Criei coragem, levantei e fui em direção a ele. Tinha apenas 12 anos. O colégio ficava em Gravataí, na Grande Porto Alegre, onde morava na época. Respirei fundo e disse: “Professor, não quero mais ser o líder da turma. Acho que não estou fazendo um bom trabalho”.

Nascia, naquele minuto, o Khaled que se cobrava de mais. Nem sempre desistir é ruim. Em alguns casos, isso pode significar que você abriu caminho para novos desafios, novas experiências. Senti que tinha dado a minha contribuição e queria partir para outra.

Fiquei feliz e emocionado com o feedback. O professor não me deixou sair. Minha decisão já estava tomada e, até aquele momento, permanecer já não era mais uma opção. Porém, ele achou aquilo tudo um exagero e disse que eu deveria manter a responsabilidade.

Naquele mesmo ano, houve uma tradicional gincana no colégio. Minha colega e eu decidimos sair em busca de patrocínio nas lojas do centro da cidade. Definimos um valor, elaboramos um texto de apresentação e fizemos as abordagens necessárias.

A receptividade dos comerciantes foi melhor do que eu esperava. Em pouco tempo, já havíamos juntado dinheiro suficiente para as camisetas. Providenciamos tudo sem a intervenção direta de um adulto. Inclusive a questão da serigrafia.

O resultado da turma na gincana foi medíocre. Não éramos o que se pode chamar de bons atletas, a começar por mim. Mas participamos com dignidade e mostramos como crianças relativamente maduras podem ser capazes de obter resultados interessantes.

Quando nós crescemos, aparecem em nossa mente medos que nos impedem de prosseguir. Por que não resgatar situações da nossa infância em momentos como esse? Uma pergunta que se faz na sessão de coaching tem relação com isso.

O coach questiona: “O que você fez no passado que, se fizer de novo, pode te aproximar da tua meta?”. O mais bacana desse processo é perceber que as respostas estavam ali o tempo todo, dentro de nós. Trata-se de uma maneira de trazê-las para a superfície.

Há feitos que não conseguiremos repetir, como comprar Kinder Ovo a 1 real. Só que podemos nos lembrar de quando organizamos uma festa junina ou um campeonato de futebol. Episódios como esse podem representar o nascimento de quem somos.


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KHALED SALAMA

Master Coach

Khaled Salama é jornalista, executivo, palestrante e coach. Escreve semanalmente sobre mundo corporativo para diversos veículos de comunicação. As palestras são nas áreas de atendimento ao cliente, trabalho em equipe, liderança e motivação. Para a trajetória completa e mais informações, acesse o site: www.khaledsalama.com.br.