A pior falha que um gestor pode cometer é a incoerência. Erros de julgamento, ou na tomada de decisão, ou na forma de motivação, erros no reconhecimento de um funcionário, erro de foco: todos resultam em problemas para a equipe, claro, que acaba tendo que “consertar” ou “desfazer” alguma coisa. Porém, apesar do desconforto e da falta de confiança temporária que se instala entre os funcionários, um problema pontual nunca passa de um problema pontual. Ele é chato, tem consequências, gera retrabalho, mas ele tem fim. O problema termina, é resolvido ou até morre com o tempo. E todos voltam a suas vidas normais.

No entanto, quando falamos de incoerência a situação não funciona assim. O líder incoerente recorre nos mesmos erros constantemente. Pede coisas que depois condena, faz diferença entre seus subordinados, e, em alguns casos, chega a parecer hipócrita por pregar uma teoria e agir de outra forma na prática.
As razões podem ser várias, desde a mais comum e simples insegurança em liderar, por inexperiência ou falta de talento, até mesmo um desvio de personalidade. Gestores incoerentes não têm regras ou planos para seguir, não possuem um escopo de conduta para se basear, e isso geralmente vem de uma mistura entre a incapacidade deles de manter uma linha de postura e da falta de treinamento e regras claras dentro da empresa. É muito comum encontrar gestores com este tipo de comportamento em empresas que não têm um RH atuante, sem programas de cultura organizacional e gestão de pessoas.
Este tipo de gestor causa insegurança e sentimento de injustiça na equipe, que não sabe o que fazer em situações corriqueiras, porque a cada vez se pede para adotar uma conduta diferente. Além disso, gera estresse no funcionário que nunca sabe se será repreendido e que sempre tem que perguntar o que fazer, sem ter autonomia alguma em seu trabalho. E ainda impede o desenvolvimento da equipe, que não pode pensar por si mesma e assumir integralmente suas tarefas.
O gestor transmite e tem a falsa impressão de que está sendo útil e essencial no departamento, e de que a equipe não tem condições de funcionar sem ele, devido ao volume de vezes em que é requisitado. Não percebe que, dessa forma, está centralizando tarefas que seus funcionários são pagos para realizar, e acumulando um volume irreal e inconsistente de trabalho que não precisaria estar totalmente sob sua supervisão se as pessoas fossem devidamente treinadas e orientadas. Esta gestão truncada empobrece o clima de trabalho, ofusca as capacidades de criatividade e autonomia dos subordinados e cria um gestor estressado que só lidera processos, e não pessoas.




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