O primeiro estágio, de autoexame, trata de apoiar o coachee na identificação e neutralização de comportamentos e condicionamentos inadequados, uma vez que costumam ser eles os verdadeiros sabotadores do crescimento pessoal. A origem desses comportamentos e condicionamentos está no sistema de crenças de cada indivíduo. Esse sistema é construído através da experiência pessoal, das referências do meio em que a pessoa vive, da educação que recebeu, de momentos marcantes que vivenciou e também de seu desenvolvimento intelectual. Entretanto, quando trazidas para o sistema de crenças, as referências nem sempre representam uma leitura fidedigna da realidade. O estado emocional em que nos encontramos em determinado momento da vida pode influenciar a interpretação que damos aos eventos ocorridos naquele período, e, portanto, o aprendizado resultante. Além disso, o ser humano tende a fazer generalizações a respeito de resultados obtidos, levando a aplicação do mesmo conceito em contextos que podem ser totalmente diferentes.

No estágio do autoexame as crenças são colocadas à prova, são validadas buscando fatos e evidências que as confirmem ou refutem. Nessa fase, o coach promove discussões que levam o coachee a uma profunda reflexão acerca de situações e contextos que possam ter moldado seu sistema de crenças, bem como seu respectivo reflexo na formação de hábitos e atitudes. Para que um velho hábito seja mudado, é fundamental que o coachee o reconheça como algo prejudicial a seu desenvolvimento. O primeiro ciclo é, portanto, totalmente pautado em autoconhecimento.

Uma vez concluída a fase de autoexame, o coachee estará pronto para identificar suas prioridades e possibilidades de crescimento pessoal. Abandonando comportamentos limitadores, ele será capaz de abrir espaço para adotar uma atitude mais positiva e assertiva, para utilizar seus pontos fortes como meio de alavancagem, bem como desenvolver competências estratégicas que o apoiem e fortaleçam. A questão chave para o coachee nesse momento é assumir responsabilidade pelo processo de transformação. A adoção de novos hábitos requer disciplina e comprometimento. É necessário que o cliente tenha em mente que é de sua integral responsabilidade manter-se firme em seu propósito, apesar das dificuldades que possam surgir. O coach será um mediador, um facilitador, mas o movimento de mudança será sustentado pelo engajamento do coachee em relação ao processo.

O estágio mais avançado do processo, o desenvolvimento transpessoal, inicia a partir do momento em que o indivíduo adquire maior autoconsciência. Ao compreender mais a respeito de si próprio, estará pronto para avançar em questões que exijam maior profundidade em suas reflexões. É durante esse estágio que começará a prestar atenção e conhecer mais a respeito das pessoas com quem se relaciona. Assim sendo, é também a oportunidade para desenvolvimento de competências de relacionamento tais como empatia, tolerância e escuta atenta. Nas organizações, as pessoas que possuem essas competências destacam-se dos demais, estão mais preparadas para obter o melhor resultado em situações adversas e acabam tornando-se referências positivas, não raramente motivando e inspirando os demais.

Certamente esse processo não deve ser assumido como uma linha reta ou algo cujo curso e ritmo possa ser pré-determinado. Tampouco segue a lógica 1, 2 e 3, pois os estágios podem se sobrepor. Nenhuma jornada de desenvolvimento humano tem fim, mas o caminho é rico em aprendizado e significância para aqueles que se dispõem a percorrê-lo. Para entender, é preciso começar. E você, já começou a sua?



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Melissa Fernandes Lirmann

Life Coach

Economista, Especialista em Gestão Estratégica e Membro da Sociedade Latino Americana de Coaching. Mais de 15 anos de vivência em empresas multinacionais de renome, com atuação em gestão de equipes, vendas, planejamento estratégico, desenvolvimento de negócios e inteligência de mercado.