O lado brutal do empreendedorismo Em uma interessante entrevista para o canal da coach Marie Forleo no YouTube, o empresário Mastin Kipp dá um panorama do que sofre alguém que decide se tornar um empreendedor. Ele é fundador do site thedailylove.com, que aborda a questão do crescimento pessoal.

Relata que os almoços em família eram um sacrifício. As pessoas que mais amava sempre perguntavam se não iria arrumar um emprego formal. Em determinado momento, quando já havia começado a fazer sucesso e a ter retorno financeiro significativo, surgiu a gota d’água.

A mãe dele disse algo parecido com isso: “Filho, legal esse seu site. Mas você não vai, tipo, arranjar um trabalho mesmo?”. Irritado com aquilo, Kipp foi taxativo: “Eu te amo muito. No entanto, se a senhora fizer essa pergunta novamente, eu nunca mais venho vê-los”.

A partir daquele dia, ela não tocou mais no assunto. E o jovem prosseguiu com o caminho de sucesso. A mãe não fez por mal. É que, em geral, as pessoas olham apenas para a questão da segurança financeira. Qualquer coisa fora disso, pensam, é loucura.

Só que é preciso ser louco para empreender, especialmente no Brasil. Se alguém ao nosso redor apresenta esse parafuso a menos, precisamos incentivar e não encontrar empecilhos. Afinal, o empreendedor é maluco até dar certo. Depois, vira alvo de inveja.

Um amigo me contou que, quando abriu a empresa dele, um tio veio visitá-lo. No entanto, todo o dinheiro que tinha estava aplicado no negócio. Não era possível tirar verba para entretenimento. Levou o parente para a praia, mas não comprou nem uma cerveja.

Anos depois, a iniciativa deu certo e o faturamento disparou. Ele reencontrou esse tio, que deu o seguinte depoimento: “Naquela visita, fiquei preocupado. Achei que vocês haviam feito um mau negócio”. O tempo provou que foi uma decisão acertada largar tudo para empreender.

No premiado artigo “O preço psicológico do empreendedorismo”, a revista Inc afirma: “Ninguém disse que construir uma empresa é fácil. Porém, é hora de ser honesto sobre o quão brutal isso pode ser e o preço que fundadores pagam secretamente”.

A lista inclui, inclusive, pensamentos suicidas. “Para complicar as coisas, os novos empreendedores muitas vezes tornam-se menos resistentes por negligenciar a sua saúde. Eles comem demais ou muito pouco. Eles não dormem o suficiente”, explica o texto.

Por essas e outras, ressalto que é preciso respeitar e apoiar quem optou pelo risco. Poucos fazem isso. É dessa pequena parcela, porém, que vão sair grandes inovações. Negócios que vão encantar clientes. Quando esse ponto chegar, tudo fará sentido.



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