Primeiro, vem a dificuldade pela escolha da graduação, em seguida, ao iniciar o curso, a dúvida se era aquilo mesmo que queria, depois a entrada no mercado de trabalho e a área de atuação, a mudança de carreira e planos para aposentadoria. É, até para aposentar surgem dúvidas, acreditem.

Neste artigo, porém, será abordada a primeira escolha: o curso de graduação.

Alguns jovens, a minoria, parecem já nascer sabendo o que querem. Desde criança apresentam uma facilidade com números, com animais, com cuidados com as pessoas e etc. e crescem determinados a estudar algo na área que tanto gostam. Alguns dão certo mesmo, outros já não tem a mesma sorte de “nascer sabendo” o que querem e vão fazer esta escolha no final do ensino médio.

A questão é que este período já é, por si só, um tanto turbulento, quando o jovem está em vias de sair da adolescência. Nesta ocasião, ainda está experimentando transformações corporais, hormonais e de comportamentos. Não é mais criança, mas também não é adulto e já começa a pressão dos pais, e até mesmo da sociedade, pela escolha profissional. Alguns não sabem o que querem, outros sabem o que querem mas não tem ideia de como fazer para conseguir. E tem aqueles que ainda tem dúvidas sobre estudar ou trabalhar.

Além das transformações que estão vivendo, estes jovens são influenciados pelo autoconhecimento (ou falta dele), pela família, pela condição socioeconômica, pela escola e pelo meio em que vivem.

Em um mundo tão globalizado, com tantas possibilidades de coisas a se fazer e com tantos distratores os jovens (e não só eles), se veem sobrecarregados de atividades como: estudar, estar entre amigos, conversar pelo Whatsapp, acessar o Facebook e etc. Os contatos com amigos tendem a ser muito intensos nesta fase da vida e facilitados pela internet tomam ainda mais tempo do dia do jovem. Por outro lado, há uma cobrança dos pais para estudarem inglês, praticar esportes, aprender violão e etc.. Com tudo isso, não sobra tempo para tomarem conhecimento de si próprios, para se observarem, para compreenderem o que estão sentindo e, de repente, chega a hora da escolha.

O papel dos pais é fundamental nesta fase. Há uma preocupação com o futuro do filho, mas nem sempre o orientam adequadamente sobre a escolha. Existem casos em que os pais criam a expectativa, desde longa data, que o filho siga a profissão X. Esta pode ser a profissão de um dos pais, pode ser uma profissão que permita tocar os negócios da família, pode ser algo que um dos pais quis ser e não foi, pode ser uma profissão lucrativa, pois querem que o filho tenha um futuro “promissor”. E tem aqueles que querem apenas que o filho faça uma escolha e entre para a “faculdade”. Algumas famílias mais simples precisam que o filho trabalhe. A questão da sobrevivência acaba falando mais alto, e por vezes a família não tem informação sobre bolsas do governo e bolsas que certas universidades particulares disponibilizam.

Mas não são somente famílias da classe média e baixa que tem dificuldades de escolha. As classes A e B também passam por isso. Alguns pais conseguem propiciar ao filho o estudo em escolas de primeira linha, intercâmbios e convivência em um meio que dá várias opções de atuação e escolha e ainda assim, o jovem se vê perdido.

As escolas também têm um papel fundamental neste processo de escolha. Algumas possuem uma estrutura mais robusta de profissionais, contando com professores das mais variadas disciplinas, extrapolando as básicas, além de pedagogos e psicólogos. Os projetos também variam desde feiras culturais, olimpíadas, palestras, feira de profissão e até orientação profissional. Os valores da escola e sua missão também causam impacto. A própria equipe de professores pode servir de inspiração aos jovens que, muitas vezes, optam por seguir a mesma carreira. Mas esta inspiração nem sempre é suficiente para que façam a escolha mais adequada. Como foi mencionado, o autoconhecimento é primordial para uma escolha mais assertiva e a falta dele faz com que vários jovens façam a uma escolha equivocada.

Este engano também pode ser influenciado pelo meio em que vive. O jovem que não se conhece e não sabe o que quer pode se ver influenciado pela escolha de seus amigos, ou ainda, não querer estudar, pois os amigos não estudarão. Pode querer fazer uma viagem, pois os outros amigos farão, ou ainda optarem pelo curso da moda.

Quantas dúvidas surgem: Estudar o quê? Trabalhar? Trabalhar e estudar? Ser um Nem-nem[1]?. Neste momento toda ajuda se faz necessária, e muitas vezes quando os pais não se sentem na condição de ajudar o filho, a escola não apresenta projetos que visam a escolha profissional e não tem outra pessoa para auxiliarem neste processo, ainda há uma luz no fim do túnel. Existem profissionais que atuam no mercado com carreira e que poderão facilitar este processo. Porém a escolha deste profissional deve ser criteriosa, levando em consideração sua formação e experiência.

A dica para os pais mais recentes nesta função é que comecem desde já a acompanhar o filho em suas habilidades, seus comportamentos, o que os motiva, suas limitações e conversarem sempre possibilidades e futuro O estímulo à busca de informações sobre as profissões também se faz muito importante. Isto eleva a maturidade para o momento da escolha.


[1] Nem-nem: Nome dados a geração de jovens entre 18 e 25 anos que não estudam nem trabalham.


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Informamos que esse texto é de inteira responsabilidade da autora identificado abaixo.

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Ana Carolina de Miranda Vianna

Executive Coach

Ana Carolina de Miranda é Coach pela Sociedade Latino Americana de Coaching, onde é membro e onde também se capacitou como Analista DISC . Psicóloga, graduada pela PUC MG, apresenta MBA em Gestão Estratégica de Pessoas pela FGV.