Escrito por Sulivan França - 09 de Outubro de 2017

Dê uma olhada ao redor e você perceberá. Na vida, podemos afirmar que cada indivíduo possui uma vocação própria além de suas habilidades. E tudo isso pode auxiliá-lo ou não, quando é preciso realizar uma determinada tarefa. Por isso, toda pessoa deve ser considerada igualmente importante e deve buscar seu constante desenvolvimento pessoal. 

Um erro recorrente, no entanto, ocorre quando vários profissionais com vocações diferentes são colocados para realizar uma atividade comum, mas todos acabam cobrados pela execução daquilo que lhes foi atribuído. Espera-se deles uma eficácia que seja equivalente ou que cada um obtenha resultados similares. 

A explicação para o que foi descrito acima é que muitas vezes o departamento responsável pelos recursos humanos de uma empresa seleciona um profissional, mas ainda no período da experiência, ele não corresponde às expectativas. Em geral, isso decorre de uma seleção feita de forma equivocada, fruto direto do processo de seleção. Quem escolheu o candidato, o encaminhou para desempenhar uma função diferente da sua vocação.


O perfil DiSC

No entanto, a fim de evitar situações como essa, as empresas cada vez mais têm recorrido a ferramentas que ajudem a identificar os pontos fortes de cada pessoa ainda no processo de escolha. Um exemplo disso é a metodologia DiSC, capaz de determinar o perfil comportamental de um funcionário e adequar cada uma das funções para aqueles que se sentem melhor ao desempenhá-las.

Dessa forma, o DiSC pode se tornar um grande aliado no plano de desenvolvimento da empresa, a partir de uma completa avaliação de comportamento de cada integrante da equipe e da análise de perfil deles. No dia a dia, da empresa é fundamental identificar o perfil comportamental de uma pessoa, além das características predominantes dos indivíduos que trabalham nela. 

Deste modo, o método DiSC é uma ferramenta que potencializa a empresa como um todo com base na gestão de pessoas dentro do ambiente de trabalho. Ao analisar o perfil dominante de cada um dos componentes valoriza-se o capital humano, maior bem que qualquer instituição possui. 

Mas, para entender melhor como tudo isso funciona, vamos compreender no que consiste o método. DiSC é a sigla com as iniciais de cada um dos quatro tipos de perfis que servem de base para o comportamento humano: dominância, influência, estabilidade e conformidade. Essas palavras podem variar conforme a metodologia analisada, mas possuem o mesmo significado se realmente forem metodologias sérias pautadas nas ideias do teórico e psicólogo norte-americano William Moulton Marston (1893-1947). 

Provavelmente mais conhecido por ter criado a personagem Mulher-Maravilha para o universo dos quadrinhos, em 1941, Marston desenvolveu, além do DiSC, o polígrafo, aparelho usado no teste de detector de mentiras. O objetivo do DiSC é examinar o comportamento dos indivíduos em um determinado ambiente.


As tendências básicas do comportamento

Dentro de cada indivíduo existem variados graus dos quatro perfis, nenhum é melhor ou pior que o outro, mas cada um dos tipos é mais adequado para determinada situação.


D - Dominância

A dominância, por exemplo, define as pessoas ativas ao lidar com problemas e desafios, costumando ser diretas, exigentes e determinadas em seus objetivos. Isso também se reflete em outros aspectos. Por exemplo, são pessoas que possuem grande poder de persuasão ao tratar com os seus pares. 


i - Influência

A influência está relacionada às pessoas que utilizam o poder da comunicação, gostam de conversar e sabem persuadir o próximo de forma amistosa, enquanto a estabilidade define as pessoas que buscam a segurança e não gostam de mudanças súbitas, sendo pacientes, gentis e calmas.


S - Estabilidade

Uma pessoa com elevado índice de estabilidade e baixo nível de dominância tende a se estressar atuando em cargos de chefia, enquanto alguém com alta dominância e baixa estabilidade pode ter dificuldades para acatar ordens.


