uma resposta voluntária ou involuntária, estando aí incluídos estados emocionais de felicidade, alegria, frustração, confusão, indiferença, entusiasmo, raiva, tédio, curiosidade, êxtase, etc.

No processo de coaching, costuma-se oferecer suporte por meio de um certo desafio, o que acaba sendo um apoio ao modo como o coachee se sente. Quando o relacionamento se baseia na confiança, as pessoas revelam “como se sentem”. Essa revelação é muito diferente da resposta emocional e da manifestação da emoção. O sentimento pode expor um estado físico, como “sinto um desconforto na perna”, ou “tenho dor de cabeça”, ou uma representação mental, como “sinto-me-leve”. Isso é muito mais uma indicação do que acontece internamente, ou seja, tem uma localização no corpo (peito, abdome, etc.) e varia em intensidade. Às vezes, quando os sentimentos estão reprimidos, é preciso reconectá-los e reunir outra vez mente e corpo – acabar com a separação mente-corpo, como foi mencionado.

Quando o coachee consegue descrever para o coach seus sentimentos de prazer e de dor, o relacionamento adquire um novo significado: passa a haver um partilhamento da intimidade de suas experiências objetivas, e não somente uma demonstração de sinais externos. Você, como coach, pode optar por também expor os seus sentimentos; essa reciprocidade contribui para o aprofundamento da relação. Adiante, quando o coachee for capaz de reconhecer o sentimento, pode criar espaço em torno. Essa criação de espaço leva à transformação de sentimentos em objetos ou, em poucas palavras, em algo diferente do “eu”. Quando um indivíduo consegue falar de suas experiências e de seus sentimentos em relação a elas, esse é um dos meio de determinar se está apto ou não a alcançar as metas estabelecidas.

 

Aplicações

A seguir, estão as aplicações nas áreas de saúde, negócios e relacionamentos.

Saúde

Quando perguntamos a alguém “como vai?”, a resposta mais provável é um gentil “bem, obrigado”. Mas nem sempre é esse o caso. A resposta padrão pode esconder sentimentos que seria melhor reconhecer. “Como se sente?” é uma pergunta que aponta ao coachee a direção de sua experiência interna. E reconhecendo e trabalhando seus sentimentos, ele pode integrar suas experiências. Um exemplo de problema de saúde é quando o coachee ignora e reprime seus sentimentos, o que pode fazê-los voltarem-se contra o sistema imunológico, causando doenças.  

Negócios

Ao reconhecer que as subpersonalidades às vezes “comandam o espetáculo” durante curtos períodos, compreendemos que podem ocorrer julgamentos precipitados nessas ocasiões. No contexto de uma empresa, uma subpersonalidade determinada a fazer o papel de “pobre coitado” pode significar que os negócios “nunca darão certo”, simplesmente para satisfazê-la. Se o coach observar que, mesmo quando os negócios vão bem, um membro da equipe está determinado a satisfazer as necessidades daquela subpersonalidade, deve adotar as ações adequadas.

Ajudar o coachee a enxergar através de sua subpersonalidade (levando-o talvez a identificar o momento em que está prestes a entrar nesse estado), concentrando-se em satisfazer as necessidades mais inclusivas e abrangentes do restante da personalidade, pode contribuir para minimizar os efeitos da subpersonalidade.

Relacionamentos

Quando o indivíduo consegue integrar suas subpersonalidades, isso pode ter um impacto positivo sobre os relacionamentos. Frequentemente, as subpersonalidades se apresentam associadas a determinadas circunstâncias, como as disputas com o(a) parceiro (a). Se o coachee não tiver consciência da subpersonalidade, é provável que mantenha o mesmo padrão de comportamento. Se o coach chamar a atenção do coachee para as subpersonalidades – através de leituras, por exemplo – este pode começar a perceber o papel importante que elas exercem na interação, decidindo integrá-las e, assim, libertando-se da antiga resposta.  

Martin Shervington, em Coaching Integral: além do desenvolvimento pessoal, editora Qualitymark, 2006.