Quando falo sobre programas de motivação e incentivo, e sobre retenção de talentos, ouço com frequência a frase: “Motivação é dinheiro, é isso que o funcionário quer”.

Sem hipocrisia, todos trabalham por dinheiro, e aumentos ou bônus sempre são bem-vindos. Ninguém vai discordar disso. Mas ninguém vai discordar que todo mundo (ou a grande maioria) gosta ser lembrado no aniversário e gosta de ganhar presentes. Ou seja, reconhecimento e incentivo. Se todos combinassem de te dar dinheiro no seu aniversário sem que houvesse um motivo especial para isso (casamento, viagem, mudança) ao invés de um presente, não seria no mínimo estranho? Temos uma cultura de presentear como símbolo, entregamos um objeto a alguém significando que lembramos desta pessoa e dispendemos tempo e atenção, não só dinheiro, para escolher algo para ela.

No mundo corporativo não é diferente. Apesar de os relacionamentos acontecerem em um ambiente de trabalho, movido a dinheiro, ele é sustentado por pessoas, quer os gestores retrógrados gostem ou não. E pessoas gostam de atenção, não só do dinheiro que recebem.

Prova disso é o grande número de pessoas que já conheci, com quem trabalhei, ou que já foram meus clientes, que desejavam trocar de emprego a quase qualquer preço. E trocaram. Por oportunidades que pagavam menos do que eles ganhavam. E nem todos tinham reserva financeira, simplesmente não aguentavam mais seus empregos e pediram demissão assim que encontraram outro. Já conheceu alguém nesta situação?

As pessoas se cansam quando não sentem que seguem seus objetivos. Veja os principais motivos para se deixar um emprego sujeitando-se a ganhar menos:

- Gestores tacanhos: cada vez mais os funcionários tendem a rejeitar gestores centralizadores, controladores e que desejam trabalhos mecânicos. Também entram os tiranos e os que espremem tudo da equipe em favor único e exclusivo de metas. E muitos outros...

- Empresas sem cultura, sem missão e sem valores postos em prática: as pessoas gostam (e precisam) trabalhar por um propósito. Se a empresa não passa nem perto disso em seu modo de lidar com os funcionários, ela pode ser uma ONG com a melhor das intenções, que será preterida por bons profissionais.

- Ambientes estéreis: o funcionário não tem qualquer esperança de ser ouvido, de dar ideias, de ter autonomia. Assim, não pode aprender nada, e não terá desenvolvimento algum.

- Mudança de área: único motivo pelo qual se deixa uma boa empresa para ganhar menos. Quando se quer recomeçar em outra carreira. Ainda assim, não sai da busca de propósito e objetivo.

O importante é notar que, para três destes quatro motivos mais frequentes, a solução está em implantar ações de RH. Planos de incentivo, plano de carreira, educação corporativa para gestores, definição de cultura empresarial e muitas outras medidas de retenção de talento podem diminuir muito a perda de bons profissionais. A empresa deixa de gastar com os trâmites que causam o turn over, sente maior produtividade e fica com boa imagem no mercado. Quem quer atrair bons clientes também precisa atrair bons funcionários.