Meu amigo sul-coreano

Enquanto os participantes da missão empresarial à China esperavam para embarcar de volta para casa, um empresário da Coreia do Sul perguntou se éramos brasileiros. Ele havia reconhecido a expressão “tá bom” e deduziu nossa nacionalidade corretamente.

Segundo ele, há um comercial sul-coreano que faz referência ao Brasil e que tornou o “tá bom” conhecido por lá. Gente fina o asiático. Estava em Guangzhou porque também participou da Canton Fair. Pegaria um voo de quatro horas para Seul dali a poucos minutos.

Puxou o assunto do momento: futebol. Percebi, nesta viagem, que os estrangeiros estão mais ansiosos do que nós para a Copa do Mundo. Esbocei uma crítica ao evento e recebi um comentário surpreendente: “Eu sei. Vocês estão preocupados com o valor investido”.

É. Parece que nossas inquietações já foram debatidas lá no exterior. Ele quis saber mais detalhes sobre o meu trabalho e, quando expliquei que era palestrante e coach, começou a sessão desabafo. Tive prazer em ouvi-lo e entendi exatamente o dilema.

Relatou o sul-coreano, meu novo amigo, que a empresa dele é tomada por familiares. Ele perdeu a autoridade porque não soube separar o que é negócio e o que é família. Até com a esposa dele há um sério problema. Na verdade, o mais grave de todos.

Ela é a responsável pelas finanças da empresa e se recusa a passar informações detalhadas para o empresário. Sempre que ele ensaia tocar no assunto, a mulher reage de maneira exacerbada, como se o marido estivesse desconfiado de algo.

Nunca fui fã de misturar família e negócio. Já vi isso dar errado algumas vezes. Não significa que não há casos de sucesso, mas até os que contrataram parentes e aprovaram admitem que se trata de uma situação delicada. No caso do sul-coreano, a bola de neve estava montada.

Tentei traduzir para ele uma expressão comum por aqui e saiu o seguinte: “Don´t hire someone you can´t fire”. Ou seja: “Não contrate alguém que você não pode demitir”. Ele quase deu um pulo do sofá e disse: “É exatamente isso”.

São situações como essas que fazem com que eu lembre que o óbvio precisa sempre ser dito. A questão crucial nesse tipo de dilema é que esposa pode até deixar de ser esposa, mas tio, primo e irmão serão sempre tio, primo e irmão.

Contratar parentes é, sim, algo que deve ser feito com cuidado. O empresário não pode perder as rédeas. Se der abertura, acontece como no caso do meu novo amigo: “Eles acham que não precisam me dar satisfação e nem cumprir horário porque são meus familiares”.

Informamos que esse texto é de inteira responsabilidade do autor do post identificado abaixo.



Autor: KHALED SALAMA
Khaled Salama é jornalista, executivo, palestrante e coach. Escreve semanalmente sobre mundo corporativo para diversos veículos de comunicação. As palestras são nas áreas de atendimento ao cliente, trabalho em equipe, liderança e motivação. Para a trajetória completa e mais informações, acesse o site: www.khaledsalama.com.br.

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