Autoconsciência e a prática de coaching
Há um crescimento exponencial de pessoas formadas como coach profissional no Brasil, amplas e por vezes desencontradas informações sobre coaching nos meios de comunicação interpessoal no que diz respeito a formações e o que dizem os profissionais dessa área. 

Para quem deseja acompanhar-se por um período na direção de um estado desejado, por meio desse processo de aprendizagem, transformacional e de assumir responsabilidades, torna-se exigente o alcance das respostas: em quem confiar as minhas emoções e sentimentos? 

Quais as competências do profissional para que atenda as minhas necessidades e desejos ou da empresa que atuo em um processo de coaching? Por outro lado, o do coach profissional, alguns autoquestionamentos são: como tornar-se um profissional coach desejado? Quais competências desenvolver? Quais as tendências deste nicho de mercado? Quais formações investir e em que instituições confiar? 

Ser coach requer primeiramente importante investimento pessoal. Requer profunda autoconsciência para consequente auto-gestão, empatia e desenvolvimento de habilidades e competências específicas. 

Comprometer-se em apoiar o desenvolvimento humano através de um processo de coaching requer muito mais que conhecimento dos modelos de coaching, suas técnicas e ferramentas ou ler literaturas específicas e tangíveis. É bom que ocorra muita investigação interna. Apoiar-se com terapias como as psicoterapêuticas, ser coachee (cliente de coaching), receber supervisão e supervisionar-se. 

Tomar como experiência frustrações, viver situações traumáticas e superá-las ou não, sentir-se com medos, com angústias, enlutar-se, escutar-se a cada instante. Adoecer-se emocionalmente e fisicamente e curar-se. Perceber que importantes mudanças comportamentais requerem muito trabalho emocional e que exigem enfrentamentos para ressignificação de crenças limitantes. 

Alcançar e não alcançar sonhos, objetivos ou metas que foram traçadas, experimentar-se em contextos de convívio social incomuns, estar sozinho. Tudo isso leva algum tempo.

Há diversas associações que indicam as competências essenciais para tornar-se um bom coach. Essas organizações clarificam e regulamentam o que esse profissional deve alcançar. Uma delas determina onze competências para que sejam conquistadas:

- Compreender e demonstrar em seus próprios comportamentos os Padrões de Conduta ICF;

- Habilidade de compreender o que é necessário na interação específica de coaching e a chegar a um acordo com o novo cliente sobre o processo e relacionamento de coaching;

- Habilidade de criar um ambiente seguro, de apoio que produza respeito e confiança mútuos continuamente;

- Habilidade de ser totalmente consciente e criar um relacionamento espontâneo com o cliente, empregando um estilo aberto, flexível e confiável;

- Habilidade de focar-se completamente no que o cliente está dizendo e no que ele não está dizendo, entender o significado do que é dito no contexto dos desejos do cliente, e dar apoio para que o cliente se expresse;

- Habilidade de fazer perguntas que revelem as informações necessárias para o benefício máximo do relacionamento de coaching e para o cliente;

- Habilidade de comunicar-se com eficácia durante as sessões de coaching, e de usar linguagem que tenha o maior impacto positivo possível no cliente;

- Habilidade de integrar e avaliar com precisão as múltiplas fontes de informação, e fazer interpretações que ajudam o cliente a se conscientizar e a partir disto atingir os resultados estabelecidos;

- Habilidade de criar, com o cliente, oportunidades para o aprendizado contínuo durante o coaching e em situações do trabalho/da vida, e praticar novas ações que irão levar de maneira mais eficaz aos resultados estabelecidos no coaching;

- Habilidade de desenvolver e manter um plano de coaching eficaz com o cliente;

- Gestão de Progresso e Responsabilização - Habilidade de manter a atenção no que é importante para o cliente e de deixar com ele a responsabilidade de realizar a ação.
 
O conhecimento de si próprio é fundamental para que todas estas competências sejam alcançadas. É importante que o coach acolha quem é e quem está. É a partir de uma escuta minuciosa e investigações amorosas, de generosas comunicações intrapessoais, que poderá apresentar, a quem apoia, questionamentos para reflexões consistentes. 

Coaches profissionais que passaram por significativas evoluções em seu modo de pensar e de agir a partir de conhecimentos e vivências como essas, podem entregar uma relação colaborativa e acolhedora, co-criando aprendizados desejáveis.



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