Sua missão e propósito no coaching
Tive uma infância bem gostosa fazendo traquinagem, brincando muito na rua de esconde-esconde, pé na lata, jogando bola e outras tantas brincadeiras que já ficaram no esquecimento, afinal a era digital trouxe transformações que devem ser analisadas.

Bem, mas o que eu quero mesmo falar é que a despeito disso tudo comecei a trabalhar muito cedo. Com 11 anos de idade tive oportunidade de encher uma cesta de mangas e sair vendendo na cidade.

É certo que vendia pouco, pois morava em uma cidade pequena e o que as pessoas mais tinham em seus quintais eram pés de mangas, e você deve concordar comigo que perde um pouco, ou bastante, o objetivo das vendas.

Não sei bem o que era, mas já tinha aprendido que desde cedo precisamos caminhar, afinal o dito popular fala que: “cobra que não caminha não engole sapo”, e então mudei o produto de venda.

Na casa de minha avó Izabel tinha alguns pés de limão. Na década de 80 os leites eram comercializados em tambores e os leiteiros utilizavam carroças para o transporte. Eles pegavam uma caneca de alumínio, enchiam de leite direto do tambor e então despejavam na vasilha que levávamos de casa. O pagamento era feito no início do mês seguinte, na tal “caderneta”.

Mas já havia também os saquinhos plásticos de leite tipo “B” ou “C”, e que na verdade eu só conhecia tipo “C” por ser o mais barato. Minha avó guardava esses saquinhos e eram eles que eu utilizava, depois de lavá-los, para vender os limões.

Lembro bem que minha avó também recortava os saquinhos de maneira que se tornassem fios lineares para que ela pudesse tricotar e assim fazia tapetes de saquinhos de leite. Um de meus clientes relatou para minha mãe que comprava os limões apenas para me ajudar e incentivar minha atuação, afinal uma grande maioria de moradores também tinha pés de limão em seus quintais.

Depois disso trabalhei em uma auto elétrica de veículos, no qual eu era chamado de “baixinho” e me lembro que sempre procurava varrer o salão da oficina e deixá-lo brilhando, rapidamente, para ter tempo de aprender mais. Era muito curioso e queria aprender tudo. Eu queria ter a habilidade de resolver o defeito dos carros, como faziam os mais velhos. Alguém falava o problema e rapidamente eles já davam o diagnóstico e consertavam.

Depois fui para outro emprego, em que eu enchia garrafas plásticas de “água sanitária”, que chamam até hoje de “Qboa”, e que na realidade é uma marca do produto. Tínhamos que estar atentos, pois todo o trabalho era manual. Segurávamos uma mangueirinha de onde saía a água sanitária na boca da garrafa e tínhamos que adivinhar quando ela estava cheia, para tirá-la rapidamente.

Muitas vezes o “time” não era adequado e a “Qboa” espirrava para todos os lados. Respingava nos olhos, nas mãos, nos braços, e imaginem as roupas como ficavam: todas manchadas de branco. Mas nada disso nunca foi problema, buscávamos alguns artifícios para evitar que isso acontecesse e procurávamos sempre melhorar.

Descrevi tudo isso pois hoje fica claro o porquê de buscar minha formação em coaching. Sempre, mesmo inconsciente, busquei criar estratégias, tanto para mim como para outros que estavam à minha volta.
 

Escala de perguntas poderosas


Sair do estado atual e crescer, atingindo o estado desejado fazia todo sentido naquela época. Entender quando, onde e o quê, faziam todo significado quando eu saía para vender os limões. “O que” eu venderia (limões ou mangas). “Quando” eu venderia (antes da escola) e “onde” (nas ruas circunvizinhas), faziam toda diferença.

Acessar minhas competências em oferecer o produto, em convencer as pessoas a comprarem, já que quase todos tinham mangas e limões em suas casas, e ter a estratégia certa poderia ser a diferença entre vender ou voltar com tudo para casa.

As minhas motivações eram reais e vivas, queria ter algum dinheiro para que eu pudesse comprar guloseimas, afinal chocolate e iogurte naquela época não era tão comum como hoje. As permissões que eram trabalhadas em minha mente eram a de que eu tinha tempo, minha mãe trabalhava fora e não tinha muito controle sobre minhas andanças, então: mãos à obra faturar.

Quando penso em minhas ambições, em ganhar o meu dinheiro e comprar o meu chocolate e o meu iogurte, aquilo fazia meus olhos brilharem, deixando para trás a vergonha e qualquer outro sentimento.

Minha visão, acredito hoje, ia bem mais longe, talvez por instinto ou por vontade de Deus, mas era a de que eu queria fazer o melhor, a de que eu queria fazer algo que mudasse o meu futuro. A impressão que tenho é que a escala de perguntas poderosas transitava a todo instante em minha mente.

Penso que naquela época não se usavam alguns vocábulos, mas com certeza eu já queria ter um aumento de produtividade em minhas vendas, e queria ter um desenvolvimento da inteligência organizacional para poder fazer minhas vendas, ir para escola, e principalmente, brincar na rua.

Ganhos e performance eram importantes e vinham naturalmente, afinal uma criança de 11 anos ter dinheiro, entrar no mercado e comprar suas guloseimas, em 1981, era incrivelmente delicioso. Lembro até mesmo que meu cachorro Rex se deliciava com as sobras, lambendo os potes de iogurte e comendo pequenas lascas de chocolate.
 

Nosso futuro


Hoje quando vejo todos nós utilizando ferramentas e estratégias para “apoiar algumas pessoas a identificarem e criarem seus estados desejados, desenvolvendo e acessando seus recursos interiores” fico fortemente emocionado ao saber que tudo aquilo foi parte da minha jornada, como deve ser a de muitos que estão lendo esse artigo agora, e que de maneira positiva contribuíram para a formação de nossas crenças e valores que me permitem hoje alçar voos ainda maiores que encher uma simples garrafa de “água sanitária”.

Saber que hoje precisamos pensar apenas nos momentos presente e futuro e que temos que apoiar as pessoas a acessarem seus recursos internos faz todo sentido, afinal fomos criados a imagem e semelhança de Deus. Temos o DNA dEle. Somos a excelência de Sua criação.
Tenho a convicção que fará todo sentido investir nossos melhores esforços para apoiar o crescimento de outras pessoas.

Acredito que nosso desenvolvimento humano, não só como coaches, mas como seres humanos em desenvolvimento, guarda relação direta com o desenvolvimento da sociedade e dos núcleos que estamos inseridos.

Gerar autonomia e independência, com perguntas assertivas, e com 0% de julgamento.

Então, bom trabalho e vamos para a ação!



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