Numa conversa de coaching, um dos papeis do coach é ajudar o player a entrar no Self Dois. Isso pode ser conseguido pelo processo de acompanhar o interesse e por meio da concentração. O coach também deve alertar o player com algum distanciamento e estar atento à linguagem corporal. É útil para o coach perguntar a si mesmo: “O player está no Self Dois?”. Se a resposta for não, uma simples observação como “Você parece um pouco desconfortável”, poderá desbloquear o nó da conversa. Se uma conversa de coaching está emperrada, procure a interferência. Vai haver alguma – e pode ser você. Numa grande consultoria internacional, lembro-me de uma conversa de coaching com um colega que tinha um pouco de conhecimento d’O Jogo Interior. Estávamos discutindo seu plano de carreira e objetivos, e confesso que quase caí da cadeira de tédio. Mas ele era um homem altamente inteligente e criativo. Perguntei-lhe então se estava no Self Um ou no Dois: D: Self Um, eu acho. MYLER: O que seria necessário para levá-lo a entrar no Self Dois? D: Precisaria se levantar. A resposta me pegou um pouco de surpresa. MYLES: E o que preciso fazer? D: Você também precisa se levantar. Começamos nós dois, andando pela sala, e, como você pode imaginar, os resultados foram mais interessantes e desafiadores, mais congruentes com quem D era de verdade. Espero que esteja claro que todas as técnicas e modelos apresentados aqui podem ser usados com o modelo GROW ou dentro dele. Embora o que vou dizer a seguir sobre a aplicação de ambas as abordagens não seja uma verdade universal, faz sentido na maioria das vezes. No coaching, você pode ter conversas sobre acontecimentos e atividades que são on-line ou off-line. Situações on-line, que também posso chamar de “em quadra”, são aquelas em que o player considera como será seu desempenho, como estará em ação. A conversa está concentrada no momento real da ação, como gerenciar a pressão do fechamento de uma venda ou de fazer uma apresentação. Situações off-line ou “fora de quadra” são aquelas que se concentram antes ou depois da verdadeira atividade, como rever mentalmente um determinado problema, planejar uma atividade futura venda ou de fazer uma apresentação. Situações off-line ou “fora de quadra” são aquelas que se concentram ou depois da verdadeira atividade, como rever mentalmente um determinado problema planejar uma atividade futura ou rever uma atividade passada. Imagine a seguinte situação: um player está preocupado em fazer uma apresentação em, digamos, duas semanas. À medida que ocorre o progresso de coaching, fica claro que existem dois problemas: 1. O player não sabe como deve se preparar para o evento e 2. Ele teme que seu nervosismo diminua o impacto esperado da apresentação. O primeiro problema se presta a uma abordagem bastante simples do modelo GROW, enquanto o segundo está relacionado a uma abordagem de jogo interior. O GROW é mais útil em situações off-line quando o player planeja algo para o futuro, revê o passado, ao aprender ou resolver uma questão. O Jogo Interior é mais útil em situações on-line, nas quais o player considera problemas de desempenho, como fazer uma apresentação ou uma reunião de vendas. Com frequência, apresento às pessoas com quem trabalho meu entendimento desses conceitos centrais d’O Jogo Interior porque eles se tornam recursos valiosos para que elas atinjam o desempenho máximo na vida cotidiana. Por exemplo, sei que uma das formas mais rápidas de entrar no Self Dois é pelo prazer. Deixe-me explicar como isso funciona. Quando jovem, eu era um bom jogador de tênis, e, mais tarde, lesões me impediram de jogar. No fim, fiz uma cirurgia no ombro lesionado que resolveu o problema. Logo depois da reabilitação, foi a primeira vez, em muito tempo, que bati algumas bolas. Não jogava havia anos e estava fora de forma, mas, mesmo assim, surpreendi-me de estar jogando tão mal. Então, como um bom pupilo em O Jogo Interior, usei uma técnica para entrar no Self Dois. Cara, eu tentei! Depois de um tempo, eu ainda estava jogando muito mal e observei mentalmente que não estava gostando de jogar. Então me dei conta que deve haver alguma alegria em jogar. Pelo amor ao jogo e pela reabilitação depois da cirurgia, dei uma nota, numa escala de 1 a 10, para a minha alegria: 3. Joguei mais uma rodada e dei uma nota novamente, ainda um 3. Uma outra rodada e a nota dessa vez foi um 5. E então 7 e 8. Quando a alegria aumentou bastante, também aumentou a qualidade do meu jogo de tênis. O que é interessante nisso é que ninguém pode ser obrigado a gostar de algo; a consciência curou-me e, nesse caso, transformou meu desempenho. Hoje, quando trabalho com colegas na School of Coaching, nas simulações que fazemos, pergunto freqüentemente: “Qual é o seu nível de alegria?”. Vejo então uma expressão de ansiedade transformar-se em um sorriso. Myles Downey, em Coaching Eficaz, editora CENGAGE Learning, 3ª edição, 2010. Sulivan França Atual Presidente da Sociedade Latino Americana de Coaching, Sulivan França é Master Coach Trainer por meio da International Association of Coaching Institutes, possui licenciamento individual conferido pelo Behavioral Coaching Institute (BCI) e credenciamento individual junto a International Association of Coaching (IAC) além de Master Trainer por meio da International Association Of NLP Institutes. Siga-me no GOOGLE+