A Stress Managemente Association do Brasil (ISMA-BR), a mais respeitada associação sem fins lucrativos voltada para pesquisas e desenvolvimento da prevenção e do tratamento do estresse no mundo, fez uma pesquisa com cinco mil profissionais e constatou que, em nosso país, cerca de 30% da população economicamente ativa sofre da Síndrome de Burnout. Contudo, estes dados podem ser mais elevados, pois a Síndrome de Burnout também atinge estudantes e até desempregados. Seus sintomas são graves e devastadores no âmbito profissional e pessoal.

Em idos de 1970, o psicanalista americano Herbert J. Freudenberger abordou pela primeira vez a Síndrome do Esgotamento Profissional, o qual a denominou de Burnout. Traduzindo para o português seria “queimar por completo”.

Pois bem, a síndrome de Burnout pode ser conceituada como um estado de tensão emocional e estresse crônicos provocados por condições de trabalho desgastantes. É a exaustão física e emocional que começa com um sentimento de desconforto e, paulatinamente, vai se agravando até o “burn out”.

Os sintomas de Burnout são variados, podendo a pessoa sentir uma ou inúmeras queixas. Segundo o site //www.psiquiatria.med.br/tratar-Burnout, os sintomas mais comuns são:   

- Cansaço;

- Ganho ou perda de peso, má digestão, prisão de ventre e diarreia, gases, gastrites, úlceras;

- Baixa de resistência, infecções, gripes e outras viroses, por exemplo herpes;

- Pressão arterial alta, colesterol alto, arteriosclerose, acidente vascular cerebral (AVC ou "derrame"), infarto, etc;

- Dores de cabeça, dores musculares, dores "de coluna", fibromialgia;

- Bruxismo (ranger dentes durante o sono);

- Restless legs (pernas intranquilas, principalmente na cama durante a noite);

- Acne, pele envelhecida, rugas, olheiras, seborreia, queda de cabelos, unhas fracas;

- Diabetes;

- Diminuição de libido, impotência sexual;

- Tentativa de relaxar com álcool, nicotina, drogas e excesso de comida, causando outras complicações no organismo;

- Doenças psicossomáticas;

- Ataques de ansiedade;

- Transtorno de ansiedade generalizada (TAG);

- Ataques de pânico (taquicardia, sudorese, falta de ar, tremor, fraqueza nas pernas, ondas de frio ou de calor, tontura, sensação de que o ambiente está estranho, que a pessoa "não está lá" (isso se chama desrealização), de que vai desmaiar, de que vai ter um infarto, de uma pressão na cabeça, de que vai "ficar louco", de que vai engasgar com alimentos, assim como crises noturnas de acordar sobressaltado com o coração disparando e com sudorese intensa);

- Depressão.

Normalmente, Burnout apresenta maior incidência em profissionais que lidam direta e intensamente com a vida de outrem. Por esta razão, é mais frequente em médicos (estima-se que 40% dos médicos têm Burnout), professores, enfermeiros, policiais, advogados e servidores públicos da área de atendimento. Porém, pode atingir outros profissionais e, por incrível que pareça, até estudantes e desempregados.

Este fenômeno não é uma doença, e, sim, uma reação do organismo a exposição de um estresse profissional prolongado.

Feita a devida apresentação, não científica, da Síndrome de Burnout, vamos ao enfrentamento mais relevante, ao menos na minha ótica. Os sintomas supracitados são clássicos do “estresse” do dia a dia e são tidos como normais por quase todas as pessoas. A falta de cognição sobre esta síndrome, quase sempre sem diagnóstico, é gravíssima pois o indivíduo começa a achar que ser uma pessoa estressada, sem energia e com a saúde debilitada é normal. Sinto muito dizer isto, mas, tais condições são anormais ao ser humano. Fomos criados para viver com saúde, energia e disposição.

Nesse diapasão, uma pessoa com Burnout começa não só a produzir menos no trabalho, ser irritada no trabalho, ser rude no trabalho, sem energia no trabalho, mas sim em todos os aspectos de sua existência. Diferente do que muitos pensam, só temos uma única vida. Inexiste um único ser humano na face da Terra com uma vida pessoal e outra profissional distintas. Somos seres humanos integrais, uma vez que o lado profissional e o pessoal se influenciam mutuamente.

Como os conhecimentos adquiridos em meus estudos de coaching, psicologia e Programação Neurolinguística (PNL), passei a refletir sobre pessoas que encontrei em minha trajetória de vida e acredito que algumas delas possam ter sofrido o Burnout sem nunca terem tido diagnóstico. Pagaram um preço bastante alto por isso.

Case 01. Há alguns anos conheci uma dentista que vivia muito, muito amargurada com a profissão. Apesar de ter uma clientela expressiva, não tinha disposição para o trabalho, constantemente tinha resfriados, vivia cansada, irritada, tinha uma vida sem qualquer interação social. Esta conduta, não era só no trabalho, mas também no ambiente familiar. Com o passar dos anos, o casamento foi ficando cada vez mais desgastado até que chegou ao fim. Não quero dizer com isso que a única causa do divórcio fora a Síndrome de Burnout, mas certamente houve uma significativa influência.

Case 02. Uma servidora pública que, após longos anos no atendimento ao público, passou a ter insônia cônica, crises de pânico e ataques de ansiedade. Tais sintomas, logicamente transcenderam a esfera laboral e repercutiram fortemente no lar. Felizmente, o marido percebeu a existência de algo errado na conduta da esposa e solicitou ajuda psiquiátrica. Após alguns meses de tratamento, as crises cessaram. Porém, o Burnout deixou cicatrizes psíquicas deixando a servidora mais vulnerável. Ela encontra-se em tratamento há mais de dois anos.

Certamente, se vocês ponderarem, irão ver que algum conhecido, provavelmente, se encaixa nos elementos citados supra.

Considerando os inexoráveis efeitos da Síndrome de Burnout tanto nas áreas profissional e pessoal, é inaceitável o pouco investimento, estudo e divulgação de uma enfermidade tão grave. Sei que as “enfermidades/síndromes da mente” tem um condão vexatório para boa parte das pessoas; nada mais absurdo. Pois, estas são tão ou mais perigosas que as doenças físicas, sendo aquelas responsáveis por inúmeros óbitos ao redor do mundo. É comum vermos pessoas batendo no peito e dizendo eu venci um câncer, mas é pouquíssimo provável que vocês vejam pessoas batendo no peito e dizendo eu venci uma depressão.

O ponto de partida para cura de qualquer doença ou síndrome é a percepção de que algo está errado. Depois, a busca de um profissional habilitado para fins de obtenção de diagnóstico e terapêutica. No caso em tela, o psicoterapeuta e/ou psiquiatra são os profissionais indicados para tanto. É comum o coach atuar como auxiliar no tratamento, apoiando a pessoa (cliente) no desenvolvimento de novas competências laborais a fim de evitar novos gatilhos de Burnout. O coach irá ajudar o cliente na reestruturação de seu plano profissional de trabalho e pessoal, sendo fundamental para este tratamento uma alteração do mindset (modelo mental) do cliente.

Por fim, esclareço que “ignorar uma situação não significa eliminá-la ou superá-la. Tal postura permite que os seus fatores conjuntivos cresçam e se desenvolvem, até o momento que se tornam insustentáveis” (O Ser Consciente, p.10). Os problemas psíquicos são, muitas vezes, bem mais graves que os problemas físicos.


 
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