Por causa de maus profissionais, despreparados, que falam absurdos para os candidatos com a cara mais deslavada, e ainda juntando ao momento de crise, o RH fica na berlinda. Assim, mesmo quando o processo é adequado, o candidato reclama. Basta não ser selecionado, que reclama. Reclama se não teve retorno. Se teve, reclama que era impessoal. E se teve um retorno pessoal, reclama porque não é justo não o contratarem por ter ou não ter determinada característica. Os selecionadores, por sua vez, inventam perguntas absurdas para conseguirem respostas com as quais não sabem lidar. Alguns candidatos movem ações na justiça quando sentem-se moralmente assediados, ou vítimas de preconceito e discriminação. Muitos estão com a razão, e a questão aqui não é discutir quantos candidatos versus quantos selecionadores estão certos.

Para que serve ser hipócrita?

Para resolver estes problemas de comunicação, de mal-entendido, de desconforto, temos uma aliada muitas vezes rejeitada e rechaçada: a hipocrisia. Sim, quando o discurso difere dos sentimentos, quando escondemos fatos em prol do politicamente correto, estamos sendo hipócritas, e isso é muito útil socialmente. Em várias situações, e também em uma seleção.

O selecionador hipócrita

O selecionador pode usar de hipocrisia quando anuncia uma vaga que desrespeita a diversidade, pois é direcionado pela política empresarial ou pelo preconceito do gestor ou cliente. Como vamos (enquanto selecionadores, não enquanto RH, deixo isso bem claro) levantar uma bandeira racial, GLS, de mães com filhos pequenos, de pessoas com mais de 40 anos, de pessoas tatuadas ou com piercings, só pra dar alguns exemplos, quando sabemos que o gestor e/ou a empresa não vão aceitar? E ao mesmo tempo, não podemos deixar essas “limitações” da vaga transparecerem ao candidato. Além de ser extremamente grosseiro, pode trazer outros tipos de problemas. Manter a postura socialmente aceitável e dar um retorno de reprovação padrão são as únicas coisas que se pode fazer neste caso.

O  candidato hipócrita

O candidato também pode usar de hipocrisia “útil” na entrevista. Quando percebe que o selecionador está fazendo perguntas como pegadinhas, que vão além da terrível “quais são seus defeitos”, ele pode omitir respostas sinceras (https://www.linkedin.com/pulse/j%C3%A1-te-perguntaram-seus-defeitos-na-entrevista-viviane-nishiura) Ele também pode entrar no politicamente correto e socialmente aceitável, para dar ao selecionador a resposta que este quer, e não a verdade.

Somos todos hipócritas (?)

Fazemos isso muitas vezes em nosso cotidiano, seja nesta situação ou em outras, e às vezes sem perceber. Estamos tão acostumados a reprimir certos pensamentos e sentimentos em relação a determinadas coisas, que já estamos fingindo no automático. Como um instinto de sobrevivência social.

Se aprendermos a usar esta “ferramenta” a nosso favor, de caso pensado, vamos entender suas vantagens.

Quando não podemos ser hipócritas?

Sempre. Não podemos ser hipócritas sempre. Aprender a trocar uma postura, a não dar a opinião sincera, ou a omitir dados serve para alcançar um objetivo específico, não pode ser um modo de vida.

Quando expressamos coisas que não sentimos ou com as quais não concordamos, estamos dizendo a nosso cérebro que somos incoerentes. Não é uma atitude saudável, em algum momento ele vai cobrar isso de você. Vai te causar cansaço, desânimo e até doenças psíquicas ou físicas.

Deixe para usar o politicamente correto e o socialmente aceitável, ou seja, a hipocrisia, apenas em casos pontuais, em que você precisa passar por aquela situação para conseguir algo maior. Mas mantenha seus valores e suas atitudes condizentes com eles na grande maioria das vezes. Assim, você não perde sua essência nem sua saúde.