O Sistema Único de Saúde – SUS se inscreve em um contexto de viver bem e melhor. Viver bem não é viver isoladamente. Pensando nisso, as políticas sociais ampliaram-se tratando do cidadão em sua integralidade. A necessidade de descentralizar as políticas e a troca de saberes aumentou, embora muitos profissionais ainda trabalhem de maneira individualizada sem conhecer a prática do seu outro setor de trabalho (WESTPHAL, 2006).

Essa prática considera a saúde como um elemento de qualidade de vida ao paciente, sugerindo a articulação entre os setores. Este estudo implicará na reflexão dos limites das categorias profissionais frente a suas atuações intersetoriais. O debate acadêmico acerca da intersetorialidade emerge no bojo da crítica à fragmentação da comunicação e da ligação dos setores em busca de resolutividade. Para alguns autores, extrapola a mera agregação dos setores aos seus campos de origem, visando à associação dialética entre dimensões polares como teoria e prática, ação e reflexão, conteúdo e processo. A integração entre diferentes áreas e a abordagem de problemas de forma criativa demanda mudanças individuais, institucionais e ações intersetoriais (INOJOSA, 1998).

O tema intersetorialidade em saúde vem sendo discutido com mais ênfase desde a implantação do SUS, que trabalha um de seus princípios na intersetorialidade. Princípios desafiantes, assim como todo o Sistema Único de Saúde, que veio contradizer o modelo de política existente que buscava a universalização da saúde como direito de todo cidadão, a descentralização da tomada de decisões a nível local e a participação da população nas decisões e a universalização do acesso.

Uma forma intersetorial de organização deve ter como base a população e suas maneiras de condições de vida. Assim sendo, suas prioridades devem ser apresentadas para que sejam efetivadas ações integradas de múltiplos setores. A implantação dessa ideologia nasceu em observações relacionadas a decisões políticas para atuação de cargos, que significa romper com o antigo sistema imposto por estruturas de poderes. É necessário que profundas transformações institucionais sejam implantadas nas formações e práticas da sociedade que afrontam a eficiência e eficácia das atividades profissionais. Portanto, a intervenção neste trabalho poderá ser ampliada a partir da análise dos setores, feita através da perspectiva dialética, problematizando os elementos envolvidos no arranjo da rede intersetorial. Assim, discutir conceitos sobre a importância das orientações profissionais e os fatores oportunos e restritos as alianças intersetoriais voltadas para as iniciativas de promoção a saúde, podem romper os obstáculos que surgem do empenho setorial, causados pela desintegração e da incoerência administrativa que seguem práticas tradicionais, sendo necessária uma transformação integral das políticas.


A luta pelo direito a Saúde foi adquirido com o Projeto de Reforma Sanitária, que foi, e é, de grande valia para toda a sociedade brasileira. O Brasil é um dos países do mundo com a melhor legislação em relação à saúde e tem posto em lei a conquistada universalidade e da equidade do atendimento a saúde. O aparato legal é extenso, completo e complexo contém a garantia na Constituição Federal que consolida esta como direito, consolida também o Sistema Único de Saúde, no entanto a discrepância entre a lei e a sua execução é visível, pois como nos referimos neste trabalho às dificuldades do atendimento à saúde ainda são muitas, contudo devemos ressaltar que esses direitos foram promulgados há pouco tempo se visualizarmos toda a história.                                                              

Ressalta-se também que a saúde da população não depende somente do SUS, mas também de investimento de recursos de políticas econômicas e sociais. A garantia de emprego, salário, moradia, saneamento básico, comida, educação, lazer e transporte interferem nas condições de saúde e de vida. Saúde não é só atendimento médico, mas também prevenção, educação, recuperação e reabilitação conforme está previsto no aparato legal. A fundamentação sobre o conceito de intersetorialidade na pratica da gestão representa um espaço de troca de saberes e poderes, que ainda não se encontram postos em prática em nossa área administrativa. A construção intersetorial é representada através de iniciativas por parte de um processo que transforma planejamentos e avaliações de ações que envolvem os profissionais e instituições nas colocações pontuais sobre politica pública.  A setorialização trabalha o cidadão e as adversidades de maneira fragmentada, com serviços concretizados isoladamente, embora as ações sejam para o mesmo usuário, a mesma família, em um mesmo espaço territorial e meio ambiente. Observa-se uma prática desarticulada, contradizendo os projetos de gestões democráticas e inovadoras. No quesito participação nos conselhos municipais pelos representantes de governo, é necessário haver uma substituição pela troca de reproduções de gestões anteriores que eram setorializadas, por produções de gestões participativas que envolvam a população na tomada de decisões. 

Desta forma, discutir sobre as ações intersetoriais para promoção da saúde no contexto da ESF, constitui-se em um objeto de estudo necessário na identificação de possibilidades e desafios existentes no processo da história da atenção básica. A literatura aponta que existe um consenso sobre a necessidade e importância da intersetorialidade postos diante dos problemas da população. Assim sendo, na prática, percebe-se que a intersetorialidade ainda é um objetivo a ser alcançado. Dentro de um território, existem várias formas de articulação em rede, mas, para que o serviço de saúde local possa efetivamente construir parcerias intersetoriais. É essencial ir além da pactuação de tarefas e da transferência de responsabilidades, é necessário construir espaços comunicativos que esultem na definição de conceitos e objetivos comuns, permitindo assim, o planejamento participativo das ações que formulem contribuições de outras instituições.

Assim, um dos desafios para a intersetorialidade é a formação de profissionais capazes de perceber os problemas colocados pela sociedade e, consequentimente, que reconheçam a importancia de ações intersetoriais que possam intervir nos problemas populacionais. Essa proposta mostra um importante papel das instituições de ensino superiores, para serem capazes de formar profissionais críticos e reflexivos para intervir na realidade social dos ambientes de trabalho.  Nesse processo de trabalho difícil para construção da intersetorialidade, consideramos avanços, como, o reconhecimento das limitações setoriais, e as necessidade de articulação entre os setores, políticas, instituições (não-governamentais, privadas, públicas).


 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

ALMEIDA Filho N. Intersetorialidade, transdisciplinaridade e saúde coletiva: atualizando um debate em aberto. 2000. p.12-24. Disponível em: <//www.ebape.fgv.br/academico/asp/dsp_rap_artigos.asp?cdi=7> Acesso em: 10 Out. 2014.

BRASIL, Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Relatório Final da 8ª Conferencia Nacional de Saúde. Brasília, 1986.

 

BUSS PM. Promoção da Saúde e Qualidade de Vida. Ciên Saúde Coletiva 2002;5(1): 163-77.

 

BRASIL, Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado, 1988.