A resposta é que todos buscam a felicidade através da satisfação de suas necessidades. Contudo, você já se perguntou o que faz você feliz? A sua interpretação pessoal do que é felicidade norteia a escolha das suas metas, a sua forma de ser, a sua utilização do tempo, o seu jeito de lidar com as outras pessoas, as suas prioridades, a sua visão e missão. Por isso é muito comum que durante um período de grande reflexão provocado pelo processo de Coaching você descubra que felicidade tem um novo significado através da conexão feita com suas reais necessidades e valores.

Segundo Sócrates, felicidade é mais do que a satisfação dos desejos e necessidades do corpo, é a satisfação das necessidades da alma, através de uma conduta justa e virtuosa. Para Bertrand Russell, filósofo defensor da análise lógica, a felicidade seria libertar-se do egocentrismo. De um jeito ou de outro, o conceito de felicidade está de alguma forma relacionado ao sentido de satisfação das nossas necessidades, sejam elas materiais, espirituais ou do ego.

Não há quem esteja vivo e não queira levar uma vida melhor e mais confortável, o que torna qualquer objetivo material ou financeiro perfeitamente justificável e muitas vezes necessário. Por exemplo, encontrar um emprego que cubra as despesas e os investimentos para a aposentadoria. Morar perto do trabalho ou em lugar mais seguro. Ter um imóvel maior, para que o casal de filhos não divida o mesmo quarto. Comprar um carro mais confortável quando o trânsito da cidade é caótico e você precisa passar muito tempo nele. Evidentemente buscar conforto faz parte da vida e nos tira da inércia, estimulando o nosso desenvolvimento.

Contudo, a busca desenfreada pelo status social que o dinheiro e o poder trazem é na verdade um desejo de ser aceito, validar-se perante as outras pessoas. É a busca pelo preenchimento de um vazio existencial que só existe pela falta de autoaceitação, já que quem se aceita não precisa da validação dos demais, muito menos através do dinheiro ou poder.

A metodologia do Coaching coloca você diante da própria percepção a respeito de suas reais necessidades e valores. Após ponderar a respeito disso, uma reflexão sobre a sua meta pode ajudá-lo a certificar-se do quanto ela o aproxima da felicidade. Como este é um conceito muito relativo e subjetivo, não existe uma fórmula e só você pode responder o que lhe faz feliz, embora inferências possam ser feitas a esse respeito.

Primeiramente, no que tange as necessidades humanas, vale mencionar a pirâmide criada por Abraham Maslow, que situa na base da pirâmide as necessidades mais básicas e no topo as necessidades mais complexas. Inicialmente é preciso satisfazer aquelas que são básicas, a começar pelas fisiológicas, de modo que felicidade para quem passa fome é ter comida, assim como dormir adequadamente, descansar, fazer sexo seriam outros exemplos disso.

Uma vez satisfeitas essas necessidades básicas, a de segurança relacionada a emprego, saúde e moradia da família viria em segundo lugar. Até aqui elas trazem apenas um senso de autonomia básica, mas na sequência viriam os relacionamentos amorosos e sociais, que trazem um senso de conexão com as outras pessoas. É a necessidade de fazer parte de um grupo, compartilhar ideias, amar e ser amado.

Em seguida estaria a autoestima, associada ao amor próprio, equilíbrio e confiança. Por último e no topo, estaria a autorrealização ou propósito, relacionados a criatividade, moralidade e ausência de preconceitos, maior autonomia e poder de decisão, espiritualidade e sentido de existir.

É possível perceber que após as necessidades fisiológicas todas as demais passam a ter maior relação com nossos próprios valores, aquilo em que acreditamos e que nos move a buscar mais e crescer. Por isso é tão comum a ocorrência de crises de meia idade, depressão e ansiedade. Passamos muito tempo buscando formas de satisfazer nossas necessidades básicas, por vezes sobrecarregando o esforço ao acrescentar coisas que não são realmente necessárias, mas não sabíamos disso até nos atentarmos para questões relacionadas a autoestima e propósito.

Quando você se depara com questões sobre necessidades associadas a seus valores, pensa e reflete sobre elas, possivelmente percebe que deve fazer uma correção de rumos, mudando seus objetivos e metas, para aquilo que verdadeiramente lhe faria mais feliz. Não é à toa que os espiritualistas defendem o autodescobrimento e a reforma íntima.

Embora a autoestima e propósito estejam no topo da pirâmide, vale uma reflexão a respeito da capacidade de ser feliz sem primeiramente aceitar-se, valorizar-se e encontrar um sentido para a própria existência. Afinal, o desejo de autoafirmação através da conquista de status social pode representar uma escalada difícil, sofrida e desnecessária, uma vez que percebemos que não precisamos da validação de outras pessoas para amar-se, respeitar-se e sentir-se mais pleno.

Ao invés de escalar a montanha do dinheiro e poder, um outro monte mais alto poderia ter sido escalado, mesmo que parcialmente, em direção ao cume da amplitude da consciência, amor a si e ao próximo, preenchendo o vazio existencial que ocupa a mente e o corpo de tantas pessoas. Essa reflexão termina com uma única pergunta de Coaching:

O que faz você feliz?


Informamos que esse texto é de inteira responsabilidade do autor identificado abaixo.

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Marcelo de Albuquerque Ignacio Domingues

Life Coach

- Professional Coach (SLAC), Mestre em Ciências Econômicas (UFRJ), Agente Autônomo de Investimentos - Executivo com 12 anos de experiência profissional em gestão de áreas financeiras e de marketing - Liderança de equipes com foco em resultado usando a metodologia de COACHING - Atendimento como PROFESSIONAL COACH a pessoas físicas, em português, inglês e francês - Professor de Finanças