Se existe aquilo que consideramos o self normal, podemos dizer que as subpersonalidades são pilotos que assumem o comando temporariamente – uma explosão de raiva, uma baixa na autoestima ou um sentimento de superioridade que invadem a consciência para, em seguida, recolherem-se novamente. Vistos de fora, estes podem parecer comportamentos estranhos, já que o indivíduo é capaz de transitar com relativa fluidez por diferentes estados. Interiormente, porém, e sem julgar o que acontece, o indivíduo pode sentir-se perfeitamente normal – “eu sou assim”.

Embora se trate de fenômeno comum, pode causar preocupação ao coachee. Quando isso acontece, e sendo o Coaching Integral considerado um veículo adequado, Wilber diz que o coachee pode “conscientizar-se dessas subpersonalidades, objetivando-as e adotando em relação a elas uma visão mais generosa”. 

Do mesmo modo, ao livrar-se do domínio de certas adaptações neuróticas, o coachee consegue enxergar através da subpersonalidade e, neste processo, “ser dono de si”, em vez de deixar-se levar”. Desse modo e com o passar do tempo, a subpersonalidade e, neste processo, “ser dono de si”, em vez de “deixar-se levar”. Desse modo e com o passar do tempo, a subpersonalidade será integrada a um senso de self mais completo, vindo então a personalidade de um centro mais estável, em vez de mudar de um estado a outro. 

Como isto requer do coachee uma “visão através”, trata-se de um grau de consciência autorreflexiva que precisa, pelo menos, de um raciocínio “e se?”, e mais provavelmente um do tipo “e se? completo”. Então, o indivíduo consegue externar seu mundo interior de sentimentos e emoções. Por meio de processo de integração das subpersonalidades, é estimulado o avanço na direção do raciocínio “e se? completo”. Assim, o coach pode ajudar o coachee a transformar seu nível de consciência.

O processo de integração desses “pedaços de self” é relativamente direto para o coachee. Ao perceber a manifestação de uma subpersonalidade, ele já tomou consciência de estar no estado correspondente. Isso significa não apenas sentir-se em determinado estado, mas estar consciente do fato. Esta é uma “metaposição” em relação ao estado por meio do qual o indivíduo foi além, fazendo dele um objeto. O self que, então, vê o estado como algo separado, fica liberado de agir de acordo. Essa observação e essa não –ação permitem que ocorra o processo de integração. A energia da subpersonalidade se dissipa à medida que o indivíduo observa e continua observando, em vez de agir de acordo.

Como coach, você pode optar por estimular este processo de reflexão. Ao observar sem agir, o coachee vê, ouve e sente o que se passa em sua mente. Essa observação ajuda em muito a “juntas as peças “, mas pode representar um desafio, já que exige a capacidade de se desligar das operações da mente (uma função “e se? completo’). Se for esse o caso, o coachee pode buscar uma forma de praticar a capacidade de concentração – respiração ou contagem, por exemplo – que o ajude a focar a mente. Faço questão de acrescentar que, apesar das semelhanças com os estágios iniciais da prática de meditação, trata-se apenas de um meio de fazer o coachee “ver através” mais facilmente.

A capacidade de concentrar-se sem deixar absorver por esses estados é um indicador da integração. Pode ser até que o coachee passe a tratar a situação como uma espécie de jogo, já que o processo de integração se associa a uma considerável liberdade, e ele consegue assim identificar as subpersonalidades. Com o tempo, essa não-ação leva à liberação e a um sentimento mais integrado. No entanto, se o indivíduo continuar a sentir-se mergulhar nos estados, ou seja, a ser dominado por eles, é sinal de que necessita de mais prática de concentração.

Martin Shervington em Coaching integral, editora Qualitymark, 2006.