Penso que ela estava correndo o risco de cair nas 3 armadilhas em que a maioria das pessoas caem no período de transição entre o ensino médio e a faculdade:
1- Responsabilizar o curso superior escolhido pela futura realização profissional, pessoal, social e financeira.

Obviamente, desde o início da formação, pessoas comprometidas querem tornar-se profissionais de sucesso, pessoalmente realizados, que desempenham um papel significativo na sua sociedade e que têm, por meio do seu trabalho, recursos financeiros satisfatórios. É um cenário ideal, não é mesmo?

Contudo, esse pode ser um fardo um tanto quanto pesado para uma escolha tão importante, que é feita, geralmente, em uma fase da vida que, por si só, já costuma ser cheia de conflitos e mudanças. É preciso estar presente para o fato de que esse “cenário ideal” tende a acontecer em um dado momento, mas é construído ao longo de um caminho que pode ter algumas dores, decepções, e muitos, mas muitos esforços.

Mais importante do que isso tudo, é a necessidade de compreender que a realização profissional, pessoal, social e financeira depende muito mais de quem você já é, do que daquilo que a sua formação acadêmica poderá fazer por você. O seu comprometimento e seus padrões de excelência já podem dizer muito sobre seu posicionamento enquanto profissional, independente da área de atuação que escolher. A maneira como você se relaciona consigo mesmo e como constrói e cultiva seus relacionamentos, já pode deixar muitas pistas para a sua realização pessoal. Da mesma forma, a maneira como você enxerga, e a importância que dá à sua sociedade de maneira ativa, já dizem muito sobre sua realização social. E a forma como vê, estabelece, organiza e supre suas necessidades materiais já está formando partes iniciais do caminho para a sua realização financeira.

Deste modo, se tudo der certo, ou se algo der errado, a responsabilidade e o mérito não são só da escolha profissional!

2- Não ter clareza do que significa “trabalhar com o que ama”.

É preciso lembrar-se de que “trabalhar com o que ama” é muito diferente de fazer o que gosta o tempo todo. Muitas vezes, para se ter o trabalho que ama, é necessário fazer muitas coisas de que não se gosta tanto assim, simplesmente porque fazem parte do processo que constitui esse todo que é, de fato, amado.

Ao pensar em ser um profissional de determinada área, é preciso pensar, também, no que está – ou não – disposto a enfrentar/superar/suportar por esse objetivo. Ferramentas como análise de perfil comportamental, alinhamento de valores e definição de propósito e missão de vida podem auxiliar efetivamente nessas questões.

3- Misturar os conceitos de identidade e papel.

A sua identidade tem a ver com quem você é, essencial e particularmente, um ser humano único e especial. O papel que você desempenha tem a ver com o que você faz, o trabalho que você realiza. E misturar esses conceitos é a causa de muita insatisfação profissional e pessoal por diversas razões. Lembrar-se de que existe um ser humano único e especial por trás de cada profissional instigado a “parecer-se com algum exemplo” ou “superar de alguma forma o concorrente” em um mercado de trabalho competitivo é um grande desafio, mas é preciso enxergar essa distinção.

As pessoas trabalham por diversas razões, e a maior e mais comum é a necessidade. Seria fantástico se todo mundo se conhecesse o suficiente para trabalhar sempre de acordo com suas paixões e aptidões, e se o mercado pudesse absorver isso, mas o fato é que todos estão sujeitos a ser colocados por alguma circunstância em um trabalho que nada tem a ver consigo.

Quem nunca teve um emprego “nada a ver”? Quem nunca se arrependeu da escolha acadêmica durante aquela aula chata na faculdade? Quem nunca quis desistir do curso durante um dia terrível no estágio? Quando acontece... é preciso compreender que se algum papel precisa ser desempenhado por você agora para suprir uma necessidade sua e te proporcionar algum aprendizado, isso não precisa – e não deve – interferir na sua identidade. Você pode e vai continuar sendo quem é, independente do papel que alguma necessidade te leve a desempenhar. E, assim, entre suprir uma necessidade e outra, a vida vai dando voltas e você continua buscando sua essência, sua plenitude, e deixa tudo mais leve colocando amor no que faz!

Existe outro perigo nessa armadilha de misturar os conceitos, e esse afeta justamente as pessoas que já trabalham ou estudam aquilo que acreditam que amam: algumas pessoas colocam tão fortemente a sua identidade naquilo que fazem que, quando algo precisa ser refeito, reconsiderado, observado, melhorado ou, na pior das hipóteses, quando não é aceito, chega a ser visto como uma “recusa” pessoal, que gera sofrimento e angústia simplesmente pela falta da compreensão de que a crítica tenha sido direcionada à “coisa que foi feita” e não à “pessoa que fez”.

Quando compreender isso verdadeiramente, verá que a sua escolha acadêmica e profissional não tem o dever de reafirmar a sua identidade o tempo todo. E isso, seguramente, tornará essa decisão mais leve!
E se você que está lendo esse texto, assim como a menina que mencionei no início, está vivenciando esse período de transição, quero te convidar a estar presente para a seguinte ideia:

No momento da sua escolha acadêmica/profissional, volte sua atenção, primeiro, para perceber o que você gosta de aprender. Depois, para perceber que habilidades você reconhece em si e que gosta de usar. Então, pense em uma faculdade direcionada para isso. Você passará por alguns anos de imersão em uma área específica do conhecimento, por isso é importante que se trate de algo que verdadeiramente te interesse aprender, ao ponto de compensar os “estudos chatos” que podem vir no “pacote”.

Coisas como retorno financeiro, ajudar as pessoas e viajar o mundo (ou realizar outros sonhos quaisquer) acontecerão depois, como consequência, independente da profissão que você escolher, pois tratam-se de coisas que, de maneira deliberada, você estabelece na sua vida.

Se assim como a referida menina – e eu - você gosta de viajar e de ajudar pessoas, pode ser que sua escolha te leve a viajar a trabalho (o que vai ser muito diferente de uma viagem de turismo, é claro), ou que você seja assistente social, e ajudar pessoas seja sua função em alguma instituição... Mas pode ser, também, que você se torne musicista, por exemplo, e se encontre nisso de tal forma que ajude os outros de uma maneira linda através da música! E que se organize para viajar com a maior frequência que seus recursos e tempo lhe permitirem, entende?

Escolhi exemplos aleatórios só para te convidar a refletir sobre a leveza dessa escolha que parece tão pesada. E quero te convidar a crer, com todo seu entendimento, que suas escolhas sempre poderão te levar à realização dos seus sonhos, se você mantiver cada um deles em mente!



Informamos que esse texto é de inteira responsabilidade da autora identificada abaixo.

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Helen Karen Gomes Rizzi

Master Coach

Coach, analista de perfil comportamental, escritora, viajante e letróloga. Trabalha com foco em realização de sonhos. Tem envolvimento com projetos missionários (sociais e evangelísticos) no Brasil e no Peru. Autora do livro "Do Sonhar ao Realizar - a aventura de se permitir".