Por um desligamento responsável
Diariamente, atuo com profissionais em momentos diferentes de carreira: recolocação profissional, gerenciamento de carreira e recrutamento e seleção. Todos esses processos revelam momentos distintos das pessoas. Dessa forma, também estou em contato com muitos profissionais que perderam o emprego.

A cada dia conheço não apenas um novo cliente, mas sim uma pessoa que relata sua história, seus sonhos e sua trajetória até aquele momento em que foi, por diferentes razões, desligada da empresa. Além de muitas dúvidas, os assessorados também buscam apoio e não apenas uma recolocação, mas também e, principalmente, um acolhimento e a compreensão de que são profissionais com valores e que podem contribuir imensamente no desenvolvimento das empresas com o seu trabalho, ideias e expertise.

Alguns desligamentos são traumáticos, feitos de forma completamente desrespeitosa e inadequada, outros de forma amadora, por profissionais que não possuem a habilidade e a preparação necessária. É válido lembrar que o processo de desligamento é difícil para quem precisa dar a notícia. Ou seja, os gestores também se sentem desconfortáveis e precisam de auxílio para realizar essa etapa de gestão da melhor forma possível.

A empresa precisa proceder no desligamento de pessoal, esse direito não está sendo questionado, mas a forma como é realizado deve ser repensado por gestores e empresas. Para isso, é preciso enxergar além dos aspectos financeiros, mas também o impacto emocional que essa decisão causa no colaborador que foi desligado, no profissional destinado para assumir o cargo, e claro, no setor e demais colegas, que invariavelmente, sofrerão mudanças em suas rotinas diárias de trabalho. 

É importante ressaltar que o nível de engajamento do profissional que fica pode ser afetado, caso ele considere que o processo de desligamento do colega foi inadequado e acredite que possa ser o próximo.

Do outro lado temos os profissionais que foram desligados e sentem um verdadeiro vazio. Por isso, muitas pessoas ainda não se recolocaram, porque ainda vivem esse “luto”. E para minimizar o impacto emocional do desligamento, cito algumas dicas:

- Realize o processo com respeito, coloque-se no lugar do outro;

- O desligamento não pode ser uma surpresa para o funcionário, o líder deve sinalizar o profissional através de feedback referente ao desempenho ou compartilhando informações indicativos ao cenário da empresa;

- Contrate uma consultoria para realizar com ele um programa de outplacement ou disponibilize um profissional do RH da empresa para dar apoio emocional, elaborar o currículo, emitir carta de recomendação e orientá-lo;

- Antes de realizar o desligamento, busque se informar sobre a trajetória profissional do funcionário, seus legados, tempo de empresa, o enxergue como ser humano e não como um número. Não tenha medo de admitir que essa situação difícil para você também.

Antes, analise de forma estratégica, se a situação do colaborador é para demissão ou desenvolvimento.



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