Em termos gerais, um dos objetivos do coaching é contribuir para a melhoria do desempenho. Esse progresso na articulação da competência (seja verbal, de ação ou ambas) é o ponto de partida para a maioria dos processos de coaching. A área de melhoria da competência (habilidade) deve ser vista como consideravelmente importante. Na verdade, embora no Coaching Integral o foco principal esteja na estrutura transformadora, seria injusto deixar de reconhecer que a melhoria das competências é essencial. No panorama geral, podemos situar a articulação da competência dentro de um nível. E a possibilidade de um movimento em direção a um nível superior só ocorre quando a competência se torna suficiente. Meu objetivo, então, é demonstrar a importância do movimento dentro dos níveis e também do movimento entre os níveis. Como existem muitos livros sobre coaching e desenvolvimento pessoal que tendem a enfocar os movimentos dentro dos níveis, recomendo que você procure ler sobre as áreas que achar mais interessantes. Competence Considered, de Sternberg e Kolligian, é uma coleção de artigos da autoria de psicólogos, tratando da importância da opinião que temos sobre nosso desempenho e de como isso afeta o próprio desempenho. Em seus artigos, Markus, Cross e Wurf exploram o assunto. Cada vez mais, as pessoas acreditam que “imaginação e práticas mentais voltadas para futuras realizações preparam o indivíduo para seu real desempenho”. Esse recurso, geralmente empregado como técnica de ensaio mental pode contribuir para que seja alcançado certo nível de habilidade. Sua forma mais simples seria imaginar uma pequena tarefa sendo realizada com sucesso. A consciência, então, atua sobre o próprio corpo, provocando mínimos movimentos musculares e sensações, quando o indivíduo visualiza a cena. As consequências significativas desta técnica são largamente conhecidas no mundo dos esportes. Sendo uma preparação para o evento em si, pode ser empregada para melhorar o resultado final. Existe também a questão da autoimagem dentro do contexto, ou seja, “Sou um bom aprendiz”, o que pode ser semipermanente e, na maioria das vezes, inconsciente. A internalização da autoimagem (palavras e/ou imagens) tem um papel importante em nossas realizações. O autossistema contém as autoimagens, mas quando estas são capazes de cercear o indivíduo (“sou fraco em Matemática”, por exemplo), é provável que este seja o resultado final: ele vai sair-se mal em Matemática. Somente quando o indivíduo cria um self possível no futuro que é “bom em Matemática”, ele se orienta na direção desta meta. “Aquele que possui o senso de competência será competente (ou estará no caminho de tornar-se competente).” Esse senso é componente vital e faz parte da própria competência. “A competência tanto pode ser resultado de uma habilidade especial do indivíduo, que então constrói uma autoestrutura e a usa para motivar-se a adquirir a habilidade.” Quando formamos uma opinião negativa sobre nós mesmos, começamos a preparar o terreno para um baixo nível de realização. A possibilidade positiva acarreta uma alteração do estado emocional que predispõe a pessoa a conseguir o que deseja. É esse movimento em direção a um futuro self possível que produz ainda mais motivação. A cultura dentro da qual o indivíduo atua também influencia seu nível de competência. Quando uma habilidade é valorizada pela comunidade – uma criança elogiada pela família por cantar bem, por exemplo – é mais provável que, com o tempo, o indivíduo incorpore as opiniões que os outros têm de seu talento. Se a situação persistir, será construída uma autoimagem interna que sustente aquelas opiniões. Do mesmo modo, se a criança conseguir desenvolver ainda mais sua habilidade dentro do sistema social – frequentando aulas de música, por exemplo -, mais uma vez seu desempenho pode ser alterado (bem como sua autoimagem). No entanto, se a cultura ou “o ambiente social não derem apoio, ou as habilidades não forem desenvolvidas, muitos dos possíveis selfs (futuros) podem ser abandonados”. Por um longo período, sem as habilidades necessárias, o indivíduo encontrará dificuldade em manter a autoimagem. Albert Bandura afirma: “Parece que a maior parte dos talentos só se desenvolve quando há oportunidade. Assim, se não houver alguém a acreditar que o indivíduo é capaz de desenvolver certas habilidades, esse potencial oculto pode nunca se revelar. Por meio do coaching, o indivíduo pode ser estimulado e, por meio desse estímulo, construir uma autoimagem que o sustente e motive a alcançar o nível de habilidade considerado possível pelo coach. O importante não é somente a crença de que a meta pode ser alcançada, mas também ‘ a representação do indivíduo praticando a abordagem e conseguindo o resultado”. Bandura acrescenta: “Quando diante de dificuldades, o indivíduo que duvida da própria capacidade relaxa os esforços ou desiste prematuramente de tentar, contentando-se com soluções medíocres, enquanto aqueles que acreditam firmemente em suas capacidades esforçam-se muito mais para vencer o desafio”. Com frequência, o fator determinante não é a capacidade em si; é a crença na capacidade que faz a diferença. Ao compararmos duas pessoas, por exemplo, uma pode sair-se melhor em um ambiente social. No entanto, talvez possuam igual competência: a autoimagem é a força motriz que causa a diferença no desempenho. Ao executar uma tarefa, a capacidade é importante, mas a opinião sobre a capacidade é crucial. Se o indivíduo acredita na própria capacidade, fica mais propenso a encontrar soluções criativas. Os fracassos são superados mais depressa quando a autoestrutura tem uma orientação positiva. “Como a aquisição de conhecimento e competências em geral requer um esforço contínuo diante das dificuldades, o que conta é a força da autoconfiança.” Bandura continua: “A insegurança provoca um aumento substancial da angústia e do desconforto psicológico”. Para o coach, isto é de vital importância. É por meio da relação entre coach e coachee que pode ocorrer a mudança que faz diferença no desempenho, seja no contexto do esporte, da vida profissional ou dos relacionamentos. Como explica Bandura, “a limitação do progresso na carreira resulta mais da auto-imagem negativa do que da real falta de capacidade. Ao restringir as opções capazes de cultivar interesses e competências, a insegurança cria suas próprias validações”. Esse é o conceito da profecia autorrealizadora – se você acredita que pode ou que não pode, isso provavelmente se confirma. Iniciei esta seção dizendo que a articulação da competência é fundamentalmente importante para a aquisição de habilidades, tanto no coaching quanto na vida.O incentivo do coach é essencial, pois a maximização de competências existentes, ou em potencial permite o surgimento de outros estágios. Mas o ponto de partida sempre será o desenvolvimento de habilidades, a partir da posição atual. Martin Shervington, em Coaching Integral: além do desenvolvimento pessoal, editora Qualitymark, 2006. Sulivan França Atual Presidente da Sociedade Latino Americana de Coaching, Sulivan França é Master Coach Trainer por meio da International Association of Coaching Institutes, possui licenciamento individual conferido pelo Behavioral Coaching Institute (BCI) e credenciamento individual junto a International Association of Coaching (IAC) além de Master Trainer por meio da International Association Of NLP Institutes. Siga-me no GOOGLE+