Qual a variedade da sua rede de suporte pessoal e profissional?

Para Roselinde Torres (sócia do BCG), essa questão remete à “capacidade de se relacionar com pessoas muito diferentes de você e que, apesar de todas as diferenças, se conectam a você em busca de realização e um objetivo comum.”

Para ser líder, é preciso lidar com pessoas com tendências opostas às nossas. No livro de Isabel Briggs Myers chamado “Ser humano é ser diferente”, baseando-se nas teorias de Jung, diz que “o fato de que pessoas não se dão bem o tempo todo sugere que nós não entendemos ou valorizamos as maneiras como os outros enxergam o mundo”

Por exemplo, pessoas introvertidas, mais reflexivas, calmas e cautelosas, se deparam com um líder extrovertido, que pensa rápido, é ousado e impulsivos e vice-versa. Um exemplo citado no livro de Myers é “um pensador...irá menosprezar o julgamento feito por um tipo que sente, porque o pensador não consegue entender como o tipo que sente pode chegar a boas decisões sem utilizar a lógica.”

A compreensão e a construção de relacionamentos com pessoas diferentes, é fundamental para um grande líder. Mas às vezes, a dificuldade está simplesmente em relacionar-se independente das tendências comportamentais.

Você só é líder se tiver seguidores e que quanto mais profundo o relacionamento, mais forte será o potencial de liderança. Um líder gera confiança segundo Maxwell “sendo, de forma consistente, um exemplo de competência, de conexão e de caráter.”

Ou seja, não basta ter uma excelente habilidade na execução de tarefas e conhecimento, é preciso se conectar aos liderados de maneira verdadeira. Muitas vezes, segundo Maxwell, “essa é uma das principais diferenças de gerentes e líderes. Líderes procuram reconhecer e influenciar questões intangíveis como energia, moral, oportunidade e impulso.”

A comunicação, é fundamental para a construção de um relacionamento. Ela deve ser simples e dotada de inteligência interpessoal e intrapessoal. Os líderes precisam, além de praticar a autorreflexão, cultivar a abertura e presença no contexto interpessoal. De nada adianta ter o melhor sistema de comunicação tecnológico, com internet, intranet, etc., se o líder for individualista.

A mensagem transmitida às vezes está no formato errado. Na maioria das vezes, os administradores criam uma cultura que os trabalhadores aceitam, mas não acreditam. Se as pessoas além de aceitar, acreditam na mudança, ela ocorrerá com sucesso e entusiasmo.

Dentro do processo de relacionamento e comunicação, uma questão fundamental é a empatia. A empatia implica em estar em sintonia com o que a outra pessoa está dizendo de forma que se possa sentir o que aquilo significa para ela.

Ser um ouvinte ativo implica em prestar real atenção ao que a pessoa está dizendo e responder através de paráfrases, perguntas ou pedir mais comentários. Escutar atentamente requer esforço disciplinado de silenciar a mente e sua conversação interna e dar atenção à outra pessoa que está falando. Escutar atentamente é tentar enxergar e sentir como quem está falando. Às vezes nos concentramos tanto no que queremos e podemos que acabamos esquecendo, ou não dando atenção, às habilidades dos outros.

Ter a escuta atenta, é fundamental para gerar empatia, que, por sua parte, é fundamental para estabelecer um relacionamento verdadeiro. Maxwell, acredita que “liderança, o resultado final não é o ponto em que chegamos, mas a que ponto levamos os outros. Isso se consegue servindo aos outros e agregando valor à vida deles.” O líder se identifica com as necessidades legítimas de seus liderados, além de remover todas as barreiras para servir o cliente.

Vale ressaltar a distinção de necessidade e vontade, em que devemos reconhecer as reais necessidades dos outros e atendê-las e isso é diferente de satisfazer vontades. Para que o relacionamento seja efetivo, a confiança é fundamental. Para gerar confiança, é preciso ser consistente, além de um exemplo de conexão e caráter. Para que uma equipe seja bem-sucedida, a visão deve ser unificada.

Quando líderes enxergam seus empregados como recursos e não como barreiras, os empregados sentem-se mais motivados para mudanças e, especialmente, não resistem às mudanças.



Referências

BUTLER-BOWDON, Tom. 50 grandes mestres da psicologia. São Paulo: Universo dos livros, 2013. Edição Kindle.
CHOWDHURY, Subir. Administração do século XXI: o modo de gerenciar hoje e no futuro. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2013.
CORTELA, Mario Sergio e MUSSAK. Liderança em Foco. Campinas, SP: Papirus 7 mares, 2013
DUTTON, Jane E. e SPREITZER Gretchen M. How to be a positive leader: Small actions, big impact. São Francisco, Califórnia: Berrett-Koehler Publishers, Inc., 2014. Edição Kindle.
HUNTER, James C. O monge e o executivo: uma história sobre a essência da liderança. Rio de Janeiro: Sextante, 2004
MAXWELL, John C. As 21 irrefutáveis leis da liderança: uma receita comprovada para desenvolver o líder que existe em você. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2007. Edição Kindle.
Vídeo: TORRES, Roselinde. What it takes to be a greater leader. Disponível em: //www.ted.com/talks/roselinde_torres_what_it_takes_to_be_a_great_leader#t_540406. Acesso em: 16 Abr. 2015



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Bruna de Melo Scardelato

Professional Coach e analista DISC, Formada em Administração de Empresas , Pós Graduando em Gestão de Pessoas