Diante dos últimos acontecimentos políticos, uma questão se colocou muito forte para mim. Coach pode manifestar opinião política? E os possíveis futuros clientes que não compactuarem com nossas ideias? Podemos correr o risco de perder esta possível clientela? Depois de muito pensar e me angustiar com esta questão, dividindo com diversos colegas muitas reflexões sobre isso, escrevi um artigo e postei em todas as minhas redes, não levantando bandeiras, nem atacando um lado e defendendo outro. Não é este o papel que nos cabe como coaches. O nosso papel como coaches é apoiar os nossos coachees a ressignificarem o que não está bom nas suas vidas e precisa ser melhorado. E o que é este momento político por que passa a sociedade brasileira? Nada mais que um excelente momento para ressignificar o que ainda está ruim por aqui. Desconfio que o Brasil está passando por um processo de coaching.

Fiz um artigo convidando à reflexão sobre o que queremos como cidadãos. Somos seres políticos e não podemos ficar indiferentes a um momento como este, sob o risco de sucumbirmos numa insanidade sem volta. Não se trata de se posicionar a favor de um e contra outro. Trata-se, antes de mais nada, de nos alinharmos com o que acreditamos e faz sentido para nós. Quando comecei a trabalhar com coaching, aprendi, e levo esta ideia a todos os meus coachees, que precisamos saber qual é o quebra-cabeça que queremos construir para nossa vida. E daí, diariamente, devemos escolher as peças que melhor se encaixam para completar esta fotografia.

E cada uma destas ações estará impregnada dos valores que governam nossas decisões. Porque é assim que se constrói uma vida com integridade.

Os que ainda defendem o governo têm as suas razões históricas e ideológicas para fazê-lo, embora os que chegaram aos altos cargos da Nação já tenham, há muito, se esquecido dos ideiais que diziam ter e que os levaram até lá.

Os que se colocam contra o governo acompanham estarrecidos os fatos que se desenrolam transformando o país, a princípio, num caos. E mais estarrecidos ficam, quando se deparam com pessoas que ainda se apegam a afirmações de que a corrupção sempre existiu e não é exclusividade do partido que governa o país.

A corrupção sempre existiu, sim, e não era esse partido que lutava incansavelmente contra isso e dizia que era diferente dos outros? É exatamente este sentimento de traição que não faz sentido para os que agora se posicionam contra o caos que vem reinando no país por conta destes acontecimentos.

Os últimos dias têm sido muito tristes para os brasileiros que estão dizendo basta para a hipocrisia que se instalou neste país há algum tempo. E é lamentável que muitos se atenham à forma mais do que ao conteúdo. Ilegal é a forma como o grampo foi feito? Ou imoral é o conteúdo que daí resultou? Forma por forma também não me parece legal e lícita a que foi usada para se antecipar uma posse ministerial com o objetivo claro de se mudar o foro processual e a instância judicial correspondente.

E a forma desrespeitosa de se referir aos dirigentes dos Poderes Judiciário e Legislativo por parte de integrantes do Poder Executivo? Aprendemos, a duras penas, que o Estado Democrático de Direito pressupõe independência entre os poderes, mas principalmente respeito às instituições democráticas e, essencialmente, ao povo da Nação que representa. Não me parece que foi o que vimos e ouvimos numa conversa telefônica entre a mais alta autoridade do país e a que já tinha ocupado este cargo e no dia seguinte estaria ministro.

A corrupção sempre existiu, mas só há uns tempos começamos a vê-la sair das sombras e desfilar à nossa frente. É um bom sinal, com certeza. Só quando há luz é que conseguimos ver a sujeira que se esconde, na escuridão dos ambientes, pelos cantos da casa ou foi varrida para debaixo do tapete. Assim também no Brasil. O que está sendo desvendado e aparecendo ajuda a trazer clareza para o que está acontecendo. Afinal, luz não tem sombra e é com sua ajuda que conseguimos começar a limpeza e fazer uma faxina bem feita.

E é também somente com clareza que conseguimos enfrentar nossos fantasmas e, com autoconhecimento, descobrir os nossos melhores recursos internos para fazer a mudança necessária que queremos na nossa vida. É assim que funciona o processo de coaching, que trabalha o tempo todo com ressignificação do negativo para o positivo. E é assim que eu vejo o nosso papel como coaches neste momento político. Não nos preocupando com as implicações mercadológicas do nosso posicionamento como seres políticos que somos. Mas principalmente tendo a coragem de conclamar as pessoas a pensarem e despertarem suas consciências, porque qualquer mudança profunda, seja interna ou externa, tem que começar com conscientização.

Mantenhamos a reflexão sobre o que está acontecendo. Mantenhamos o equilíbrio para não permitir que sejamos manipulados pela mídia. Mantenhamos, sobretudo, a esperança de que a transformação surge do caos, que é do fundo do poço que se toma impulso para sair do buraco, que é na vivência total do luto que superamos as perdas.

Mantenhamos, acima de tudo, a sanidade de não fingir que não estamos vendo o que está acontecendo. Somos cidadãos e queremos o bem deste país e da sociedade que vamos deixar para nossos filhos e netos. Façamos a nossa parte, mas façamos com consciência, determinação e coragem.



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