Existe um “self” que se move através das linhas e dos níveis e experimenta os estados dentro dos quatro quadrantes. Esse self é, em boa parte, o que você chama de “você”. O self responsável pelas transições e pelos avanços em relação aos primeiros estágios do desenvolvimento; é o fator determinante para que se alcance certo nível de desempenho; reúne experiências, de modo que possam ser integradas; e utiliza suas defesas para estabilizar um nível. Em outras palavras, o self é uma espécie de navegador que mantém tudo fluindo. A seguir, as seis características do self:

Identificação

É o que o indivíduo considera “eu”, em oposição a “mim”. As pessoas, em sua maioria, definem-se em termos de ocupação ou função, por exemplo, gerente, terapeuta, mãe, pai, etc. É o que se poderia chamar de “mim”. Existe, porém, um sentido de self que observa o chamado “eu”. Esse “eu” é o sujeito, e os aspectos “mim” são objetos – há um observador (eu) e um observado (mim).

Organização

Wilber diz, em Transformations of Consciousness (Transformações da Consciência), que o self dá (ou tenta dar) unidade à mente. Em outras palavras, “organiza”.

Arbítrio

O self tem a capacidade de fazer opções que, no entanto, estão presentes apenas no nível de consciência de cada um. O self não pode, por exemplo, escolher formar hipóteses (raciocínio “e se?”), caso esteja operando somente em “como se”, o que limita as escolhas individuais e o livre arbítrio.

Metabolismo

As experiências são metabolizadas (ou digeridas) pelo self. Por exemplo: se as experiências fossem alimentos, uma experiência não completamente metabolizada e integrada tenderia a provocar azia. Isso aparece como “pedaços do self”, que existem em um nível inferior, que inclui as subpersonalidades.

Navegação

No indivíduo, o self é responsável pela “saída” do atual nível ou pela “permanência” nele. É através do processo de saída que o self avança. À medida que o self avança, deixa de identificar-se com o nível anterior. O que é considerado  “eu” em um nível passa a “mim” no nível seguinte. Portanto, o sujeito (eu) dá liga ao objeto (mim). A compreensão desse fato nos ajuda a perceber o quanto “ver através” do que fomos significa uma libertação. Em relação a algumas adaptações e subpersonalidades, o processo do “eu” passa a ser visto como “mim” é a essência do desenvolvimento humano. Para estabelecer a relação com os níveis de consciência (“como se”, “e se?”, “e se? completo” e “e, e se?”) em cada estágio em que ocorre o processo, o self avança para uma posição de objeto (pode ser visto como “outro” que não ele mesmo) que antes identificava como sendo ele mesmo. O coach, ao contribuir para essa “percepção” ou “observação” de cada estágio, ajuda o coachee a avançar, em vez de deixá-lo agir dentro de um determinado estágio. Se, por exemplo, o indivíduo puder refletir sobre seus pensamentos, sentimentos e emoções, esse é um movimento no sentido de deixar o nível “e se?” – em que aqueles pensamentos, sentimentos e emoções compuseram o self – e alcançar o nível “e se? completo”. Quando alguém deixa de operar em vários contextos, mas começa a descobrir uma relação entre eles, existe um movimento na direção do raciocínio “e, e se?”. Assim, o que antes se identificava com o estágio anterior passa a ser visto como algo diferente do indivíduo. A autoestrutura também produz a percepção que determina nossas concepções internas de competência. Os indivíduos que se consideram “bons” ou “ruins” em relação a certas habilidades são levados a agir de acordo. Quando as experiências são bem metabolizadas, a unidade da mente aumenta. Quando as experiências não são metabolizadas e integradas, pode surgir uma personalidade impertinente. Sob a perspectiva do coaching, o objetivo é fazer a personalidade evoluir para um self mais estável, capaz de seguir vivendo sem impedimentos. O princípio de liberdade de “navegação” é essencial à compreensão. Se o coachee for sobrecarregado por adaptações pouco favoráveis (como as defesas imaturas do segundo estágio) e autoimagens pouco saudáveis, é provável que sua vida seja pontilhada de desafios. Isso acontece porque suas defesas tendem a superar o elemento “arbítrio” e, como resultados, as opções para ele realisticamente disponíveis serão limitadas, ou seja, as necessidades intencionais serão anuladas pelas necessidades adaptativas. O coach percebendo o desenvolvimento do coachee e o ponto a que chegou, tem condições de decidir-se pela melhor maneira de ajudar. Martin Shervington, em Coaching Integral: além do desenvolvimento pessoal, editora Qualitymark, 2006. Sulivan França Atual Presidente da Sociedade Latino Americana de Coaching, Sulivan França é Master Coach Trainer por meio da International Association of Coaching Institutes, possui licenciamento individual conferido pelo Behavioral Coaching Institute (BCI) e credenciamento individual junto a International Association of Coaching (IAC) além de Master Trainer por meio da International Association Of NLP Institutes. Siga-me no GOOGLE+