Relata que os almoços em família eram um sacrifício. As pessoas que mais amava sempre perguntavam se não iria arrumar um emprego formal. Em determinado momento, quando já havia começado a fazer sucesso e a ter retorno financeiro significativo, surgiu a gota d’água.

A mãe dele disse algo parecido com isso: “Filho, legal esse seu site. Mas você não vai, tipo, arranjar um trabalho mesmo?”. Irritado com aquilo, Kipp foi taxativo: “Eu te amo muito. No entanto, se a senhora fizer essa pergunta novamente, eu nunca mais venho vê-los”.

A partir daquele dia, ela não tocou mais no assunto. E o jovem prosseguiu com o caminho de sucesso. A mãe não fez por mal. É que, em geral, as pessoas olham apenas para a questão da segurança financeira. Qualquer coisa fora disso, pensam, é loucura.

Só que é preciso ser louco para empreender, especialmente no Brasil. Se alguém ao nosso redor apresenta esse parafuso a menos, precisamos incentivar e não encontrar empecilhos. Afinal, o empreendedor é maluco até dar certo. Depois, vira alvo de inveja.

Um amigo me contou que, quando abriu a empresa dele, um tio veio visitá-lo. No entanto, todo o dinheiro que tinha estava aplicado no negócio. Não era possível tirar verba para entretenimento. Levou o parente para a praia, mas não comprou nem uma cerveja.

Anos depois, a iniciativa deu certo e o faturamento disparou. Ele reencontrou esse tio, que deu o seguinte depoimento: “Naquela visita, fiquei preocupado. Achei que vocês haviam feito um mau negócio”. O tempo provou que foi uma decisão acertada largar tudo para empreender.

No premiado artigo “O preço psicológico do empreendedorismo”, a revista Inc afirma: “Ninguém disse que construir uma empresa é fácil. Porém, é hora de ser honesto sobre o quão brutal isso pode ser e o preço que fundadores pagam secretamente”.

A lista inclui, inclusive, pensamentos suicidas. “Para complicar as coisas, os novos empreendedores muitas vezes tornam-se menos resistentes por negligenciar a sua saúde. Eles comem demais ou muito pouco. Eles não dormem o suficiente”, explica o texto.

Por essas e outras, ressalto que é preciso respeitar e apoiar quem optou pelo risco. Poucos fazem isso. É dessa pequena parcela, porém, que vão sair grandes inovações. Negócios que vão encantar clientes. Quando esse ponto chegar, tudo fará sentido.



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KHALED SALAMA

Master Coach

Khaled Salama é jornalista, executivo, palestrante e coach. Escreve semanalmente sobre mundo corporativo para diversos veículos de comunicação. As palestras são nas áreas de atendimento ao cliente, trabalho em equipe, liderança e motivação. Para a trajetória completa e mais informações, acesse o site: www.khaledsalama.com.br.