Vejo acontecer o tempo todo um grande desequilíbrio na maneira de agir quando falamos de contratações. Acompanho esse cenário a muito tempo, demorei para escrever sobre esse assunto, pois estava dando linha para o novelo. Importante dizer que esse texto não é um desabafo, mas sim uma argumentação de uma profissional que trabalha com desenvolvimento humano e aposta no potencial de cada profissional, independente da idade. Quando minha empresa atuava com recrutamento e seleção, eu como mediadora conseguia fazer meus clientes entender e contratar o profissional adequado para a vaga que estava procurando, independente da idade. O mesmo acontecia quando pediam estagiários com bastante experiência, neste caso delicadamente mostrava que a função de estágio é para aprender, sendo a empresa responsável por esse ensinamento. O estagiário iria se desenvolver ao longo do tempo e aí sim teria experiência suficiente para entrar no mercado de trabalho e oferecer experiência profissional.

O fato é que com os clientes que atendi, consegui fazê-los enxergar os profissionais por outra vertente. Jovens profissionais devem ocupar cargos adequados com seu nível de experiência profissional, vida coorporativa e na maturidade correta. Consegui recolocar muitos profissionais cotados como velhos, mas com grande experiência, elevado senso de responsabilidade e com forte vontade de vestir a camisa da empresa. O que há de errado em envelhecer? Todos nós vamos envelhecer!!! E a carreira será encerrada porque as empresas querem profissionais jovens? Existe claramente um descompasso nesta maneira de agir, pois desde o início da faculdade todos vislumbram uma brilhante carreira. Desde então é cobrado um desenvolvimento profissional, e desta forma investe-se anos em inúmeros cursos tais como; Pós Graduação, MBA, Mestrado, idiomas, técnicas diferenciadas, cursos livres, palestras, títulos, cargos e tudo o que pode agregar na carreira profissional para oferecer um diferencial para um mercado competitivo. 

O profissional comprometido, que tem foco e sabe bem o que quer está em constante desenvolvimento, sua a camisa literalmente. Alguns são empreendedores, trilham um caminho que chamo de carreira mapa, com desafios e um mundo pela frente para desbravar. Formam seu próprio negócio, que até certo ponto estão protegidos ao envelhecer. Agora, os profissionais que escolhem seguir sua carreira dentro das empresas, sofrem com a chegada da maturidade. Outro dia, escutei de uma profissional de RH que foi chamada atenção pois quando a candidata chegou para a entrevista esta tinha 45 anos. Sua superiora perguntou a ela se tinha interesse de começar a envelhecer a empresa. Pasmem!!! Isso é tão comum.

Vejo muito profissionais aos 30 anos serem barrados em muitas entrevistas por causa da idade. O que se aprende mesmo nos cursos de RH? Um profissional que está em transição de carreira, ou quer mudar de empresa e já passou da fase da juventude fica à mercê de culturas organizacionais, valores que desvalorizam totalmente o desenvolvimento profissional. Entende o que quero dizer? A idade ao invés de estar na lista de qualidades, entra para a lista de “defeitos”. Passamos a maior parte de nossas vidas trabalhando, nos especializando para sermos um bom profissional e isso leva algum tempo, anos ... e ao estar com uma boa carga de experiência a resposta do mercado é:- Você está velho, tem muita experiência para esse cargo! Alguém já escutou isso? Eu como pessoa, ser humano, profissional, fico triste ao ler mensagens em redes sociais de profissionais, que não conseguem se recolocar por terem muita experiência. Como Coach atendo clientes muitas vezes com esse mesmo dilema.

O cenário por sua vez quando falamos de jovens profissionais, é bem diferente, pois estes estão no auge da carreira, iniciando com todos os sonhos de se tornarem profissionais de sucesso. Acredito muito neste potencial jovem e incentivo sua entrada no mercado de trabalho. Vejo que muitos são iludidos pelo fato de conseguirem um diploma e que este faça milagres para que consigam um excelente emprego com um salário sonhador.

Quando falo da juventude descomprometida no título deste artigo, me refiro aos muitos jovens profissionais que com sua autoestima a todo vapor deixam de pensar e planejar sua carreira profissional e tomam qualquer decisão em relação a como irão escrever sua história profissional. Estão ainda interessados na vida social e abraçar o mundo de uma vez só. Isso faz com que muitos jovens sofram as consequências da desilusão precoce. Pois alguns ainda cursando a faculdade e outros tantos já formados trabalham em áreas totalmente diferentes das que tem como objetivo profissional. Com pouca idade já estão desiludidos e reclamando do emprego, da empresa, do salário, dos benefícios, do patrão. Isso eu chamo de Geração WhatsApp, querem que tudo seja no tempo deles, clicou e zap! Desta maneira a responsabilidade se perde no meio do caminho, alguns ainda nem sabem o que esse termo significa.

Tenho um exemplo claro desta atitude WhatsApp, uma funcionária de uma empresa X exercia uma função a qual foi treinada durante um mês para executar o trabalho. Ao começar atuar na função demostrou que poderia se desenvolver, porém logo no quarto mês seu desinteresse apareceu. Alegando problemas pessoais, pediu demissão. O RH, conversando com a funcionária na entrevista de desligamento, solicitou que ela ficasse na empresa para atender os clientes da semana que estavam agendados e neste tempo pudessem treinar outro profissional para o cargo. A funcionária falou que não podia pois iria iniciar um outro trabalho em uma loja do shopping. Saliento dizer que a escolha por colocar uma jovem profissional na função que ela exercia, onde requer imensa responsabilidade e comprometimento não poderia ser um profissional maduro, pois este teria muita experiência para o cargo. Pois bem, neste caso a empresa saiu perdendo, pois os clientes da semana tiveram que ser desmarcados até treinar um profissional adequado para assumir a função.

Meu texto é uma reflexão para todos os profissionais que são responsáveis por contratações e para os profissionais de todas as áreas, cargos e idades. Esse círculo vicioso irá sempre ser assim, ou somos responsáveis em poder melhorar? Alguém sabe o que é melhoria contínua?

Podemos sim, melhorar a qualidade profissional dos jovens e dar espaço para os profissionais maduros. Afinal todos já fomos jovens descomprometidos e também alcançaremos a maturidade.

Pense, reflita e caminhe!

Informamos que esse texto é de inteira responsabilidade do autor do post identificado abaixo.

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DANIELA GUARALDO DE MELLO FERREIRA

Master Coach

Daniela Guaraldo de Mello Ferreira Master Coach, Palestrante, Escritora e Treinadora, formada em Administração de Empresas, Pós-Graduada em Marketing pela Fundação Armando Álvares Penteado, Coach certificada pela ICC (Internacional Coaching Comunnity) e ICI (Internacional Association of Coaching Institutes, Leader Coach certificada pela Corporate CoachU (USA), MBA em Coaching e Gestão Empresarial