Uma das passagens bíblicas mais contundentes e emocionantes, a meu ver, é a conversa de Jesus com uma mulher samaritana. O evangelista João narra esse inusitado episódio, no qual um homem e uma mulher – de povos inimigos e imersos em uma sociedade que desfavorecia a mulher enquanto pessoa – estabelecem um diálogo que mudaria a vida dessa mulher para sempre. 

Se você ainda não teve a oportunidade de ler essa passagem, recomendo ver o capítulo quarto do evangelho citado. E por que citá-la? Recorro a esta história para estabelecer um paralelo entre algumas lições possíveis de serem tiradas desse trecho bíblico com o exercício do Life Coaching, conceito ainda tão pouco compreendido por muitos e, ao mesmo tempo, um poderoso instrumento para transformação de vidas. Ser “Coach de Vida” é, em última análise, agir como um catalisador de mudanças profundas e duradouras na vida de nossos Coachees.

Jesus iniciou a conversa por meio de um inesperado pedido: “Dá-me de beber”. Um rogo intrigante de um judeu para uma samaritana, que, segundo o próprio texto diz, não se comunicavam. A mulher responde desconfiada, mas não fica indiferente. Primeira possível lição para quem deseja ser um grande Life Coach: não desprezar as oportunidades de diálogo com quem quer que seja. A palavra certa na hora certa pode despertar o interesse das pessoas por você.

Vendo que havia encontrado uma brecha para prosseguir no diálogo, Jesus é enfático quanto a quem ele é: “Se conhecesses quem é que te diz: ‘Dá-me de beber...” Ele começa a se revelar, ao mesmo tempo que o rapport vai sendo estabelecido aos poucos. E o tom da mulher, antes grosseiro e desconfiado, começa a mudar. Segunda possível lição para quem deseja ser um grande Life Coach: tenha a certeza de quem você é e do que é capaz de fazer. Tenha claro em sua mente e em seu coração a sua missão.

A mulher, então, revela uma séria desconfiança: “És porventura maior que nosso Pai Jacó? ” Quem deseja estabelecer-se como Life Coach no mercado vai deparar-se continuamente com descrenças e dúvidas daqueles que não o veem como um profissional distinto dos demais e de altíssima relevância para o atingimento de metas pessoais

E Jesus respondeu assim: “Quem beber da água que eu lhe der jamais terá sede”. Ele sabia muito bem a diferença entre a água do poço e a “água” que ele tinha para oferecer. Terceira possível lição para quem quer ser um grande Life Coach: para além de saber o que não é Coaching – não é terapia, não é consultoria, não é mentoria, não é aconselhamento – é essencial saber o que é Coaching e qual a “água” que temos para oferecer. A nossa diferença crucial para terapeutas, psicólogos, mentores e conselheiros está em oferecer um atendimento profissional certificado e individualizado, cujo objetivo é fazer com que o coachee, por meio de ferramentas adequadas e perguntas bem elaboradas, descubra por si só as soluções e as saídas para suas demandas pessoais, sem direcionamentos e induções.

O diálogo encerra-se então com o rapport estabelecido e com a mulher convencida daquilo que Jesus falava. Não contente em guardar para si mesma a experiência vivida, correu para “fazer propaganda” daquele judeu que havia tocado profundamente a sua alma. Quarta possível lição para quem quer ser um grande Life Coach: o trabalho bem feito com um coachee é porta aberta para a vinda de outros, que por ele ficarão sabendo das “maravilhas” ocorridas em sua vida e que foram proporcionadas pelo Coaching.

O objetivo deste texto não é, absolutamente, fazer proselitismo ou promover um debate religioso. Quis, através de um trecho bíblico significativo, traduzir minhas impressões, reflexões e aprendizados como Life Coach recém-formada. 

Há um longo caminho a ser percorrido nessa nova forma de atuação profissional que escolhi. E sei que não posso prescindir de conhecimentos já adquiridos para incrementar positivamente essa jornada.



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