C - Conformidade

A conformidade, por sua vez, é a característica das pessoas disciplinadas, precisas e analíticas, que buscam o perfeccionismo. Contudo, na mente humana, tudo é relativo e a pessoa pode dosar os perfis dentro de si para cada uma das situações, aperfeiçoando e evoluindo seu jeito de ser.


História e fundamentação

O estudo dos grupos de comportamento ou temperamento humano teve início com os filósofos gregos, no século 6 a.C. Foi Hipócrates, considerado o “pai da Medicina”, sábio grego, quem primeiro classificou os doentes em quatro tipos, ao observar que cada um deles apresentava uma hipertrofia ou um desenvolvimento excessivo de um sistema ou função, assim, concluindo que o estado fisiológico está intrinsecamente ligado ao comportamento humano.

Hipócrates enumerou os quatro aparelhos anatômicos como a base para determinar os temperamentos, tais como: respiratório (sanguíneo), osteomuscular (colérico), nervoso central (nervoso ou melancólico) e digestivo (linfático ou fleumático). A partir daí se permitiu um conhecimento mais profundo sobre o comportamento humano ao longo do tempo, evoluindo por meio dos romanos, dos árabes, dos astrólogos (fogo, ar, água e terra) até os estudiosos mais modernos da atualidade.

Temperamento deriva do termo em latim temperamentum de “tempere”, significando combinar em justas proporções. O temperamento é inato ao homem, é o seu modo de ser produzido pela carga genética. Assim, os quatro grupos de comportamento humano decorrem do desenvolvimento natural de estudos balizados. Os seus componentes representam as formas como as pessoas se comportam e relacionam-se entre si. 

O sistema DiSC atual não se afasta desse contexto. Todas as pessoas apresentam, em sua personalidade, alguma característica do DiSC. A combinação e a predominância de um elemento no caráter e no temperamento da pessoa são o que a torna diferente das demais. As dimensões DiSC não apresentam, previamente, juízo de valor, ou seja, não são qualificadas como boas ou ruins.

Em uma avaliação DiSC a característica encontrada pode constituir fortalezas e trunfos ou fraquezas e limitações. Depende muito mais do uso que se faz dela e do momento em que essa avaliação é usada do que propriamente da característica. 


Até a versão atual

Ainda na década de 1920, Marston criou a teoria dos tipos básicos de respostas comportamentais inerentes aos seres humanos. Formado em Harvard e Ph.D. em psicologia, Marston dizia acreditar que essas respostas são como os pilares do comportamento humano e a partir delas se formam as outras emoções e sentimentos.  

As bases para o desenvolvimento da teoria DiSC foram levantadas no livro “Emotions of Normal People” (Emoções das pessoas normais, numa tradução livre do inglês), lançado por Marston em 1928. Mais tarde, esses pilares foram definidos como Dominante (D), Influente (i), Estável (S) e Cauteloso (C).

Os estudos de Marston indicaram um modelo dinâmico de comportamentos pelo qual cada indivíduo transita. Todo mundo possui um ou dois principais estilos comportamentais que se destacam sobre os outros. Combinados com outros comportamentos, definem a personalidade da pessoa e dizem respeito a diversos aspectos da vida do indivíduo.

A ideia de centralizar os comportamentos em quatro principais pilares foi proposta pelo também psicólogo norte-americano, diretor de Ciências Comportamentais da Universidade de Minnesota, John G. Geier (1934-2009), em 1958. Antes da criação de Geier e desde os primeiros estudos de Marston, teorias e ferramentas vinham sendo experimentadas na intenção de transformar o modelo de Marston em algo aplicável, porém as iniciativas esbarravam em meras suposições, sem comprovações científicas.

E-book Comportamento

E-BOOK GRATUITO

Descubra como transformar sonhos em realidade utilizando a metodologia coaching na sua vida!