Crenças e as suas intenções

Entendendo o que lhe impulsiona rumo à sua meta

A autoconsciência é algo muito importante porque nos ajuda a fazer as escolhas certas na vida. Consequentemente, auxilia-nos a compreender como nos relacionamos com outras pessoas e com o meio ao qual estamos inseridos. Ter uma compreensão exata de suas crenças e motivações é uma parte fundamental para o desenvolvimento da autoconsciência em coaching.

Por exemplo: o que faz você desenvolver o trabalho atual (além de um salário)? Quais as escolhas que você faz quando opta com quem trabalha? Quais são seus princípios? O que você vai defender ou até mesmo lutar? Por que você se comporta ou reage da maneira como faz, quando confrontado com um pedido ou um desafio?

Essas questões são importantes porque as atitudes das pessoas são a chave para seu sucesso ou fracasso, tanto no trabalho quanto na vida pessoal. Se seus valores e crenças estão fortemente alinhados com os da sua organização, e se eles estão motivados pelo trabalho que fazem, então é provável que você seja excepcionalmente produtivo e se sinta excepcionalmente satisfeito. Em si, isso faz com que seja importante para apoiar e reforçar os valores que você sustenta.

No coaching, trabalhar com valores e crenças não significa desafiar mentalidades religiosas ou filosofias pessoais. Mas significa examinar a fonte de sua energia e explorar a forma de trabalhar com essa energia para os melhores resultados. Podemos lembrar, de forma geral, que nossas crenças nos motivam e nossos valores nos dão permissão.

Quando nossos clientes passam a atender a fonte de sua energia, o trabalho de coaching ganha de forma substancial dois aliados, que permitirão e motivarão durante todo o programa. Já que agora sabemos que crença permite e, valor, motiva, quando faltar motivação logo saberemos que se trata de um valor. E quando não nos permitirmos, logo saberemos que se trata de uma crença. Isso faz com que o coachee (cliente) fique sempre ligado a esses dois importantes pontos durante o seu desenvolvimento.

Enquanto a maioria de nós pensa sobre nossas crenças e valores ao longo do tempo, o coaching pode realmente trazê-los à superfície para serem trabalhados em conjunto com a nossa meta e para apoiar o nosso desenvolvimento. Isto porque os coaches fazem perguntas que os coachees (clientes) não estão acostumados a ouvir e, muito menos, a responder. E, através destas perguntas, podem ativar por conta própria suas crenças e valores e entender de forma significativa como obter uma imagem mais precisa e detalhada do que os motivam.

Neste capítulo, analisaremos a forma como o coach e o gerente, como leader coach, podem trabalhar com pessoas para ajudá-las a compreender as suas próprias crenças e motivações. Isso pode ajudar essas pessoas a fazer escolhas melhores e, assim, obter o máximo de suas vidas diárias - especialmente no trabalho.


Entendendo como nossos valores nos movem


Em um nível superficial, trabalhamos duro para conseguir as coisas que queremos e precisamos na vida. Isso porque o que acreditamos precisa muitas vezes atender diretamente às nossas necessidades básicas, “necessidades humanas”, como moradia e alimentação, ou envolver, por exemplo, comprar um carro de luxo para impressionar os vizinhos. Até certo ponto, isso é verdade e essas necessidades e desejos variam muito de pessoa para pessoa, principalmente no decorrer de nossas vidas.

Mas, em um nível mais profundo, somos mais complexos que isso. Nossos comportamentos nem sempre seguem um padrão específico de ações, de simplesmente trabalhar duro para conseguir o que queremos. Por isso, é importante para os gestores “leader coach” (coaches que desenvolvem programas de Coaching Executivo contratados por organizações ou até mesmo aqueles que trabalham com foco em Coaching de Vida) entenderem esses aspectos para descobrir o que realmente impulsiona e motiva as pessoas. Assim, podem ajudá-las a apreciar o desenvolvimento proporcionado através dos programas de coaching e focar seu trabalho para obter satisfação real a partir dele.

Uma maneira de abordar isso é pedir para os coachees (clientes) escolherem e priorizarem a partir de uma lista de valores. Os coachees (clientes) podem fazer isso criando uma lista dos seus 10 ou 20 principais valores. Para isso, podem utilizar a tabela abaixo, como ponto de apoio para identificar ou até mesmo entender quais são e o que são valores.

