Lição de Coaching ensinada por uma criança
Ao acompanhar o desenvolvimento de minha neta que acabou de completar seu primeiro ano de idade e inicia seus primeiros passos, pude observar o quanto a teoria apresentada por Tim Gallwey em seu livro “O Jogo Interior do Tênis” tem aplicabilidade em nosso dia a dia.

Segundo Tim Gallwey cada indivíduo é composto dois seres que ele define como ser 1 e 2. O primeiro é aquele que pensa e age de forma racional, fazendo julgamento de si mesmo, premeditando e calculando suas ações, enquanto o ser 2 é o dono da mente inconsciente e do sistema nervoso e que conhece as melhores formas de executar suas ações de maneira espontânea o que poderá os tornar mais eficiente e eficaz. 

Assim, os indivíduos adultos utilizam o ser 1 com muito mais intensidade sobrepondo as ações do ser 2. Tal fato é refletido no desempenho das pessoas que deixam de desenvolver suas capacidades ou mesmo de otimizar seu potencial com reflexos diretos em seus resultados. E como aprimorar seu desempenho?

Como tudo na vida, o ideal é a busca do equilíbrio. De acordo com autor “a harmonia entre os dois seres acontece quando esse pensamento está silencioso e focado em algo”. Somente desta forma se chega a um alto desempenho. 

Esse ápice acontece quando o indivíduo consegue agir livre de seu autojulgamento, bem como quando desenvolve a habilidade de focar em seu objetivo principal. Desta forma, ele consegue ser espontâneo, atingindo resultados positivos.

Após abordarmos, em linhas gerais, a teoria do Jogo Interior apresentada por Gallwey, uma filosofia que excede o mundo esportivo e tem aplicabilidade em áreas como empresas ou estilo de vida de um indivíduo é que fazemos a analogia ao desenvolvimento de uma criança.

A criança de um ano de idade que começa a desenvolver sua habilidade para caminhar está livre de julgamentos e de pensamentos coercitivos. Nesse momento seu ser 2 está em plena atividade, descobrindo que ao ficar em pé e coordenar algumas passadas ela começa a se locomover de forma muito mais eficiente do que ela vinha utilizando quando apenas engatinhava. 

A situação de ela cair ao chão na tentativa de uma sequência de passos mais arrojados não é um fato depreciativo ou restritivo que a faça parar de tentar, ou seja, apenas ela terá a preocupação de se levantar para uma nova sequência de passadas. Agindo dessa forma a criança consegue desenvolver sua habilidade de caminhar e em pouco tempo estará correndo com pleno domínio. 

Para os indivíduos adultos conseguir o equilíbrio entre o ser 1 e 2 demandará mais trabalho, pois o conjunto de experiências vividas, a grande preocupação com o que os outros possam pensar e até mesmo o grau de exigência consigo mesmo fará que essa tarefa não se torne tão fácil. 

Porém, ressalto que apesar de não tão fácil, não é impossível. A pessoa que desenvolve o domínio dessa teoria, que possui um alto nível de determinação e que pratica a habilidade de focar em seus objetivos, conseguirá esse equilíbrio e certamente os reflexos positivos virão em seus resultados.

Assim, enquanto coach devemos atentar para não incorrer em ações de nossa parte que se traduzam em julgamentos ou falta de confiança em relação aos nossos coachees, ou seja, devemos sempre acreditar e apoiar o máximo dessas pessoas buscando na maioria das vezes o seu potencial interior que pode estar, temporariamente, cerceado pelo seu ser 1.



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