O inconsciente foi revelado por Sigmund Freud e vem sendo estudado “por todos” desde então. Ele não pode ser comprovado, mas ao mesmo tempo sabemos que existe, porque o reconhecemos em nós mesmos. Ele não pode ser mensurado objetivamente, mas acredita-se que nele se armazenam cerca de 90% de nossos conteúdos (informações, experiências) e os demais 10% na consciência. Carl Gustav Jung, contemporâneo de Freud, dedicou sua vida ao entendimento da relação entre a consciência e o inconsciente, sendo esta ao mesmo tempo simples e complexa.

Simples porque se trata de um mecanismo onde tudo que aprendemos de forma consciente é armazenado posteriormente no inconsciente, como se estivesse em um “pen drive” ou “na nuvem”, podendo sempre ser acessado, mas de forma menos imediata. A esse processo se dá o nome de recalque. Quando necessário, você simplesmente pensa por alguns instantes no que deseja lembrar e isso novamente volta à sua consciência. Talvez lembrar a cor do esmalte da esposa seja uma tarefa difícil, mas certamente você se lembraria com mais facilidade onde deixou a chave do seu carro.

Ao mesmo tempo esse mecanismo é complexo, porque o conteúdo do inconsciente influencia nas decisões sem necessariamente passar pela nossa consciência, agindo de forma semelhante ao instinto. Por isso que, por exemplo, após lembrar onde estavam as chaves do carro, você não precisará se lembrar de como dirigir, você simplesmente dirige. Isso também demonstra que é a repetição que torna um comportamento em uma competência, algo que flui, que “está no sangue”.

Por outro lado, muitos conteúdos que são recalcados provém de experiências ruins ou aprendizados incorretos, que criam vícios de comportamento e de pensamento. Por exemplo, uma criança que é punida pelos pais toda vez que chora, sente raiva ou grita, aprende que não deve expressar o que sente e agirá sob essa premissa. Alguém que sofreu um trauma, como a traição de um cônjuge, aprende a não confiar e manter distância em seus relacionamentos futuros, fazendo com que estes tendam ao fracasso.

Essas atitudes podem ser inconscientes, parecendo serem instintivas, ou podem ser atitudes conscientes, mas atreladas a alguma ideia do seu inconsciente. Portanto, alguém que se afasta dos relacionamentos ou não expressa suas emoções pode saber que faz isso, sem saber a razão de agir assim, simplesmente aceitando que essa seria a sua natureza.

Somos o resultado de nossas experiências e estas são influenciadas por nossa educação familiar e sociocultural. Se o sistema é a família e a sociedade, o seu questionamento desse sistema é então fundamental para compreender com quais paradigmas é preciso romper e quais verdades devemos aceitar. Por essa razão o passado é de grande interesse para os terapeutas, pois ele revela não apenas traumas, mas também paradigmas errôneos, falácias que influenciam nossas atitudes e pensamentos.

A relação disso com o Coaching, já que o mesmo não é terapia, é simples: a metodologia aciona o seu inconsciente através de perguntas que colocam você em xeque com sua visão, missão, ambições e atitudes. A finalidade nunca é o passado, nem as desculpas para você ser de uma determinada forma. O foco é conscientizar quais são os seus valores e comportamentos. Não basta saber o que você quer, é preciso saber porquê você quer, como isso o motiva e o que você está disposto a fazer para alcançar seu objetivo.

Por isso o Coach precisa ajudar você a ter consciência sobre o que precisa mudar, já que para realizar seus objetivos, é preciso acreditar, ter foco e ser disciplinado. Para que isso seja possível, diferentes áreas da sua vida serão afetadas através de seus comportamentos. Não importa porque você fazia algo antes, o que importa é o que você está disposto a fazer de agora em diante. O seu passado não pode ser alterado, mas o seu presente e futuro podem exigir de você um novo agir.

A sua visão de mundo é o que você quer para você, sua família, sua profissão e a sociedade ao seu redor. A sua missão é o que você vai fazer para construir esse mundo, seu ímpeto para realizar e viver conforme sua visão, que acarreta em seu legado.

O seu legado é o que fica após sua morte, é como você será lembrado. Algumas pessoas desejam deixar algo para os filhos, como educação e dinheiro. Outros desejam deixar algo para a sociedade, como conhecimento, produtos, artes ou monumentos. E há os que desejam apenas aproveitar a vida da melhor forma possível, sem a preocupação de deixar nada.

A meta trabalhada precisa então estar condizente com a sua visão, missão e ambição. Por isso é preciso tomar consciência das suas ações e rever atitudes. Você terá mais consciência sobre você mesmo e será capaz de ser mais assertivo em suas ações. E buscará ter eficiência e eficácia, porque terá foco e disciplina para buscar seu Estado Futuro.


Reflita agora sobre seu inconsciente:

O que você faz conscientemente e depois diz “eu sou assim e pronto, é a minha natureza e jeito de ser”?

Qual a sua visão do mundo? Seu mundo é sua família, sua profissão, a sociedade ao seu redor, é o mundo que você quer viver.

Quais os seus valores e como ele influencia a sua visão? Pense no que é importante para você e se vive de acordo com isso.

Qual a sua missão? Ou seja, o seu legado, seu ímpeto de realização para a sua visão.

Sua meta atual está alinhada e o aproxima da sua visão e missão?

Qual a sua ambição? Ou seja, o seu papel nesse novo mundo e de que forma isso o motiva, quais benefícios/ganhos isso te traz.

Suas atitudes atuais o levam ao seu objetivo? Reflita sobre os comportamentos e atitudes que você precisa ter a partir de agora.



Informamos que esse texto é de inteira responsabilidade do autor identificado abaixo.

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Marcelo de Albuquerque Ignacio Domingues

Life Coach

- Professional Coach (SLAC), Mestre em Ciências Econômicas (UFRJ), Agente Autônomo de Investimentos - Executivo com 12 anos de experiência profissional em gestão de áreas financeiras e de marketing - Liderança de equipes com foco em resultado usando a metodologia de COACHING - Atendimento como PROFESSIONAL COACH a pessoas físicas, em português, inglês e francês - Professor de Finanças