Essa abordagem deve ser aplicada por coaches capacitados e serve para fazer com que o coachee (cliente) possa compreender os valores que muitas vezes levamos muito tempo para entender e descobrir. Por isso, não se apresse. Geralmente este processo pode levar uma sessão inteira, ou seja, cerca de uma hora a uma hora e meia. É muito importante para que o coachee (cliente) possa, durante este processo, pensar e esclarecer os efeitos de eventos específicos em cada dia ou em cada ação até hoje tomada durante o decorrer de sua vida.

Capaz de gerar uma compreensão da importância relativa dos valores pessoais, essa abordagem é particularmente poderosa quando as pessoas fazem escolhas de carreira, de ordem pessoal ou qualquer outra que fazem o tempo todo, sejam elas mais complexas ou simples. Depois do coachee (cliente) entender o que ele quer de sua vida profissional ou pessoal, ele pode, assim, fazer escolhas que atendam seus valores mais profundos, ao invés de simplesmente fazer as coisas que vêm à cabeça em um primeiro momento de decisão. Saber quais valores serão atendidos e negligenciados nesta decisão faz toda a diferença para que a decisão e a motivação se sustentem por muito tempo. Agora imagine você, como um Leader Coach, poder desenvolver uma abordagem com base nos valores de seus colaboradores o quão importante seria para manter e potencializar a motivação que atende e satisfaz estes valores. E, por consequência, seus colaboradores. Então você pode ajudar esses indivíduos a se tornarem extremamente eficazes no trabalho.

Enquanto coach de executivos, esse ganho também reflete nas metas pessoais e profissionais de cada um. Quando falamos de valores, podemos considerar que pode e deve ser abordado este trabalho dentro de qualquer processo de coaching, seja ele de vida, executivo, de carreira ou qualquer outra modalidade.

Auto crenças limitantes

Outra forma com a qual as crenças das pessoas afetam o trabalho é quando elas têm o poder de detê-las. Crenças limitantes são muitas vezes o que chamamos de paralisia comportamental ou são pensamentos não verdadeiros e que prejudicam a nossa eficácia. Estes tendem a se basear em certas experiências ou em ideias e normas que adquirimos da nossa cultura, da educação ou de grupos nos quais estamos inseridos.

Podemos ter milhares de pensamentos todos os dias e muitos destes são repetidos. É por isso que, ao longo do tempo, podemos começar a acreditar que a nossa própria versão de como o mundo é nem sempre é verdadeira. E, na grande maioria das vezes, não é mesmo. Contudo, podemos fazer algumas perguntas para identificarmos o quão limitantes são estas crenças que nos surgem através de pensamentos muitas vezes infundados. Essas perguntas são:

- Quais evidências concretas eu tenho sobre o que estou pensando?
- Entre o que estou pensando, o que já aconteceu?
- O que aconteceu que está me fazendo pensar assim?

Às vezes, o que acreditamos ser errado talvez tenha sido interpretado por ações de alguém ou palavras que alguém um dia nos disse. E, muitas vezes, são palavras que não foram direcionadas a nós, mas adotamos como verdades absolutas. Ou talvez tenhamos aprendido a lição errada de um erro na vida. Como resultado, fomos incapazes ou construímos o medo de exercer uma ação similar novamente.

Aqui estão alguns exemplos de auto crenças limitantes:

- Eu não posso alcançar o sucesso ou eu não mereço alcançar o sucesso.
- Eu vou falhar.
- Eu não sou querido pelos outros e serei julgado de forma improcedente.
- O que eu fui convidado a fazer é impossível ou impossível para mim.
- O que eu estou tentando fazer só pode ser alcançado de uma forma, e não há alternativas.

Em nosso trabalho como coaches, trabalhamos o tempo todo com crenças de nossos clientes. E a habilidade do coach em identificar e desconstruir esse padrão de pensamento dos clientes é um fator fundamental que determina o sucesso nas sessões, bem como o avanço que o coachee (cliente) fará rumo à meta estabelecida em coaching.

Quando o coachee (cliente) descobre e passa a lidar com as suas auto crenças limitantes, este então fica no caminho certo para o desenvolvimento das competências necessárias apontadas para o alcance de suas metas, sejam elas pessoais ou profissionais. Coachees (clientes) podem não estar cientes das causas reais que geram essas paralisias comportamentais, mas podem estar cientes de causas como falta de ambição, sem esperança ou sem direção, entre outros fatores que geram essa paralisa comportamental. Isso faz com que fiquem na inércia por muito tempo, com vidas que muitas vezes não oferecem desafios ou até mesmo desafios que não geram satisfação.

