Uma das competências centrais da liderança contemporânea é o coach. Este é um campo de atividade gerencial que vem merecendo interesse renovado em função do poder que exerce na criação e sustentação da lata performance.

Embora possua componentes técnicos, o coaching é muito mais do que apenas técnica. Este artigo explora aquilo que realmente é necessário para se realizar a transformação no sentido de tornar-se um coach – em todos os níveis de interação humana. Trata-se de algo denominado “Coaching Transformacional”, descrito com mais detalhes em The Heart of Coaching (Grane, 1998).

Nas organizações ocidentais tradicionais, a maioria dos gerentes foi condicionada a adotar uma mentalidade de comando e controle hierárquicos. Passar desse enquadramento mental tradicional para o Coaching Transformacional exige que aprendamos algumas técnicas gerenciais novas. Exige que mudemos o nosso modo de pensar. Exige que descubramos o quê pensamos sobre os nossos papéis e os resultados que buscamos alcançar com as pessoas – e que transformemos tanto as nossas idéias como o nosso comportamento.

Por que é necessário mudar tão profundamente?

Os negócios não deveriam ficar de fora da esfera pessoal?

Por que não basta simplesmente aprender alguns novos métodos e técnicas e começar a fazer o coaching?

A realidade é que os aspectos pessoais de nossas vidas não ficam de fora da esfera negocial. Todas as pessoas levam para o trabalho todo o espectro de sua personalidade – pensamentos, atitudes, comportamentos, hábito , necessidades, aspirações, temores, desejos, papéis e condicionamento.

O Coaching Transformacional não traz o que é da esfera pessoal para situações profissionais. Simplesmente, ao reconhecer que o elemento pessoal faz parte do trabalho, propicia uma estrutura – o coração do coach – para se lidar de maneira eficaz com o ser humano como um todo.

Como se tornar um chefe

Seja honesto. Se você já teve autoridade sobre os outros, não achou isso algo envolvente? De vez enquando, você não se sentia poderoso e forte? É fácil perceber como até mesmo os executivos mais bem intencionados são capazes de gostar do “barato” de se o chefe. A maioria de nós possui algumas das crenças humanas que fazem d nós presa fácil para tal mentalidade:

- Os nossos egos ficam imersos nos papéis que desempenhamos e nos adereços de nossa autoridade.

- Acreditamos que, por termos engolido muitos sapos, seria justo esperar que os outros também o façam.

- Temos receio de mudar e de abrir mão do controle.

- Temos receio de fracassar aos olhos do mundo.

- Desenvolvemos hábitos de comportamento e de raciocínio que reforçam ser correta a abordagem de chefia.

Acrescente a essa lista o fato de que a maioria de nossos modelos no trabalho são os chefes, e que o sistema humano do qual fazemos parte não aceita facilmente mudanças em papéis há muito tempo estabelecidos, e aí está: tem-se um chefe em vias de fabricação.

Marshall Goldsmith, Laurence Lyons e Alissa Freas em Coaching : exercício da liderança, editora campus, 2003.