O filme “De repente 30” tem uma cena em que a protagonista pergunta para a mãe o que faria de diferente se pudesse voltar no tempo. Ela responde: “Nada”. Curiosa, a filha questiona se a genitora nunca cometeu um grande erro, daqueles com consequências graves.
A mãe disse que não teria aprendido a fazer o que é certo se não tivesse cometido erros. Gostei da frase. Esses percalços nos tornam mais experientes, fazem com que a gente conduza uma avaliação dos caminhos que percorremos e uma eventual correção de rumo.
Sinceramente, tenho inveja de quem afirma que não se arrepende de nada. Deve ser realmente libertador. Eu cometi vários equívocos e me arrependi de muitos deles. Como seres humanos, somos falíveis e reconhecer isso é sinal de humildade.
É justamente por isso que muitos palestrantes recomendam que se lembrar do passado o tempo todo é contraproducente. Quem faz isso pode se bloquear por situações que ocorreram anos atrás e das quais ninguém mais se lembra. Não vale a pena.
Até mesmo eu, que já recomendei isso inúmeras vezes, tenho que me policiar com frequência para que lembranças desnecessárias não me incomodem. Volta e meia, meu cérebro faz questão de trazer à tona algo que eu não deveria ter feito, mas fiz.
Livrar-se do lixo psíquico é um exercício diário. Identifiquei-me com um meme que vi na Internet. Mostrou dois quadrinhos. No primeiro, uma moça deitada disse: “Tudo pronto para dormir”. O segundo é a mesma moça, quatro horas depois, ainda de olhos abertos.
A frase no início do quadrinho dizia: “Lembrei de uma vergonha que passei em 2009”. Isso significa que ela não conseguiu dormir em função disso. Para que possamos ter sucesso, é preciso saber viver o presente de maneira intensa e deixar o passado de lado.
Por meio da música “My Way”, Frank Sinatra cantava: “Arrependimentos, eu tive alguns. Tão poucos para mencionar”. No meu caso, teria vários. Porém, de uma coisa posso me orgulhar: não cometi nenhum erro por falta de comprometimento ou por má intenção.
Em uma cena do filme “Simplesmente Complicado”, um personagem pede desculpas para a ex-mulher. Os equívocos que cometeu foram tantos que ela pergunta até onde deve considerar o pedido. “Estenda as desculpas até onde precisem ir”, respondeu.
Sinto-me assim às vezes. Com vontade de fazer um pedido de desculpas geral e retroativo, que abranja coisas que as pessoas provavelmente nem se lembram mais e que nem fiz de propósito. Acredito que só assim meu cérebro relaxaria de uma vez por todas.



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