O jogo interior e o teste de direção
No teste de carro meu filho passou de primeira, mas ao realizar o teste de moto, apesar de ter decorado todo o circuito, alguma coisa acontecia na hora da prova que fazia com que não tivesse sucesso, e por esse motivo ele chegou a desistir e entrou numa fila enorme do DETRAN para mudança da categoria. 

Eu havia acabado de ler o livro “O Jogo Interior de Tênis” e praticamente o icei da fila com a promessa de que eu iria ajudá-lo a passar no próximo teste. E mesmo incrédulo, ele deu seu voto de confiança.

No livro é citado a teoria de Gallwey, que de uma forma muito inovadora ao invés de propor técnicas de jogo se concentra no fato de que todo jogo é composto por duas partes: exterior e interior. O exterior é disputado contra os oponentes e é repleto de eventos inesperados e já o interior acontece dentro da mente do jogador, sendo seus principais obstáculos: a insegurança e a ansiedade.

Como primeiro passo propus a seguinte analogia: Pedi que ele abrisse a porta da sala onde estávamos. Ao que atendeu imediatamente. Em seguida perguntei o que ele tinha pensado antes de abrir a porta, e o que recebi de resposta foi que ele não pensou em nada, que simplesmente abriu. Continuando a conversa o questionei do motivo, e o retorno obtido foi que meu filho já sabia o procedimento e não precisou de nenhum comando mental, simplesmente foi lá e fez.

Para aprofundar no ocorrido, continuei as perguntas, mas dessa vez voltada ao teste de moto: “O que você pensa quando vai fazer o teste de moto?”. E, a resposta do meu filho foi: “Ah, eu penso: Não vai colocar o pé no chão, presta atenção na curva, não esquece de dar o sinal com a seta para a esquerda, agora para a direita e etc.”.

“E o que acontece em seguida?”, tentando aprofundar no problema. “Eu fico nervoso e sem querer coloco o pé no chão e em seguida eu penso: Já era! Você não vai conseguir! Desiste logo!”, completou meu filho.

O que fizemos aqui foi aumentar a sua percepção acerca de si mesmo, sem autojulgamento, e com esse desprendimento reduzimos em muito a ansiedade e, por tabela, o estresse, com o objetivo de obter um desempenho mais espontâneo com resultados positivos. 

Então nosso primeiro exercício foi fazer o todo o percurso do circuito do teste, mentalmente por várias vezes. Isto é tão efetivo, pois o nosso cérebro não distingue o real do imaginário, então funciona realmente como um treinamento. 

Na sequência “silenciamos a mente” na hora da prática. Assim como no comando de “abrir a porta”, ele deveria simplesmente fazer aquilo que já sabia. Fizemos o exercício na prática antes de marcar um novo teste. E simplesmente funcionou! 

Ou seja, o objetivo estava pré-estabelecido e muito claro em sua mente. O fato de saber exatamente como deveria ser feito evitou que tentasse fazer várias coisas diferentes ao mesmo tempo. Por fim, num curto espaço de tempo, desenvolveu a autoconfiança, acreditando no próprio potencial. 

Uma nova prova foi marcada e agora foi aprovado com sucesso! 



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