A ideia dos Quatro Quadrantes chegou às consultorias de grandes corporações em todo o mundo. No entanto, é apenas parte da enorme estrutura integral, o que não quer dizer que seja necessariamente integral. Ainda assim, trata-se de um modelo eficiente e relativamente direto para ser compreendido. O Coaching Integral e a Consultoria Integral de Negócios podem ser vistos como intimamente relacionados. Um coachee que comandava seu próprio negócio achou fascinante o fato de sua mente ter-se fixado nos domínios da mão direita (“isto” e “istos”) por tanto tempo, que os domínios da mão esquerda acabaram sofrendo. Os relacionamentos (“nós”) podem ser negligenciados por muitos anos (em parte, devido aos desafios internos do coachee). Assim, os aspectos relacionais do negócio foram, na melhor das hipóteses, ignorados ou, na pior, mal administrados. Com uma alta rotatividade de funcionários, chegou-se à conclusão de que o moral baixo em um nível cultural (“nós”) estava afetando seriamente os comportamentos dentro das funções (“isto”) e o resultado final da empresa (“istos”). Somente com a chegada de um novo gerente sênior, com capacidade (“isto”) e atitude (“eu”) para desenvolver relacionamentos a longo prazo, os negócios começaram a melhorar aos poucos (“isto”). Houve mudanças de foco, para equilibrar os “istos” com um novo e transformado “nós”. Negócios não estão ligados a sistemas, mas a sistemas relacionados aos contextos de cultura, comportamento, atitude, etc. Quando qualquer dos domínios (“eu”, “nós”, “isto” ou “istos”) assume o comando, há um efeito negativo. Outra circunstâncias que pode ocorrer é a empresa se tornar menos competitiva pelo fato de o aspecto relacional (“nós”) ser o único foco e os sistemas não serem atualizados (“istos”); sobretudo quando outras empresas do mercado acompanham os tempos. O sucesso de um negócio necessita da ideia dos Quatro Quadrantes, e se você analisar qualquer empresa bem-sucedida vai perceber que tal ideia foi aplicada – provavelmente sem que os administradores conhecessem a teoria.

Relacionamentos

Observando um grupo de famílias, podemos ver claramente as diferenças de cultura (“nós”) entre –elas – algumas vivem em constante disputa, enquanto outras possuem a cultura da cooperação. Também podemos constatar como os relacionamentos familiares são afetados pelos fatores sociais (“istos”). Uma família cujos membros tenham acesso a uma boa educação (“istos”), por exemplo, pode resultar em um grupo que se senta à mesa (“nós”) e discute sobre os acontecimentos mundiais. Os comportamentos individuais (“isto”) decorrentes também serão afetados – a escolha do trabalho e das oportunidades é determinada pelas competências individuais. Para mostrar como a idéia dos Quatro Quadrantes afeta os relacionamentos dentro de uma família, vamos conhecer um problema enfrentado por uma coachee. Exemplo O filho adolescente da coachee estava passando por uma fase de rebeldia, fumando maconha e bebendo demais. O problema principal causado eram as faltas na escola – ele só se levantava depois que a mãe saía para trabalhar. A coachee tentou tudo para mudar o comportamento do filho, mas nada deu certo (“isto”). Ela ficou confusa e frustrada (“eu”). A família também estava começando a ser afetada como um todo (“nós”), uma vez que o rapaz não era um bom exemplo para as crianças. Depois de conversar com o coach, a coachee começou a ver que sua atitude permissiva na educação das crianças precisava mudar. Tendo em vista que regras e regulamentos da família afetam os comportamentos e sentimentos de todos os seus membros, ela decidiu encarar este quadrante (“istos”) como área a ser alterada. Não desejando extinguir totalmente a liberdade pessoal, a coachee decidiu “fazer um acordo”, cobrando do filho rebelde uma pequena quantia a ser definida por ele, todas as vezes em que faltasse à escola; e a cada dia que conseguia ir, recebia da mãe o dobro da quantia estipulada, de modo a economizar para a compra do primeiro carro. Essa solução social deu ao filho motivação pessoal suficiente – o carro – para que ele se levantasse da cama mais cedo.

Martin Shervington, em Coaching Integral: além do desenvolvimento pessoal, editora Qualitymark, 2006.