Há, naturalmente, algumas crenças profundas que necessitam de uma assistência que vai além do coaching. Mas, geralmente, quando as pessoas reconhecem que um dos seus pensamentos não é verdade e que mantê-los os impulsionam de forma contrária à desejada, ou seja, para trás, começam a progredir e superar o problema ou a paralisia comportamental.

Uma boa estratégia que os coaches podem usar para ajudar a lidar com as paralisias comportamentais é a que tenho utilizado com frequência em sessões. E funciona até mesmo quando falamos de Coaching Executivo, com executivos de alto escalão. Em vez de olhar os prós e contras de uma decisão, como você faz quando analisa perdas e ganhos, você explora as crenças do coachee (cliente). Faz isso perguntando sobre seus pensamentos e identificando as crenças positivas que estão ajudando e apoiando o seu progresso, além das crenças negativas que estão o impedindo de progredir.

Por exemplo: separamos o diálogo abaixo para demonstrar uma conversa de coaching baseada na informação acima. Imagine se você estivesse fazendo coaching com um executivo e ele lhe expressasse as seguintes verbalizações:

Coach:
“Ok, nós entendemos que você não quer se candidatar ao cargo de gerente de vendas, porque está receoso que pode falhar. Por que isso é um problema?”
Coachee (cliente):
“Porque eu acho que todos vão rir de mim e vou perder o respeito no meu trabalho.”
Coach:
“Quais evidências você tem de que isso acontecerá?”
Coachee (cliente):
“Não tenho, mas parece que acontecerá.”
Coach:
“Em que momento isso já aconteceu antes?”
Coachee (cliente):
“Isso não aconteceu no trabalho. Mas me lembro de quando as pessoas costumavam tirar sarro de mim por querer estar no time de basquete da escola.”
Coach:
“E o que você fez sobre isso?”
Coachee (cliente):
“Eu não participei da equipe.”
Coach:
“Como isso faz com que você se sinta agora?”
Coachee (cliente):
“Na época, parecia melhor do que ouvir os comentários negativos. Mas agora sinto raiva, porque eu era bom no basquete. Eu tinha todas as habilidades. Eu era apenas menor comparado aos outros jogadores da equipe.”
Coach:
“Então, como você faria de forma diferente agora?”
Coachee (cliente):
“Entrar no time e provar que todos eles estão errados.”

Essa é uma versão abreviada do tipo de conversa que temos em coaching. A discussão real poderá demorar algumas horas, ou ter lugar durante várias sessões de coaching, mas esse exemplo fornece um bom guia sobre como o coaching pode descobrir essas crenças auto limitantes. E, após essa descoberta, trabalharmos junto ao cliente para criar estratégias para lidar e superar estes pensamentos “crenças” que geram a paralisia comportamental.

Às vezes, nossas experiências anteriores criam crenças que não são verdadeiras e as aceitamos como verdades absolutas. Ao trabalhar com um coach, as pessoas podem identificar essas falsas crenças e superar os efeitos que essas crenças podem ter sobre a sua situação atual.

Ter uma compreensão exata de nossas crenças e motivações pode nos ajudar a fazer melhores escolhas, para que possamos tirar o máximo proveito das nossas vidas, em diversos aspectos, sejam eles pessoais ou profissionais.

Trabalhe com os clientes para identificar as suas prioridades, papéis e valores na vida. Você também pode ajudá-los a compreender suas motivações e dar-lhes algumas perspectivas sobre as crenças e pensamentos que estão causando a paralisia comportamental, funcionando como uma mola que os impulsionam para trás.

Depois de terem uma melhor compreensão de suas crenças e motivações, podem lutar por aquilo que realmente valorizam e superar todos os obstáculos que estão afetando o seu desempenho e crescimento - no trabalho e em suas vidas pessoais.

Informamos que esse texto é de inteira responsabilidade do autor do post identificado abaixo.



Autor: Flávia Gomes
Graduada em Pedagogia pela Universidade do Distrito Federal, MBA em Gestão Empresarial e Coaching através da Sociedade Latino Americana de Coaching e FESPSP – Fundação Escola de Sociologia e Política do Estado de São Paulo, atualmente é a Pedagoga responsável por todos os treinamentos da MSI – Master Solution Institute.

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